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One Piece RPG : A GRANDE ERA DOS PIRATAS
 
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 Ato III: O Miasma da Quimera

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AutorMensagem
ADM.Tidus
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ADM.Tidus

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MensagemAssunto: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptyDom 10 Mar 2019, 22:20

Relembrando a primeira mensagem :

Ato III: O Miasma da Quimera

Aqui ocorrerá a aventura do(a) pirata Edmure de Rivia . A qual não possui narrador definido.


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Wing
Pirata
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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptyQua 27 Mar 2019, 16:07



O Miasma da Quimera
Edmure de Rivia

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Eu novamente agraciava àqueles coitados com as doses fartas da minha cortesia, ainda que as miscigenasse no veneno que escondia ao fundo da taça, e outra vez os seus narizes se empinavam; as suas línguas também retrucavam, e as sentenças mordiscavam-me à alma como o fio de um machado ou de um punhal em carne viva. Rolei os olhos cerrados em fúria sobre o comandante, enquanto os lábios lhe dançavam pelo rosto; a mim, a dança parecia ser regida por canções cujos acordes soavam loucura. Mas que seguisse em sua insânia, a minha valsa era uma outra. Era a vista, deslizando através da silhueta vacilante com que cerceava Ciri aos tremeliques. Meu corpo podia estar em frangalhos, mas com o tempo e os cuidados certos o remendaria. Quanto à vontade daquele pantomimeiro, eu bem sabia havia a quebrado no instante em que as fuças dos seus homens encontraram com o chão. O seu teatro era escrito sobre o desespero, e a insolência com que auferia a minha morte era pouco obstante aos maus lençóis em que o deixei.

Havia visto a confiança nos olhos de Ciri, e já sabia que a meninota aguentaria o tranco. Não havia bem um porquê de abreviar-me e empreitar, não com a espada deste cão encurralado a dois dedais da sua garganta. Se desse um mero passo em falso ou recorresse às minhas armas, eu a teria guiado de Ilusia para a morte. Esta não é uma terra de heróis, nem uma estória em que os tinteiros pintam feitos surreais e dignos de fantasia. Mas o poder não mora só na ponta da espada; eu o trazia sob a língua, em torno dos olhos, sob os nós de cada dedo e um punhado em cada bolso do casaco. Trazia muito com que admirar este canalha, e ainda mais a angariar em cada uma das conquistas. 

Que os pés levassem-me, quase aos tropeços, a um meio-termo entre os cadáveres às minhas costas, e ao marinheiro e sua refém. Quando estivesse afastado do miasma que traziam os defuntos, e afugentado do alcance da espada adversária, eu cairia sobre o traseiro. Os calcanhares brigariam com a terra maculada do farol, até que eu a afofasse e pudesse acomodar o rabo sobre alguns metros quadrados de terra batida. A perna esquerda dobrada em horizontal e também assentada, com as laterais da panturrilha ralando no chão. Quanto à direita, a manteria ainda em pé; o calcanhar sobre o terreno e o joelho, já semi-flexionado, aprochegado para com o tronco, trazendo a coxa em que haviam me talhado ao alcance dos dedos da destra. Reconheci que nesta aqui as coisas se agravavam.

Queres saber de uma coisa? —  Indagaria na retórica. Lábios curvados sob o negro e a vista desviando de Cirilla às minhas pernas. Não voltaria a dar ao homem o prazer de me encarar nos olhos. — Te contradisse na primeira das tuas sentenças. — Atenuaria ao sorriso com os dentes se agitando por detrás do beiço cor de piche. E o tom sereno; sereno como o ralhar de folhas sobre o gramado numa tarde de outono. Como bandeiras tremulando pela brisa; como o conselho de alguém mais sapiente. Mas escondendo o veneno que me era devido. — Não se espera que um capacho marinheiro faça festa sobre os cabos gêmeos. O que farão, como dissestes, é desonrá-lo. Terás a falha nas tuas costas, mas uma vida ainda longeva com que preencher este vazio. — Eu correria minha destra aos alforjes; de lá traria meus medicinais, e a pochete em que armazenava outros utensílios. — Tu não terás o mesmo luxo se continuar tomado por loucura e projetar sobre os teus olhos nada além do nosso fim. O que terás é um pouco dos dois: desonra e morte. — Retiraria, de um dos engradados, um quarto de todo o álcool isopropílico que ainda me restasse; metade disso sobre as mãos, lavando o sangue e as esterilizando, e a outra parcela sobre o corte que me afligia à perna. Com as mãos livres, uma vez que resguardasse o álcool, empunharia a agulha e passaria a linha de sutura sobre a fenda em sua cabeça, a fixando através de um nó.

Te interessa o porquê?! — Interessasse-o ou não, pouco importava. É minha língua quem comanda. E seguiria por tratar dos meus remendos. Se o soldado navegava pelos mares da insanidade, o alvinegro que vos fala também o fará. — Porque assim que brandires a tua espada contra a menina, eu passarei tua goela pela minha. — Perfuraria uma das extremidades da pele rompida e puxaria pela agulha, até que a linha percorresse todo o corte, e a ponta do instrumento tornasse a furar-me pele e estreitar o talho. — Remendarei qualquer desgraça que fizeres contra ela, bem como agora eu remendo os corolários de lutar contra os teus homens. Se a matasse, o que faria é tomar vida inocente; a meninota nem sequer tem recompensas por sua cabeça. — Repetiria o processo por todo o flagelo, até que visse a sutura já por feita. — Mas te garanto que Ciri de Rivia viverá. E o teu corpo, eu exporei como um troféu, sobre a carranca do navio que o teu capacho mencionaste. O teu aroma aflorará por nossa embarcação, mares adentro, até que os corvos te devorem e não reste mais que ossos. — Medicinais, linha e tudo o que visse por resto de volta à pochete; esta última eu voltaria ao conforto dos alforjes. — Desonra e Morte. — Cabeça adentro a fúria fervilhava, mas sobre as mãos e no semblante o que dispus foi calmaria. Mesmo em desgraça e com Cirilla em suas garras, estava acima do canalha e que tomasse nota disso. Toda a cena era uma amostra de desdém.

Restava ver como é que o homem teceria a sua réplica.




Observações Referentes ao Turno:
 

Objetivos, Ficha, NPC & Histórico:
 


Última edição por Wing em Qua 10 Abr 2019, 13:33, editado 3 vez(es) (Razão : Correção ortográfica.)
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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptyQui 28 Mar 2019, 10:22

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FAROL - 05



Herois ou vilões, isso não existe na Grand Line, a partir do momento que pisa seus pés na primeira metade da rota dos Piratas, tudo que faz e para você ou para seus aliados, entre a cruz e a espada estava agora o recém capitão da Quimera, o sangue escorria pela sua bochecha e se misturava nas rachaduras enegrecidas da sua pele, era uma aspecto horrendo, para piorar, ou no caso melhorar, depende do ponto de vista, estava outro jovem com seu pet bestial ao lado pronto para saciar a fome do seu Lobo gigante, ao fundo, os quatro subordinados do rapaz cuidavam do Marinheiro sem dedos, que chorava e rezava para sair dali com vida.


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A frente de Edmure seu maior desafio até agora? Não sabe dizer o que este pirata já passou, mas com certeza era um dilema complicado o bastante para ser levado a sério. Há poucos passos estava a adaga metálica cravada no solo pedroso, o sol refletia na lâmina, o calor estava aumentado devido a posição do sol sobre as cabeças dos homens e mulheres ali envolvidos. O pirata então fazia algo inesperado, ignorava completamente a contraproposta e sentava ao solo, levantando poeira no local, sacava algo do seu bolso e começava a fazer algum tratamento em seu ferimento na parte posterior da perna direita.

O espadachim então começava de novo sua negociação arriscada, já que qualquer erro a lamina da espada inimiga passaria pela garganta da sua beça irmã, mas sua postura mesmo sentada era de alguém confiante e corajoso, sua aliada, sua companheira, sua irmã confiava que sairia dali de algum modo, seu olhar era firme, até um pequeno sorriso aparecia no canto dos seus lábios ao ver seu irmão se sentar ao solo.

Todos os presentes agora prestava atenção no homem que vestia negro, inclusive seu algoz que suava bem mais que antes, seu cabelo loiro estava grudado em sua testa, a cada palavra dita por Edmure sua feição se retraia e cada vez mais se retraia, seus dentes fechavam e rangiam pela força exercida, seu punho apertava o cabo da espada, é a gota final foram duas palavras: Desonra e Morte. Isso foi o gatilho para a raiva estourar – CALA BOCA SUA ESCORIA, EU SOU HONRADO O BASTANTE PARA VIR AQUI TE MATAR, EU SOU DOURTAS, GRAVE ESS ESSE NOME – empurrando um pouco a menina para frente, o marinheiro levantava sua espada pronto para dar um corte em seu peito, mas algo aconteceu.

Ao ouvir que a mulher não tinha uma recompensa pela cabeça e que era inocente, Dourtas vacilou, seus olhso trêmulos encararam a menina a sua frente – O que eu estou fazendo? – o sujeito mudava de postura, abaixava sua espada e com sua mão livre limpava o suor do seu rosto, não sabia o que se passava na cabeça daquele homem, mas ele estava num dilema moral ou alguma lembrança traumática o assolava -AHHHHH! – gritava desesperado, enquanto a saliva escorria pelo canto da sua boca, arrancava sua capa e deixava a mostra seu uniforme da Marinha, branco e azul, se destacava no meio daquela imundice de poeira, sangue e morte.

- EU NÃO SEREI INTIMIDADO POR UM MERDA COMO VOCÊ – dizia o loiro que empurrava com força Cirilla para fora do seu caminho e avançava com velocidade contra Edmure, que tinha cerca de 10 segundos para pensar em algo, ou seria atingido por algum golpe, doravante, mesmo curando um dos seus ferimentos, tinha outros piores como o sangramento em sua costa, sentia sua visão meio embaçada e seu corpo mais pesado, o calor já não o atingia como antes, se colocasse sua mão sobre sua testa, veria que uma febre tomava conta do seu corpo, agora teria um problema maior, se perecesse ali, toda sua tripulação provavelmente seria presa ou virariam escravos.



Dicas e Observações:
 

Ferimentos:
 

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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptyQui 28 Mar 2019, 19:38



O Miasma da Quimera
Edmure de Rivia

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Pavoneava outra vez sobre honrarias e as conquistas que traria pelo sangue, o comandante do manto esmeralda, mas o que eu via eram os resquícios de um homem quebrado. Mesmo entre a escória marinheira e sua ralé, haviam homens carregando mais dignidade que este aqui. Alguns movidos pela gana e o desprezo, como os patifes que pus na sola da bota nas alturas de Yakira Town. Outros por ódio, revolta em desfavor do mundo e também pelo furor que sobe o sangue quando valsas em batalha; este aqui era Sargento Tom, sua couraça de carne e ossos de titânio, e os calcanhares de gigante, que acabei por lacerar noite adentro na área portuária da maldita Ilusia Kingdom. Os mais ousados o faziam por prazer. Pelo deleite que julguei sentirem quando punham balas na cabeça de corsários como eu; Tenente John e os seus projéteis, trespassando o peito de uma inocente quando alvejavam a mim, que o digam. Estes aqui eu entendia como às linhas que trazia na palma da mão. Que há de haver de bom no mundo além de uma enxurrada de prazer? Ver o soldado soltando Cirilla e finalmente alvejando o homem certo era um relicário disso. Mas diferente doutros marinheiros que merecem linhas na minha história, o combustível que movia Dourtas era o medo. Todos aqueles com impulsos de maior nobreza facejaram-me a espada. Um cafajeste que se esgoela e age pelos seus anseios não há de ser exceção.

Quando te avançam com o aço, é com o aço que respondes. E é assim que viria o revide, não fosse a casca absente de vitalidade em que os flagelos do combate me tornaram. A minha destra eu já submetia aos instintos de batalha, quando o vi prestes a avançar. Mas uma vez que pus os olhos a correrem pelo horizonte, em seu garimpo pela espada, senti a torpe sensação de náusea e vi a terra duplicar-se ao meu entorno. Era um tornado me envolvendo e se tornando em barreira para a interpretação do mundo; eu já não via mais imagens, via borrões, vislumbres tortos e a luz que se amotinava no ambiente era a de lusco-fusco.

Nem bem sabia quanto tempo havia se passado desde que os meus pés se assentaram sobre a terra do farol. Nesta altura, era noite ou dia? Outra resposta que não tinha. Com tantas fendas quanto as que carregava pelo corpo, e tanto sangue quanto o que perdi, tu já não bates lá tão bem da tua cabeça. Mas algo de que já sabia era o nome com que a vida abençoou ao soldado esmeralda. Isto era bom. A cada morte pilhas um bocado de poder, e o poder que tu nomeia e prestigia é maior que aquele marginalizado. Que eu saiba o nome de todo o homem que passar pela espada. — Dourtas. — Sussurraria cada sílaba do seu, pela altura do segundo inicial da empreitada. Mais assobio que sentença; o de um falcão com uma das asas flagelada, ou de uma cobra recorrendo à última gota de veneno.

Se mal podia correr a mão de batalha até a empunhadura sem que a realidade se dobrasse defronte aos olhos, quem o dirá brandi-la e ir à luta. O meu poder, eu canalizo em um mundaréu de formas diferentes; choque de espadas, a esgrima e o escudo protegendo-te ao flanco era só uma entre várias. E ainda que alma ansiasse por mais um acorde de batalha, o corpo não a acompanhava. Não até que eu remendasse as feridas e enxaguasse o sangue quente, parte fresco e parte seco, que manchava-me as costas. Manter-me inerte também pouco remediaria. Não. Se quer-me morto, o caro Dourtas, eu hei de arquitetar a cena perante os seus olhos, mas será uma em que há veracidade: quando morrer, farei-o às custas das minhas próprias mãos, para que sinta o poder que eu carrego vertendo junto da vida até que bata o coração uma última vez.

E voltaria a pisar sobre os calcanhares. Pés caminhando sobre a terra batida, as pernas bambas e um tanto tremulantes, tudo à conta da fadiga que acrescia, e a coluna tão ereta quanto o possível, para estreitar o corte às costas e evitar que se agravasse. Cada passada acompanhada por uma ou duas bufadas; eram os pulmões compensando o sangue perdido através da inspiração já ofegante. Eu bem sabia que em mais alguns instantes este esforço tornar-se-ia vão, mas o semblante lhes dizia o contrário: beiço torcido em fungadelas que ilustravam o desprezo, olhos fitando o fio da adaga cravejada no terreno, e cada fresta pedregosa com que escamagris marcou-me a carranca, sendo tocada por um véu de sangue; um meio-morto, era como eu me julgava, mas impassivo e intimidante. Em vida plena ou enfermo, leões ainda são leões. Veloz como pudesse, o cambaleio eu tornaria num rastejo, prostrado fronte ao punhal com que o soldado há pouco brandiu sua sentença.

Então poria uma máscara sobre o alvinegro que pintava a carranca de pedra e a matraca cor de alcatrão. Uma fachada sepulcral e de submissão. "Que sejas firme e não um tolo." Traria o adágio na ponta da língua novamente, como se este tornasse o engolir do orgulho em algo mais fácil. Mas já o era. Quem se ajoelha há de erguer-se novamente; a espada numa das suas mãos e o escudo noutra. Os cavaleiros e os heróis cuja imagem não se dobra, permanecem mortos; as pernas rijas e todo o mais. Assim o fora com a dúzia de soldados que passei pela espada, e eu era um homem do empirismo. Não erraria como eles, não quando podia descer ambos calcanhares e tornar, posteriormente, a devotar-me à minha cruzada sustenido pelos pés.

E seguiria, brandindo a adaga com que eu traria a morte. — Toma de vez o que quereis, teu desgraçado. — Proferiria, agora em tom tão alto e claro quanto grave e retumbante. Olhos subindo no horizonte, e então os semicerraria sobre a empreitada do meu suposto algoz; carregariam todo o ódio e a agonia competentes a um homem com a corda no pescoço e a forca já acertada. — Deixa os meus e arreda teu pé daqui. — Cabo aninhado entre as duas mãos, avançaria a adaga num arco ascendente; a ponta pronta para esfaquear-me ao bucho, restava apenas dar a ordem e levar meus punhos, que tremiam como chamas confrontando o vento forte, a agir. Eu rolaria minha vista até Ciri e a perscrutaria com a face dividida em duas metades: numa haveria a solenidade e um esboço de tristeza, noutra nascia uma piscadela cheia de perigo, enquanto a margem dos meus lábios se curvasse no esboço de um sorriso natimorto. Queria que a meninota entendesse as artimanhas do primogênito, como fizera noutras vezes antes, e que os seus dotes de atriz me auxiliassem nesta peça. Já do contrário, se a inocência imperasse e ela não me compreendesse, que as emoções se aflorassem e fizessem seu trabalho, uma vez que assistisse o fim. Queixo descendo, agora rente ao terreno, e estava dado o meu adeus.

Como uma rocha despencando montanha abaixo, os punhos em que eu carregava pedra desgovernariam a adaga: descenderia em um trajeto antagônico ao do arco em que a ergui dantes. Dentes de mármore escuro projetados para fora da boca maldita, abocanhando a parte inferior do lábio em agonia; cabelos se esvoaçando ao vento, por todo o ímpeto com que acometia neste golpe, e os olhos se estatelando em horror como se a morte os tivesse maculado. Tu te enganas se acha mesmo que o fez.

Quando a adaga estivesse prestes a estocar a pele e remoer-me entranhas, eu torceria ambos os punhos de forma a fazer o gume, e não a ponta da adaga, facejar-me ao abdome. O que seria de outra forma a apunhalada que me sentencia ao fim, eu tornaria em um corte lateral, horizontal e raso, que estenderia do centro do abdome à sua lateral esquerda. O sangue ainda escorreria por detrás dos trapos brancos de tecido vagabundo que eu trazia sob o couro do casaco, mas os meus dotes para com a medicina e a destreza com que brandia a adaga me diziam que não seria fatal. Carne cortada, e talvez alguns milímetros de músculo, mas trataria de arrastar o talho através do centro do abdome, um pouco acima da aorta e nonde estava cônscio de que não haviam outras artérias. Estas minúcias eu esconderia por detrás de ambas as mãos, previamente acertadas no formato de uma concha, e também sob as abas laterais do sobretudo que abafariam a região do abdome conforme estendesse o corte e a coluna se arqueasse em paralelo. — Ugh. — E urraria, como se o sopro da morte estivesse prestes a me trespassar. Todos trejeitos mencionavam morte; também o sangue, que encharcaria a camisa ao escorrer do filete que estenderia ao invés da estocada.

Descravejando a adaga e a largando à deriva sobre o mar de corpos que se projetava às minhas costas, num último esforço, Ed de Rivia cairia. Um baque breve e pesado, com os olhos tesos sobre o seu carrasco e empoleirado no frescor daquela poça de sangue recém formada. Mas desta vez era o seu; e o pirata se tornando num com os defuntos que a própria espada originou. Tudo feito num só trovejo. A ti parece que uma era se passou, e disto sei porque assim também seria à minha perspectiva. Mas este mundo, nós criamos no intervalo em que o tirano avançava; o mérito era dos meus dotes acelerativos.

O que está morto não pode morrer, e é neste resto de razão em que residem as esperanças. Dourtas não tinha porque avançar contra um cadáver. Era o medo que o levava à deriva e eu julgava que este simulacro sepultaria o seu. Que o destino estivesse ao meu lado e me provasse certo, e neste caso correria minha vista até o monta-cães. Com um balanço do pescoço, lhe apontaria, com o queixo, o marinheiro desacorçoado — ou suas costas, se porventura desse-se por farto e decidisse escapar. A mão que antes trazia o punhal, eu correria à altura da cintura. Outra piscada, como a que dei à Cirilla, e um sorriso que ansiava por vingança. Que o seu bichano tratasse do resto.

Se em verdade Dourtas fosse um dos meus e preferisse confirmar a morte que orquestrei, então teria minha simpatia. Com o punho que eu previamente trouxe à cintura, já no alcance do meu cinturão, eu trataria de sacar outra adaga; não era a dele, e sim a minha. Tão cedo quanto adotasse a empunhadura invertida, fechando os dedos em torno do cabo e projetando o gume do mindinho em diante, eu cortaria os ares em sentido diagonal e ascendente — da minha destra à linha do ombro oposto. O que queria com o avanço era contrapor-lhe a espada com o choque de forças, em conjunturas nonde desferisse afrontas verticais ou diagonais. E trataria de aplicar este mesmo princípio se o soldado manejasse sua arma em talhos laterais, mas alternando o ângulo do gume de forma a espelhar meu corte com o dele.

Em qualquer um desses cenários, o intento era transpor-lhe a lâmina com o avanço da adaga, canalizando toda a força que pudesse, naquela postura desgarrada em que estava, pelo bloqueio que mais se assemelharia com um golpe. De últimos casos, nonde o dito bloqueio não fosse bastar, rastejaria em marcha ré sobre os joelhos e os cotovelos, já projetando a cabeça para trás enquanto o braço investisse os seus últimos esforços em ganhar-me tempo. O que importava era a obstinação de recuar o rosto para além da linha de alcance adversária.

No ricochete da sua espada — e presumindo que a bloqueasse, recuaria a adaga e a re-avançaria imediatamente, formando um corte lateral e horizontal de uma canela até a outra. E é ali que vinha a sua sentença. Traria a destra em marcha ré e aninharia a empunhadura na linha do peito, criando impulso para uma estocada ascendente em que, com o avanço do braço e dos ombros por detrás da adaga, esfaquearia suas bolas — como de praxe o antebraço firme e a empunhadura rija em torno do cabo, sem abrir brecha para as torções. Não era lá uma pena assim tão severa; o desgraçado já perdeu os seus culhões há muito tempo.




Avaliador — IMPORTANTE:
 

Observações Referentes ao Turno:
 

Objetivos, Ficha, NPC & Histórico:
 

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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptySex 29 Mar 2019, 11:52

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FAROL - 06



Dourtas avançava aos gritos e com sua espada erguida pronto para matar ou morrer, a sua frente seu algoz, um pirata destemido com uma doença rara que em conjuntos com os ferimentos atuais lhe davam um aspecto cadavérico. Ao lado, com o rosto vermelho e a roupa negra agora suja com poeira, sua irmã mais nova Cirilla, que olhava com atenção qual seria o movimento do seu capitão, do seu farol, do seu irmão.

Edmure se levantava, seu corpo cambaleava para frente e para trás como se estivesse embriagado, mas o fato era que havia perdido muito sangue e agora já sentia as consequências da brutal batalha, seu cabelo agora grudava em seu rosto pelo suor e sangue que ali continha, sua pele rachada era iluminada pelo calor do sol a pico, um pouco atrás estava o jovem com seu lobo, observando tudo com seus braços cruzados, tentando entender quem ali sairia vivo.

O espadachim então pegava com dificuldade a adaga a sua frente, seus olhos negros se encontravam com o da sua irmã, não precisava palavras, cresceram juntos, conheciam muito bem um ao outro, bastou uma piscadela para que a garota concordasse com um aceno leve com a cabeça, já tirava uma mexa de cabelo que havia caído sobre seu rosto, ajeitando-o atrás da sua orelha. Segurando a adaga a frente do seu corpo, Edmure fazia o que lhe era pedido, suas palavras eram altas e perfeitamente audíveis, a ponto de do marinheiro parar seu avanço a poucos metros com um sorriso de satisfação no rosto.

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... "sua irmã no mesmo instante gritava"

Usando suas duas mãos segurava o cabo da adaga, apontando para a ponta afiada para sua barriga, o rapaz então empurrava o metal contra si, sua irmã no mesmo instante gritava – IRMÃOOO! NÃO!! – exclamava com um grito de desespero, colocava suas mãos sobre seu rosto e o cobria, lagrimas brotavam e rapidamente estava em soluços, o marinheiro arregalava os olhos, olhava para a menina e depois para o homem sangrando a sua frente – EU VENCI – não era uma exclamação, ele parecia surpreso com o resultado da batalha - EU VENCI HAHA – uma risada diabólica o tomava, embainhava novamente sua espada e se aproximava do corpo de Edmure.

Sua camisa branca estava colada em seu corpo, uma mancha rubra brotava e se espalha, olhando de cima estava Dourtas, vitorioso. Edmure caia aos seus pés, aparentemente sem vida – PIRATA IMUNDO – agora sim, com um tom de voz diferente e confiante, até mesmo a postura do marinheiro havia mudado, mas o mundo não e confiável, e durante sua loucura desenfreada, algo lhe passou despercebido.

Segundos antes da estocada de Edmure:

O Pirata sabia que seu estado atual não era dos melhores, o homem a sua frente lhe queria morto, por isso Edmure fez algo que muitos não teriam bolas para fazer. Usando sua maestria e estratégia olhava para sua irmã dando uma piscadela que rapidamente teve um retorno positivo, mas ainda faltava algo, antes de cair, seus olhos passaram e um sinal era dado ao jovem de cabelo espetado, que se assustava com a cena que via, descruzando seus braços, já apertava o pelo branco do seu lobo, ninguém entendia nada, mas o jovem sussurrava para si próprio – Ele tem culhões – já se agachava para ficar próximo da cabeça do animal, e aguardava a hora certa de agir.


Momento Atual:

O excesso de confiança pode ter um preço alto, e Dourtas saberia na pele isso, o sujeito não verificava se Edmure estava realmente morto de forma correta, o loiro se aproximava e dava uma bicuda leve no corpo a sua frente – Seu querido capitão está morto... – dizia sorrindo, enquanto isso Ciri não demonstrava realmente o que sentia, pois estava aos prantos.

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- Auuuuuuuuuuu – Era o som temido por muitos, antes mesmo de entender o que estava se passando, Dourtas sentia um peso em suas costas o jogando no chão pedroso do Farol – Que merda é essa?!? – tentando se virar em desespero, sentiu uma dor em sua costas, algo parecia estar o mordendo, e de novo, e de novo ..., até que não havia mais costas. O fato era que Edmure arquitetou um plano que havia se concretizado, seu sinal foi captado pelo garoto, que ao ver uma brecha mandou seu lobo atacar.

- Você me deve uma cara – dizia o garoto se aproximando do espadachim, virando seu corpo podia notar que havia realmente um corte próximo as costelas de Edmure, mesmo tendo um conhecimento sobre anatomia, seu corpo estava fraco e na hora do corte sua mão estava tremula, causando um ferimento mais profundo do que esperado, o pirata respirava com dificuldade, sentia sede e frio, o sol alto impedia e dificultava sua visão, e então  tudo ficou preto, a única voz que escutava era de Cirilla, mas não podia dizer o que a garota estava falando, tudo que se via era um grande corredor sem luz no final.




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Ferimentos:
 

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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptySex 29 Mar 2019, 19:07



O Miasma da Quimera
Edmure de Rivia

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Senti o aço trespassar-me pelas tripas e o calor febril da morte me envolvendo como um manto. Dourtas também tinha o seu, um aderente e cor de esmeralda, mas o meu era ainda mais quente, e o que o pintava era o sangue carmesim. Quando desci o queixo, nutrindo o ego em valentia para que encarasse de vez o estrago, eu constatei que o pincel era a adaga que em verdade se emaranhava em sua própria criação: talhei o corte à linha das costelas, quando em verdade alvejava alguns dedais abaixo. As mãos de pedra me serviram como pedregulhos escorrendo da vertente de um rochedo, no maldito tremelique com que agiram; ao menos foi o que julguei. Tu não maneja o fio de uma arma sem ter o controle dos nós dos teus dedos, e aquela fenda na costela há de tornar-se num lembrete disso. Mas eu também me alembraria de que poucas eram as escolhas; a sua adaga e uma sobrevida, ou a espada e a provável morte. Hei de trilhar em boa vontade o caminho com que, cedo ou tarde, possa tomar vias que levem-me ao poder. O fim não era uma delas.

Tombei sobre o peito enquanto os berros de Cirilla harmonizavam os últimos acordes desta sinfonia de mentiras, só para ver as arapucas que os meus feitos escreveram tomar forma, afora do manto de sangue em que eu me aninhava. Era uma faca de dois gumes: num a conquista que eu teria e noutro a vida do soldado Dourtas.

Que é que dizia, o desgraçado? Não entendia e pouco importava. Qualquer lorota que saísse da sua boca em diante era irrelevante, como a dos cães que ladram e não mordem. O meu papel eu já havia feito, e as consequências abarcavam o desfecho daquela peleja. O que a vitória trazia nas mãos era o teatro que conjecturei, eram os trejeitos à que eu dei vida e também caninos de um lobo albino, sob a ordem do bendito monta-cães, que pareciam recrutar aos molares do soldado a rangerem, vez que este aqui grunhia em agonia e dor. Que ele perdesse nos seus últimos instantes tanto sangue, e ainda mais, do que perdi no decorrer daquela zanga em que tomei a vida dos onze capachos. Seu fim tecia uma dúzia; sorri de canto enquanto o mundo se desalinhava, defronte dos olhos, como novelos de lã em seu desenlace, e num desejo rancoroso esperei que ele soubesse disso. Me escaparam os sentidos até que restasse dor, borrões cruzando o horizonte e sussurros que jurei virem direto dos confins do inferno. Então o breu da inconsciência, e nada além.

O véu do sono me envolveu.

Abri uma fresta por entre as pálpebras quando a pele enrugou-se no primeiro toque caloroso da luz da manhã. A vista turva, como quando a consciência se esvaiu e eu me dei por meio-morto. Mas neste homem que era um com os lençóis de linho e as mantas de cetim que lhe adornam a cama, não havia dor; não havia nem sangue e tampouco os retalhos de batalha que se espera ver, vez que tu brincas com a morte. O que me fez arregalar aos olhos e cuspir uma lufada de ar quente, já desbocado e prestes a prostrar-me em incredulidade, era a textura com que aquela vida me marcava a pele: alva tal qual a de um recém-nascido, e tão suave ao toque quanto nuvens de algodão. Não me afligiam os estalos e a pedregosidade da escamagris. Quando desci os olhos à altura do meu tronco, pouco havia além da carne, da pelugem que aquecia ao peito e dos gomos se avolumando por detrás das paredes do abdome, pois duro como uma tábua o esforço era de pôr-me em pé. Nonde é que estava e donde é que vim? Toda a cruzada, de Yakira aos Cabos Gêmeos, é que havia sido um sonho?

Eu manobrei os pés por entre a desordem até que cessasse-os lavabo adentro. Segui por salpicar ao rosto nas merrecas d'água que restaram na abertura côncava da pia e ergui o queixo, fronte o espelho. Havia um rosto nonde antes era a carranca de pedra. Tinha dezoito novamente, e a sombra de uma barba alinhava a mandíbula estreita; alguns cabelos por aqui e acolá, como os rapazes afloram na puberdade, mas nesta altura era o bastante e ostentava-a como hoje eu pavoneio o negro da minha bandeira. Elsa esgueirou sua cabeça pela fresta da porta entreaberta e chamou pelo meu nome. Como podia, afinal? A velha estava a sete palmos, à custa de um projétil marinheiro, e viveu como a servente de um bando de ingratos. — É dada a hora, senhor Ed. Vais te atrasar. — Anunciava. — Vosso café já está pronto e os marujos te esperam no porto. É bom que desças. — Senti uma dose inesperada de satisfação, ouvindo um pouco da velhota novamente, e acatei-o, quarto afora e descendo a escadaria aos tropicões; nem bem sabia o porquê.

Sentei-me à mesa, à companhia dos de Rivia rejuvenescidos no que apostaria ser mais que uma só década. Os pais ralhando entre si por qualquer besteirol, e os meus caçulas se servindo de torradas com manteiga, papas de aveia, sucos de laranja fresca e tigelas de mirtilo. Todos rapazes, mas nenhuma Ciri. — Te apressa logo, Edmure. — Pai auferia a ansiedade, enquanto ambos deixavam a mesa às pressas. — Tens meia hora até que a balsa saia, rumando Las Camp. Quero que olhe-os de cima e mostre quem tu és.Quero que olhe-os de cima e mostre quem tu és. Me alembrava da sentença que trazia ecos consigo ao final dos seus dizeres; o que eu via era o primeiro dia em que pus os pés na universidade. Tratei do meu, enchi o bucho e arredei o pé da mesa. Tudo nos moldes deste santo dia.

Ousei cruzar por entre uma das saídas da porta de folha dupla, e o passado estremeceu-me como um fantasma: vi as mulheres com que eu deitei, e as donzelas que sangrei naquela altura, quando a doença ainda não tornara ao rosto em uma ruína. Também Las Camp e a maldita academia nonde me esgoelaram com a medicina; de nada teria esta aqui servido, não fossem os talhos que angariei em cada uma das minhas batalhas. Então o vinho, o destilado, o rum amargo e os engradados de bebida pura, à companhia de um trio de meretrizes desgarradas e petiscos com que os almofadinhas compõem suas mesas. Eu vi Cirilla me arrastando afora das noitadas, em seus esforços para que dormisse em casa e não nas vielas sombrias da soturna Ilusia Kingdom; tudo regado pelo aroma que traz álcool, bem como pelo com que o azedo do meu vômito perfuma aos ares. Era outra vida, uma em que os meus prazeres limitavam-se aos carnais, em que a espada ainda não deleita tanto quanto o vinho e as noites de prazer; em que eu ainda não era guiado pelo anseio de poder. Lado errado.

Retrocedi duas passadas, já assombrado e engolindo em seco, e optei por outra maçaneta. Senti foi tudo em um baque só: primeiro veio escamagris, mas desta vez me consumindo célere, como fariam vermes que lhe escalam a pele até te bordejarem os olhos. Ela escreveu o fim daquela outra vida, e o que emerge no lugar é um de Rivia que trouxe às costas sua devoção. Um homem duro como pedra; um que sentia os regozijos do hedonismo de outrora em nada além dos testemunhos de poder. Com isso segue todo o resto. Cada porrada, corte e flagelo; cada vitória, derrota e os empates, com que eu pouco contentava. Todas as vidas que eu tomei e todas vezes em que homens atentaram contra a minha. Eu vi Yakira, vi a batalha em alto mar à companhia de Henri, Aigle e de Ahab, o titã. Nisto seguiram os vislumbres de Ilusia, as traições e os cinquenta e tantos archotes que a hoste de Tenente John trouxa à cola, até o cais. Vi a Quimera e os meus tripulantes, e a montanha de defuntos que erguemos no farol. Isto é o que eu vejo por prazer.

Então os olhos projetaram a realidade: manhã de outono na cidade e o quintal do meu vinhedo pintado nas cores que trouxe a natureza. Sob o arvoredo onde Henri e eu bebemos, ainda antes de nos esgueirarmos para além dessa mansão, se alevantavam espigões com as cabeças de todos homens de arma que já tive. Os três rapazes e entre eles o homem-gato, também Tobias e os seus. Nem mesmo Ciri era exceção. Às suas costas, jazia a Quimera, com as três cabeças já desengonçadas e de línguas para fora; por esta aqui foi que eu mais senti. Quando sentei o sebo nas canelas e almejei correr algumas jardas ao socorro, o chão desfez-se sob os meus pés. Era o breu que até aqui havia me trazido, e a desgraça que há pouco assisti, enegrecendo, enquanto um vasto — não, um imensurável abismo negro a envolvia. Se existem deuses, estes me deram outra chance, para que hasteie a Quimera e que as cabeças sobre aqueles espigões sejam de homens que ameacem meu poder.

Despertaria num só sobressalto; olhos rolando dum canto ao outro à procura dos meus.




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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptySeg 01 Abr 2019, 10:30

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FAROL - 07



O Sol já havia se posto e o frio começava a crescer no Farol, as ondas ficavam maiores e se chocavam contra o rochedo, um barulho constante quase como um musical. Se misturando nesse aspecto, tinha o grunhir das gaivotas que se lutavam por espaço contra os corvos, que tinham comida para alguns dias logo na entrada dos Cabos Gêmeos. Agora os Piratas da Quimera se encontravam dentro de uma caverna pequena e apertada, cheia de tralhas e caixotes, no meio dela uma fogueira com um caldeirão fervendo algo cheiroso.

Na caverna ouvia-se risadas e vozes desconhecidas, foi nesse embaraço que Edmure acordou num salto, seu rosto estava coberto por suor, seu cabelo grudado em sua testa – Ed ... – a voz era doce e conhecida, olhando para o lado podia notar que se tratava de sua irmã mais nova que segurava uma de suas mãos. A menina estava com a feição cansada e os olhos levemente marejados, resquícios de um choro talvez.

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Dentro da caverna a sensação era agradável, o cheiro de comida tomava conta do local de forma apetitosa. Em volta da fogueira tinha 6 pessoas e 1 animal, que levantava as orelhas ao ouvir uma voz desconhecida para ele. Edmure podia notar que havia curativos pelo seu corpo e no seu rosto uma pasta fedorenta de coloração marron, mas nos demais, era uma pasta mucosa com cheiro de ervas, o rapaz estava sem camisa, uma coberta suja cobria suas pernas.

Caso se levante, podia notar que na roda da fogueira estava o seu salvador tomando uma caneca de cerveja, em volta dele, quatro sujeitos comuns, vestiam roupas pretas e tinham uma aparência que em nada chamava atenção, contudo, um outro que estava mais ao fundo, vestia uma capa preta desbotada, um longo cabelo branco amarelado caia em seus ombros, o homem tinha uma tigela em sua mão, e usava um amassador para quebrar algumas sementes ou algo parecido, em sua cabeça podia notar um par de chifres de algum animal, um cervo aparentemente.

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... Caso olhasse para a entrada da caverna, veria o céu azul marinho já quase negro.

Podia notar Tobio também deitado no meio de uns caixotes e uma bandeira pirata, um lobo branco com os dentes a mostra. Devia ser referência ao animal que estava deitado de barriga para cima perto do seu dono, em nada lembrava a fera bestial de antes. Caso olhasse para a entrada da caverna, veria o céu azul marinho já quase negro.



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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptySeg 01 Abr 2019, 15:39



O Miasma da Quimera
Edmure de Rivia

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Desvaneceram-se os sonhos e dei minha vista por entreaberta. As pálpebras penando no seu desvencilho, depois do que julguei ter sido toda uma tarde sono adentro. Sentia o peso sobre e ao redor dos olhos, e as pestanas rameladas caindo sob o sobrolho como galhos que se torcem pelo peso do seu fruto. Então a luz pulsante que nos trouxe o fogo acabou por invadir-me às cavernas em que escondia os olhos; eu os abri para além do negrume que me amortalhava na inconsciência, só para ver-me num outro covil. Não era lá tão ruim quanto o cenário em que findou o sonho. Também não era agradável como o colo e os seios de rameiras, o vinho tinto, especiarias e a intimidade num bordel. Mas beberia do prazer quando o fosse devido; eu, todo o ouro que angariasse e tantas rameiras quanto pudesse pagar. Por hora era a realidade crua, e o corpo se umedecendo no aparente refugio em que tornaram a gruta.

Senti o toque quente e quase materno de Cirilla sobre o rochedo calejado em que tornava-se a canhota, depois das longas batalhas, e deixei que me envolvesse. Era mais quente que a fogueira crepitando ao centro da estranha cúpula formada ao meu redor, e era macio como a lã de um carneiro. Este é o poder que mulheres trazem consigo, e aos meus olhos, Ciri envolvia o seu no véu do amor. Só o tornava ainda mais forte e envolvente. — Cirilla. — Poria à prova a voz que eu julgava estar aos trapos, depois de tanto urrar por guerra e tagarelar. — Isto aqui não foi de nada. — E seguiria em retrospectiva aos olhos bordejados por tristeza que eu vi. — Eu matarei todo o homem que ousar tocar-te. — Daria voz em um tom matutino, enrouquecido e catarrento. Se os olhos dela e suas mãos traziam fogo e calor, os meus trariam ventos frios e tempestade, mas abriria um sorriso fraternal e deixaria um beijo negro nas suas bochechas couradas, antes de dar-me por farto desta conversa. — Fizeste bem. — Concederia o seu mérito na última sentença; não era um mimo, e sim a sinceridade. Havia posto os outros homens sob a sola da bota, desde Tobias a Pierre e de Félin, e que tratasse de reconhecê-lo.

Eu correria a vista através da fogueira; os meus pulmões arquejando afim de tomar posse do ar que haviam perdido. Arquearia a coluna em ascendente; ambas as mãos sobre a superfície em que me emaranhava e exercendo pressão para que eu me erguesse vagarosamente. É nessa altura que o punhal da dor me lamberia com seu gume frio e desdenhoso, e disto eu já bem sabia. Nódoas negras e roxões sobre o ombro que havia deslocado, e em cada canto nonde houve uma pancada. A sensação de uma ferida sepultada nonde antes os cortes se encontravam entreabertos, e no terreno pedregoso da carranca que eu tão bem conhecia, uma infamiliaridade: era a marca do flagelo que eu negligenciei; um talho vasto, ainda que raso, tecendo ao rosto e trazendo o caos por entre as frestas de escamagris. O tocaria e trataria de me conformar, sem mais lamúrias ou rodeios. Já pelejei com a cabeça o bastante, quando a doença me marcou como calcário ao corpo todo. Marcas trazidas pela guerra e que denotam o poder eram presentes, se comparadas às demais. Dando meu máximo para deixar de lado aquelas dores mal dormidas e todas lesões veladas, eu me poria sobre os calcanhares. Olhos perenes sobre aqueles cerceando as chamas.  

Ciri era sim o que havia de mais importante entre os meus tripulantes, mas eu teria de tratar dos que restassem e mostrá-los a convicção. Era assim que enxergava a capitania; mantém lustrosos todos teus peões, e o seu lustre há de brilhar ao teu favor, hora ou outra. Os lustraria com poder. — Onde é que foram os demais?! — Indagaria no rompante, trazendo em conta que até então a vista abarcara só Cirilla, o monta-cães e os seus capangas. Quando os olhos terminassem de varrer os meus entornos, seguiria. — Pierre, de Félin e o soldado que há de contar nossa história. Por que é que escapam-me aos olhos? Não fora nossa a vitória?! — O último terço da sentença era retórico, mas todo o resto era sincero e me concernia. Eu trataria de encontrar o assento mais próximo, e na provável ausência de um, descansaria o traseiro sobre o terreno.

Com os ouvidos suplicando por retruque, me absteria de dar voz até que os homens replicassem, mas minha vista eu poria sobre a caldeira que assentavam como um fogareiro. Numa fungada temerosa e selvagem, eu deixaria que o aroma do alimento me subisse narinas acima. Havia tido meu banquete na manhã do sonho, mas esta fibra sonolenta não sustenta e o bucho já grunhia por socorro, esfomeado e tão dolorido quanto qualquer outro corte ou pancada. Projetaria minhas mãos até a caldeira; a destra em busca de uma tigela, e a canhota envolvendo o cabo da concha com que os demais tivessem pego sua porção. — Se importam? — Murmuraria, à sombra da voz vigente e predisposta a responder o que a pouco pleiteei, quanto ao paradeiro dos demais. E seguiria por servir-me algumas fartas conchas do guisado que haviam preparado, fossem quais fossem suas réplicas. A cortesia era só um costume almofadinha, um que por vez ou outra eu acabava por não evitar; mas o que vinha em conseguinte não era obstante ao jeito nobre: eu desceria o caldo pela goela com a gana de um bebum quando devora os seus litros incontáveis de bebida.

Quando tratassem de prestar-me conta quanto aos outros componentes da Quimera, eu agiria de acordo; restava ver se o que o rosto estamparia era alívio, ou se os olhos, transtornados, entregariam tanta incandescência quanto o fogo que dançava ao nosso centro. — E a que é que devo? — Pois seguiria, já por tratar do meu futuro e deixando o passado esvoaçar às costas, como uma capa tendo seu nó desatado. O tempo é escasso e é o bote em que veleja o poder. — A que é que devo vossa cortesia? — A vista antes sinuosa e oscilante, como os olhos curiosos de um filhote, agora se assentaria sobre o monta-cães. Olhos frios como geadas, e a mordida estreitada sob os lábios, dando um aspecto ainda mais alinhado e cadavérico ao rosto, à sombra da luz crepitante que a fogueira provinha ao ambiente. — Não acredito na nobreza dos contos de fadas, e ainda menos no altruísmo que dizem os homens carregar no peito. Nós somos todos um bando de crápulas. — De cada uma das extremidades do meu beiço nasceria um sorriso lascivo e negro; um que dizia ainda mais que as feições ou que meus olhos. Um que diria que Ed de Rivia não é tolo. — Então me dizeis... — Subiria a vista estreita como o fio de um punhal, dando a melhor das encaradas que encontrasse em meu acervo ao monta-cães. "Não me abusa da boa vontade." — É o que auferia na cabeça, e o que os olhos transmitiam à interpretação de um homem são. — Quem são vocês, qual é o preço que vos cobram pela cortesia, e como é que arredaremos nosso pé daqui até a Grand Line? — Havia visto a bandeira empoleirada junto de Tobias, e bem sabia que tudo trazem as benditas Jolly Roger exige retribuição. Ainda que eu é que esteja atrelado a ele, e seja meu o fardo de o perseguir e carregá-lo, os outros homens também anseiam poder. Esta é a terra nonde impera a pirataria; se há no mundo um cafundó em que a dita regra não tem exceção, é no farol dos cabos gêmeos.




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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptyTer 02 Abr 2019, 11:25

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FAROL - 08



A troca de olhares entres os irmãos era verdadeiro, Edmure balbuciava para Cirilla que sorria timidamente e enxugava uma lagrima que brotou no canto do seu olho – Seu tolo, não faça aquilo novamente – sorria por fim sabendo que poderia ser pior. O batismo da Grand Line já havia sido feito e o capitão da quimera havia passado com êxito, havia perdido muito, mas ganhou a liberdade, é isso bastava.

Ao respirar um pouco mais fundo, sentia uma pontada em sua barriga, se levantasse a coberta veria o local onde o próprio pirata havia o cortado, ali tinha uma pasta enegrecida sobre o local, era como uma cera. Erguendo seu corpo pesado pelo cansaço, o escudeiro já varria o local com seus olhos frios, a pergunta feia por Edmure era óbvia, faltava alguns companheiros seu ali – Eles saíram para procurar algo – dava de ombros a garota antes de ficar de pé para ajudar seu irmão a caminhar, caso fosse preciso.

Caminhando com dificuldade até onde os demais estavam, o pirata colocava suas mãos sobre a caldeira, sentia o calor que dali emanava, aquecia os nós dos seus dedos e o cheiro de ensopado enchia seus pulmões e rejuvenescia sua força. Pedia licença para sentar, ganhando um aceno positivo pelo garoto que lhe ajudara, este estava com uma tigela nas mãos e comia o que havia dentro, não tinha educação, comia como se fosse um selvagem, lambia os dedos e tomava o caldo da sopa na borda da vasilha, mas ninguém parecia se importar e seus subordinados faziam o mesmo.

- Pode comer cara – apontava para um amontoado no canto onde havia um prato fundo, ali Edmure pegou e encheu uma concha com a sopa e colocou no prato, podia notar que a sopa estava grossa e tinha pedaços de carne, o cheiro era ótimo, mas a aparência nem tanto. Ao tomar o liquido sentia ele percorrer todo seu interior aquecendo por dentro, dando energia que lhe faltava, sua irmã repetia o irmão, mas sua etiqueta a impedia de comer como aqueles homens.

Sentados em torno da fogueira, sentia o calor entrando pela pele e aquecendo a alma, o estalar dos galhos secos e as fagulhas de brasas se espalhavam pelo ar se perdendo na imensidão da noite, ao fundo o velho estava ocupado, falava algumas palavras desconhecidas e passava uma pasta nos dedos do marinheiro, que fechava seus dentes e suava como um porco, mas não gritava, sabia que se deixasse como estava, a mão iria necrosar e logo perderia o braço, um dedos pela vida era uma boa troca.

A sopa estava boa, mas tinha algo maior a ser tratado, em meio a colheradas Edmure perguntava aquilo que todos queriam saber – hahaha, você é bem direto cara – ria o garoto enquanto que seu lobo dormia ao seu lado, com o pelo novamente branco e belo – Termina a sopa ai, que a gente tem que conversar – falava o garoto com uma voz de juventude, mas era firme, seus companheiros contavam alguns casos entre eles e riam, e quando o fogo abaixou e a comida acabou, era hora de homens sentarem a mesa.

Edmure estava mais pálido que de costume, sua aparência já horrível agora estava pior, seu pele rachada era iluminada pela luz da fogueira que dançava aos pés dos rapazes, agora apenas o garoto e Edmure estavam sentados, Cirilla não havia dormido nenhum momento e estava deitada na cama onde seu irmão estava, os quatro rapazes foram para o fundo da caverna e se enrolavam em trapos, o velho mexia uma sacola onde tinha alguns ramos e folhas, cheirava umas e amassava as outras, sempre exclamando algo baixo, o seu paciente marinheiro roncava so seu lado como se não tivesse nenhuma preocupação na vida.

O Capitão da Quimera questionava quem eram as pessoas ali e o como iriam para a Grand line, curto e grosso, como deveria ser – Eu sou Robb, me chamam por “Lobo Branco” – dizia o garoto olhando nos olhos de Edmure – Venho do East Blue e na descida nosso barco ficou muito destruído e estamos aqui faz 5 dias – estralava suas costas ao se espreguiçar – Conseguimos salvar alguns mantimentos, mas não é o suficiente ... – continuava a falar, desta vez olhando para as chamas – O Cabo Gêmeos esta uma bagunça, homens sem rumo e sem vida tomam conta de lá, o que parece que o homem do Farol saiu e colocou todos suas coisas numa caverna protegida por um monstro – Robb olhava para Edmure, vendo qual seria a reação do homem.

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... Merlineo

- Eu tentei entrar lá, pois o único modo de sair e pegar algo que chamam de Log Pose, fica no fundo da caverna, eu tinha 9 subordinados, apenas eu e mais quatro estamos vivos – sua voz era mais triste nesse final, como se estivesse desapontado – Muitos tentam, mas todos falham, quando vi você chegando, pensei que poderíamos fazer uma aliança para passar pela besta e pegar o Log Pose, o que acha? – o ar uivava pela entrada e o frio na caverna aumentava, Robb esticava a mão direita rumo a Edmure, como se fosse selar o acordo - Aceite o desafio homem sem alma, vejo coragem suficiente em você para isso – a voz vinha da escuridão, era roca e grossa, uma tosse seca era ouvida em seguida – Me conte sobre sua doença depois, quem sabe minhas ervas pode ajudá-lo – era o velho que falava, seus dentes eram amarelos e sua pele enrugada – Esse é meu curandeiro, Merlineo – falava o jovem com um sorriso e ainda mantendo a mão esticada.



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Robb "O Lobo Branco:
 

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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptyTer 02 Abr 2019, 15:32



O Miasma da Quimera
Edmure de Rivia

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Ser direto ruiu delongas e nos desatou as máscaras. Robb já dava seu pleiteio, um cheio de ambiguidade e que, em acordo com o esperado, ele trazia por detrás dos seus favores. Sorri de canto e desejei que a vista se estreitasse para além do que já o fazia, sem que acabasse na escuridão; era a expressão de alguém que de fato sabia sobre a laia com que estava por lidar. Ao menos vi uma certa modéstia no preço que trouxe o rapazola, e varrer todos nossos homens para além dos cabos gêmeos era benefício mútuo. Voz nula e os olhos altos, lhe encarando a cada uma das linhas que escrevia em vossa história e na dos homens que trazia à sua cola. Lembrei de todos os rodeios pelo West Blue, e do recente náufrago em que afogamos o cisne-navio. Nosso passado em pouco se diferia, mas a Quimera voa alto e o seu nado é profundo, enquanto o lobo tem grilhões que lhe aterram sobre o chão. Meu estandarte brilharia sobre o dele, não havia mal em fazer uso dos seus homens e da fera para que seguíssemos adiante, Grand Line adentro. Nas terras mortas do farol, a minha dúzia de algozes já jazia à mercê dos corvos, frustrados na sua função. Não há mais nada que me prenda neste fim de mundo.

Enquanto Robb punha sua mão no fogo e esperava consentir com os punhos de pedra, eu vi o mundo se cadenciando ao meu redor. Eu vi Cirilla já a salvo, e descansando no seu leito quando antes o fazia na espada do soldado esmeralda. Vi o capacho deste último, e ao fundo da gruta lúgubre seus dedos recebendo o socorro à que eram devidos; para que conte a história. Tobias também não era exceção, e o saltimbanco maltrapilho já aninhava-se às sombras, de prontidão para saltar noutro dos malditos gracejos. Desci os olhos à linha do peito, e vi o talho suicida meio mundo mais selado que o acordo em que o lobo branco pretendia nos botar. Então corri a destra à intimidade do casaco, e trespassei os nós dos dedos pelo manto negro que ansiava por um mastro em que se hastear; o da Quimera. À parte de Pierre e do homem-gato, tudo estava em conformidade.

Quando acabei por decidir o afirmamento que viria em conseguinte, a voz do velho nos cruzou como um trovejo sobre o fogo, me iluminando as ideias e ruindo a inércia em que divagar me pôs. — Pois bem, Robb "Lobo Branco". — Ainda assim, era um malhete batendo a sentença duma causa que já havia sido resolvida. Os desafios me agradavam e a intriga ensandecia a alma.  — Teu curandeiro tens razão. — Traria cada extremidade dos dedos da destra à língua, lambendo o caldo com que os havia emaranhado pelos moldes desgarrados em que nós banqueteamos. — Não só coragem, tenho anseio. — Minha mão de pedra envolveria a palma de carne crua do rapaz. — Que quer que seja este Log Pose, nós trataremos dos detalhes quando a hora for devida. Poremos esta besta na sola da bota, e o farol às nossas costas. — Um aperto forte com meus dedos em torno dos dele, e um puxão para que os ombros se encontrassem e assinássemos o acordo.

É nesta altura, quando o ardor e o sangue quente de um dilema esmaecessem, que eu me daria conta das dores dormidas que ainda afligiam-me ao corpo, depois de tanto performar nos holofotes da batalha. Sentia as coxas por feitas em nós, as panturrilhas como se moídas por cabeças de martelos, e os calcanhares calejados e pesados como o casco de um jabuti. Ainda não era dada a hora de partir noutra peleja; não até que revigorasse-me e deixasse os flagelos para trás; para que os novos ocupassem seu espaço. — Dá-me algum tempo, ô Lobo Branco. — Pleitearia ao rapazola, já envolvendo as mãos em torno dos canos da bota e mencionando retirá-las. — Minha vontade ainda não vacila, mas a couraça era de pedra e agora me parece mais cascalho. — Descalçaria as botas e poria o par de meias dentro dos respectivos canos, já arriando as barras da calça e medindo esforços para levantar-me sem que as linhas dos remendos, que fizeram-me no bucho e nas costas, desatassem. — Devem haver algumas horas em que postergar nossa partida. — Faria uso de um dos encostos da cama em que Cirilla descansava como apoio, recostando o par de calçados e os deixando por lá.

Os pés já nus, sentindo o calor da caverna e a umidade que o ar quente haveria de trazer. Nem bem sabia quanto tempo havia desde que os descalcei; na minha cruzada, botas tinham tanta valia quanto a língua ou a adaga, e pés descalços são espadas na bainha e matracas costuradas. Ainda assim, eu deixaria estar; estávamos na calmaria que antecede ao caos, e mal algum faria um pouco de prazer. Meus dedos remoendo a terra e as panturrilhas se alongando, conforme dava cabo das cãibras correndo em vertentes pelas pernas.

Então eu as marearia para longe da fogueira, até que não sentisse mais o crepitar do fogo, e a escuridão que cerceava o curandeiro também envolvesse a mim. — Queres tratar-me, ó velho cervo? — Abordaria em tom alto, claro e grave. — Temo que vais frustrar-te nisto. — A voz trazendo consigo uma farta dose de deboche, pois já há muito eu via a verdade que ao velhote parece escapar. — Escamagris não traz cura consigo. — Avô havia confirmado que tomar-se por esta doença era o fim; da mesma forma, o doutor dos soldados o reafirmara. Ele e sua petulância marinheira, pelas alturas de Kyanon Island. — Só uma morte que verás como precoce, e o sofrimento até que tu chegues lá. — Talvez por isto fosse que a gana por prazer me fervilhava n'alma desde que vi-me por gente; também por isso tanto ansiava por poder. "Dá-me o mundo antes que me leve ele." — Mesmo que pouco eu tivesse matutado a respeito, a ideia tinha lá seus fundamentos. Mas que eu soubesse e mais ninguém. — E pouco importa, doutor Merlineo. Esta desgraça já é parte do homem com quem tu falas. — Afirmaria, venenoso, incisivo e com palavras de cunho verossímil, mas que traziam não mais que meias-verdades. — Tu tirarias dos teus homens um braço ou uma perna? — Provocaria o velho porta-chifres, tomando as dores que me eram competentes, ainda que o tom se mantivesse manso. — Pois a doença é meu coração. — Concluiria com mérito e honra, arreganhando o beiço e lhe mostrando os dentes na risota mais viscosa que pudesse encontrar.

O meu traseiro eu levaria de encontro a um assento, e na ausência dum eu o conquistaria, tomando posse donde antes o soldado se assentava para que lhe fosse dada a misericórdia. Poria meu braço em torno dos seus ombros, o cerceando e impedindo que arredasse o pé dali. — E este aqui que tome nota de que a vida ainda está na reta. — Minha matraca se tornando em fornalha, e as palavras soariam como ferro quente e fumegante, sobre a bigorna inerte em que nós tornamos a coragem daquele homem quebrado.

Certo, velhote. — A vista antes centrada no marinheiro, agora faria correr até os chifres do doutor. — Ainda que escamagris não te compita, há algo com que podes me agregar. — Desfilaria uma das mãos no entorno do talho feito às costelas, como cortinas se esvoaçando e, detrás de si, trazendo a verdade. — Que é que fizestes para que os cortes sarem sem cautério, álcool ou agulha? — Havia visto o unguento espalhado sobre os cortes para que não gangrenassem, e sentido o aroma forte que as pastas traziam. — Eu tenho lá o meu acervo de conhecimento no que cerne a medicina, mas isto aqui não remete à modernidade. O que tu trazes é medicina tribal. — Eu disporia o indicador da destra para que apontasse as ervas que Merlineo carregava, e seguiria. — E isso aí é o ramo da botânica, que tu pareces exercer com alguma perícia. — Se o velhote carregasse consigo alguns miolos, já ligaria os pontos da minha abordagem. — Me ensina mais sobre o que tu fizestes, e espalharei a tua arte pelos mares como outro aparato de poder. E di-me mais quanto a ti, doutor Merlineo. Já esclareci escamagris à tua vista inocente, nada mais justo que dizer-me quem tu és. — Pretenderia, deixando que o porta-chifres se tornasse num farol, nos mares vastos em que encontras a artimanha da botânica. A mão na massa sobre as ervas, e a cabeça trabalhando para que angariasse todo o conhecimento que o ancião viesse a transmitir.




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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptySeg 08 Abr 2019, 10:33

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FAROL - 09



Com um aperto solene, o acordo era selado entre os piratas, Robb dava uma risada de canto de boca, mostrando seu caninos maiores que os demais dentes – Os Piratas do Lobo Branco agora são seus aliados – dizia o jovem coçando a barriga da besta aos seus pés que agora mais se assemelhava a um bichano doméstico. Edmure parecia cansado, sua feição deixava claro os resquícios do combate de antes, sua pele estava mais pálida que o comum e os ferimentos latejavam, o curandeiro usava uma medicina baseado em ervas, caules e raízes, não tinha comprovação cientifica sobre seus métodos, mas não era bom duvidar.

O capitão da Quimera agora voltava sua atenção para o curandeiro, tirando as botas que calejavam seus pés, o pirata dizia que sua doença não tinha cura, arrancando um olhar tenebroso do velho, que parecia não acreditar, mas o druida apenas respondeu quando ouviu algo que lhe desagradou – Eu não sou doutor, olhes como fala comigo rapaz – dizia batendo a palma da sua mão em sua coxa magra, que ficava escondida entre suas vestes.

Mesmo desacreditado Edmure se aproximou do curandeiro, que esfregava as mãos como se fosse um cozinheiro preparando a janta, um sorriso amarelo tomava conta do seu rosto. Robb por outro lado se ajeitava num canto da caverna, deitando abraçado a sua besta, que parecia vigiar o local mantendo as orelhas eriçadas.

Os dois conversavam, as perguntas de Edmure eram respondidas pelo velho enquanto ele pegava algumas raízes e amassava junto com folhas numa tigela – Aprendi minha cura na floresta, eu sigo o jovem Robb pela promessa que fiz ao pai dele – continuava amassando – Irei lhe ensinar sobre as folhas jovem sem alma, preste atenção, não falarei duas vezes – as sombras do fogo dançava na caverna enquanto as horas passavam, até que o fogo virou brasas e os dois sujeitos pareciam satisfeitos com que conversavam.

Sem perceber o druida e o amaldiçoado caíram no sono, agora a luz do sol entrava em frestas e iluminava o local, o dia estava raiando e com ele um grande desafio a frente dos piratas do lobo branco e os piratas da quimera. Ninguém ainda tinha se levantado, não escutava nada além do bater das ondas na grande muralha vermelha.



Dicas e Observações:
 

Ferimentos:
 

Robb "O Lobo Branco:
 

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MensagemAssunto: Re: Ato III: O Miasma da Quimera   Ato III: O Miasma da Quimera - Página 2 EmptySeg 08 Abr 2019, 15:48



O Miasma da Quimera
Edmure de Rivia

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Pus-me a mercê da enciclopédia que era doutor Merlineo, e juntos nós destilamos conhecimento. O velho não trouxe delongas antes de me apresentar o seu acervo. Noite correndo e a sabedoria lhe tomando o lugar, na forma de babosas, sálvias e de dentes-de-leão. De camomilas, boldos e de quebra-pedras, e também das misturas que em última instância formariam suas pastas; aquelas mesmos com que o druida tirou-me a vida da reta. Mas o que mais interessava ao toque dos punhos de pedra e ao meu ego eram as peçonhentas. Trazia veneno na língua, afinal; que mal há de tê-lo nas mãos? Eu esperava pela vida, mas na botânica também havia morte. Mamonas e jequiritis, que levariam-te a um fim regado pela asfixia ou a coagulação, entre outras plantas que fariam-te cagar as tripas e perder a luz dos olhos enquanto tu soa frio. Foram com estas que Merlineo arrancou-me o esboço de um sorriso. Os druidas eram antiquados, mas parecia haver muito nos estranhos dotes da sua medicina que a academia não me ensinou. Outro vislumbre de que o poder não reside só na espada, ainda que o carrasco permaneça sendo eu.  

Tanto nós navegamos no mar da sabedoria que, em certo ponto, os dizeres porta-chifres me soaram como canções de ninar. Ainda que tivesse repousado por toda uma tarde, sentia o meu corpo torpe e as dores rastejando como vermes pelas frestas de escamagris. Estava exausto, e dei-me por inconsciente tão cedo quanto o possível. Desta vez não houve Ilusia e nem Las Camp. Não houve abismo, nem Quimera e tampouco os meus homens se agonizando em espigões. Estava estreitando a cabeça. O que havia era um véu de negritude, e o eco duma palavra se reverberando de um ouvido ao outro: — Poder. —  Mas desta vez a voz detrás do sonho era familiar, e era meu o adágio que ela trazia. Recobraria minha vista, tomando nota de que o dia havia chegado, e de quebra deixando a luz solar banhar-me às pupilas em dourado. Pôr-me-ia sobre os calcanhares. Os movimentos ainda bem calculados e regados em cautela, à conta das feridas que tinha ciência de que levariam certo tempo até sarar. Todo esforço só para ver solitude, pois era o único homem de pé.

Pouco importava se os rapazes ainda estavam aninhados no seu leito. Minha vontade era matutina, e antes que fosse à caça dessa dita besta haviam coisas que acertar. Andejaria até a cama de Cirilla, recuperando minhas botas no que seguiria por calçar as meias que havia lá deixado. Engataria os canos de couro da botina em torno das panturrilhas e agitaria os dedos, certificando-me de que estavam bem calçadas e alinhadas. Eu correria minha destra até o sobretudo, também deixado sobre a cabeceira desta mesma cama, e o vestiria, estendendo o couro do ombro à cintura sobre o trapo de tecido vagabundo emaranhado em sangue e suor, em que a guerra havia tornado a camisa. Seu toque não trouxe conforto algum, mas era o bastante para que as pastas do velho Merlineo não se emaranhassem nas paredes do meu sobretudo.

Por conseguinte, afivelaria o cinturão em torno dos quadris; é nesta altura que eu me daria conta de gládio e do escudo. A égide não descansava às costas, como antes era de praxe, e a espada não se pendurava ao coldre. Nonde é que havia as deixado? Eu rolaria os olhos bordejados por impaciência através da gruta. Alvejaria Ciri e os seus pertences, seguindo até o Lobo Branco e à cinta de cada um dos rapazes que marchavam sob a sua bandeira. Seguiria fitando o cafundó onde Tobias descansava há meia era, e qualquer outro canto escuro que a caverna tivesse a apresentar. Nonde quer que estivesse o alforje, recobraria minhas armas e atrelaria ambas ao coldre ou à bainha, seguindo por atar o escudo na alça de couro que trazia nas dorsais.

O corpo estava uma geringonça, mas minha alma ainda anseia por batalha e na cabeça a pressa já matutava: não há tempo a se perder. Talvez pudesse sugar mais conhecimento do druida Merlineo, mas noutra hora; agora o velho já estava no sétimo sono. Eu molharia a garganta com qualquer desgraça que encontrasse através da caverna. Vinho servia e muito bem, mas pouco cria que haveria deste; então que fosse um pouco de água, ou mesmo outra tigela do ensopado esfriado da noite passada. Que me lavasse o seco nas paredes da goela, e o seria o bastante. Em meio à guerra o prazer era escasso, ainda que nela houvesse certo prazer. Teria de me contentar com o que a sorte me trouxesse.

Que nesta altura os beberrões já tivessem se levantado, e do contrário eu retumbaria encontrões do aço da espada com o escudo para arrancar-lhes o maldito véu do sonho; acordariam com o vislumbre de um sorriso cínico e descarado, um que eu viria estampar sobre a carranca alvinegra. — Pois bem, princesas! — E seguiria entre um bocejo e outro; a voz falhando e arrastada, mas eu retomaria o grave e o tom imponente conforme a aquecesse e espreguiçasse. — Que tal tirarmos o rabo da cama e nos pormos ao preparo da maldita caça que Robb propôs?! — Goela alta e trovejante, e os olhos firmes; tudo como era devido ao homem detrás das ordens. Aos poucos sê-lo se tornava habitual, na ausência de outro que se engajasse. Numa hipótese onde alguns dos cães sarnentos se negassem a acatar, eu seguiria aos seus encalços, estapeando-lhe às coxas e tornando a esbravejar a metade inicial da última sentença. — Estreitem vossos cinturões, tratem de vosso desjejum e atendam ao chamado da natureza. Então empunhem vossas armas e nós partiremos. — Sentenciaria, de olho nu sobre cada um dos rapazes e trazendo mais solenidade que descortesia, pois esta última fazia com que as ordens descessem pela garganta ainda mais facilmente; isto eu já havia notado.

Certificado de que os meus já estavam de pé, tendo seguido individualmente até Ciri e Tobias, eu voltaria ao encontro do outro capitão. Partilharia do seu desjejum, se houvesse um a se compartilhar, e seguiria por tomar as rédeas da situação. — Então, Lobo Branco. — Abordaria o rapazola entre a glutonaria; dentes mordiscando iguarias, e o líquido as escorrendo goela abaixo. Ou Ed lambendo os dedos de pedra enquanto o bucho range ao fundo, como os acordes de um violino enferrujado. — Temo que tu não possa domar essa besta como fez com tua criatura. — Descenderia a vista até o bichano que aparentava ter-lhe rendido a alcunha. Era invejável que tivesse um bicho daqueles na sua cola; lobos não eram tão ferozes quanto os leões, mas ainda eram animais selvagens. Selvageria é poder. — Quero que façamos as malas e arredemos nosso pé daqui tão cedo quanto o possível. Os cabos gêmeos fedem à desgraça e a morte, ainda que a última parte esteja na nossa conta. — Eu fungaria e torceria o nariz, elucidando o que dizia enquanto arreganhasse os dentes numa amostra de orgulho sádico. — Espero a ti e aos teus rapazes na entrada da caverna. Pode nos pôr a par de tudo no caminho até a besta, se assim te aprouver. — E lhe daria a vista das minhas costas, uma vez que verbalizasse a réplica. 

Meio caminho andado até a entrada, eu cessaria a caminhada e chamaria pelos meus. — Ciri e Tobias! — O homem-gato e Pierre ainda não retornaram; Cirilla e o saltimbanco haveriam de servir. — Sigam comigo. — Trotearia até o marinheiro feito de refém e o cercearia: meu braço destro em torno dos seus ombros, como um leão que intimida sua presa com rugido e bafo quente. — Mantém-te na minha coleira. — Sentenciaria com a voz profunda e o tom tornado num sussurro ameaçador. — Não tenho razão para te matar. Um marinheiro a mais ou a menos, pouco importa, contanto que nos leve até tua embarcação quando isso tudo acabar. — Traria a adaga à canhota e poria o aço gelado em contato com o pescoço do rapaz, me soerguendo sobre ele na vantagem de estatura que julgava ter, e o pondo à sombra do semblante pouco humorado. — Mas se tentares uma fuga antes de te libertar, os dois ali porão balas nas tuas costas antes que tu dê dez passos. — Voz venenosa, olhos estreitos e um sorriso com os lábios na forma de meia-lua. Recuaria o punhal ao coldre e dividiria mais proximidade com Ciri e também Tobias, pondo a diretriz à mesa. — Quero que tratem deste marinheiro no caminho. Que fiquem sempre à sua cola, lado a lado, e que lhe deem o gosto da pólvora às pernocas, se porventura ousar fugir. Ele será a passagem da Quimera para fora daqui. — Ordenaria com clareza, trazendo ênfase em cada santa sílaba. E que o lobo nos guiasse até os ermos cavernosos do farol, comigo e a dupla seguindo no seu cangote.




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