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One Piece RPG : A GRANDE ERA DOS PIRATAS
 
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 Capítulo III: Destinos Cruzados

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AutorMensagem
ADM.Tidus
Duque Azul
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ADM.Tidus

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MensagemAssunto: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyQui 08 Nov 2018, 01:05

Relembrando a primeira mensagem :

Capítulo III: Destinos Cruzados

Aqui ocorrerá a aventura dos(as) revolucionários Hisoka Kurayami e Crisbella Rhode. A qual não possui narrador definido.


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AutorMensagem
Luizatomita
Revolucionário
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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyQua 01 Maio 2019, 12:28

,,
SUNSHINE
Capítulo III: Destinos Cruzados


Curioso para não dizer que era intrigante, a mão dos deuses que pesavam sobre a roda do destino de nossas vidas havia ao menos nos dado uma oportunidade única… Estranha, bizarra, mas única. Eu sabia que a visão de Lara para mim não era em vão, sentia isso. Ela era uma pessoa tocada pelo poder dos deuses com certeza, agora eu não sabia se esse tal poder era uma benção ou uma maldição… Corri na direção de meus amigos, aliados para poder dessa vez, mudar o rumo da roda… Talvez eu pudesse mudá-la por completo? Improvável, mas sabia, sentia que talvez o destino, nossas vidas não deveriam acabar ali como os deuses avisaram. Não podia deixar acontecer!

Tudo acontecia como previsto até  a minha chegada. Abri um largo sorriso ao ver a expressão do agente quando eu consegui ‘’prever’’ seu movimento para me matar… Aquela gaivota havia sido bem útil mesmo, agradeci mentalmente por ela ter estado ali para me dar um ‘’timing’’. O creme coçadinha foi passado com sucesso sobre o rosto de nosso inimigo e, de quebra, eu não havia perdido meu coração no processo, mas consegui fazer com que seu corpo jovem caísse sobre a lama de Berlique. O meu plano estava dando certo e, após conseguir salvar a vida de Hisoka, de que fosse queimado vivo, me joguei na lama. Tentei achar Klaus, mas ele era realmente muito bom em se esconder. Minha ação seguinte era avisar Rin sobre o poder do Agente. Infelizmente, eu não havia prestado tanta atenção no que havia ocorrido anteriormente em minha visão do futuro, assim Rin acabou sendo golpeado, mas felizmente, não morto.

Suspirei baixinho ao ver tal cena e logo comecei a sair da água a qual eu havia me jogado. Hisoka estava bem, Rin se machucou um pouco mas parecia bem, Klaus também, sorri de canto ao ver que meu trabalho estava dando certo. Não demorou muito para o príncipe Ed também se juntar aos combatentes. His foi o primeiro, atacando o agente e levando com a ponta de seu chicote, um olho do homem. Não bastasse o rosto coçando, os ferimentos de espada e agora um olho a menos… Era uma carnificina sem tamanho, algo que eu tinha repulsa de ver. Os gritos do homem me fizeram estremecer por um segundo antes dele soltar uma enorme rajada de fogo que, por pouco não acertou a todos se não fosse o príncipe Ed.

O agente se encontrava no chão, machucado, queimado e a beira da morte. Não seria eu a sua algoz, não tinha frieza em sangue o suficiente para isso e esperava nunca ter… Vi Rin, Klaus e Hisoka se aproximarem do homem caído. Desviaria meu olhar da cena, não queria ver quem havia de levar a vida de Kaitto para o mundo dos mortos. Repararia na aproximação de Hisoka, tendo certeza de que ele não seria o assassino de Kaitto. Sorri para ele de maneira gentil. - Estou sim… - Diria de maneira simples antes de reparar que ele parecia sorrir de volta. Senti minhas bochechas corarem um pouco ao ver seu sorriso, era uma cena rara vinda dele e fiquei um pouco sem graça ao vê-lo assim. - E-Eu  preciso ver s-se La-Lara e o Afonso estão bem… Nos encontramos perto do navio… O-Ok? - Diria ao professor antes de começar a correr na direção oposta a onde os rapazes se encontravam.

Me aproximaria de Lara caso ela ainda estivesse ali. - Estamos bem… - Diria a ela de maneira a tranquilizá la de todo o ocorrido. Me aproximaria do príncipe Afonso, checando para ver se ele estava bem. Pegaria minhas coisas com Lara e olharia para ela com um sorriso de canto. - Você já nasceu com isso…? Esse seu poder. - Perguntaria de maneira curioso mas não invasiva, se ela não respondesse, não ficaria chateada, cada um sabe o quanto sobre pela mão firme dos deuses. Ajudaria o príncipe Afonso caso ele ainda precisasse de cuidados, ele tinha de ir com o irmão para poder voltar ao seu reino. - Sua irmã está bem Afonso… Está tudo bem. - Diria ao rapaz a fim de tranquilizá lo caso ele perguntasse.

Ajudaria-o a se levantar e logo em seguida, esperaria que os meninos voltassem ao navio. Observaria todos se aproximando. E como era hora talvez de cada um seguir seu rumo, me despediria de Ed e Afonso. - Obrigada pela ajuda, príncipe Ed, príncipe Afonso… Espero que tenham uma boa viagem de volta para casa. - Diria a eles de maneira educada e gentil enquanto Hisoka novamente se aproximava ao meu lado mas dessa vez, sua mão quente tocou o topo de minha cabeça, acariciando os fios ruivos de meu cabelo com certa ternura. Eu estava envergonhada, sem graça pela ação dele. - S-Sim… Acabou… - Diria de maneira acanhada quase que em um sussurro. Voltaria meus passos de volta para o Paradise Star, o pobre navio havia sofrido demais com todas aquelas batalhas, mas ainda me sentia segura dentro dele.

Chegando ao navio, teria um lapso em minha memória. - Ahh e quanto a Sam? Ele não vai voltar com os príncipes? - Perguntaria quase que para mim mesma, mas de maneira audível o suficiente para todos ouvirem. Se ele ficasse no navio, provavelmente seria morto por outros revolucionários, isso se, já não estivesse. Senti uma pontada no peito, precisava fazer algo.



-x-


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SKY FALLS, YOU FEEL LIKE IT'S A BEAUTIFUL DAY! DON'T LET IT GET AWAY, YOU'RE ON THE ROAD BUT YOU'VE GOT NO DESTINATION YOU'RE IN THE MUD IN THE MAZE OF HER IMAGINATION...

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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyQua 01 Maio 2019, 18:09



Lama e Sangue





Hisoka e Crisbella



O trabalho em equipe do grupo foi certamente o principal fator para terem conseguido superar um inimigo tão poderoso, incluindo a ajuda de Lara e dos príncipes que foram fundamentais para a vitória dos Revolucionários sobre Kaitto. Com o agente jogado na lama em um estado crítico de saúde, já era certo ali que ele não seria capaz de fazer mais nada para alcançar a vitória, restava agora saber o que seria decidido fazer com a sua vida. Enquanto Kaitto soltava alguns ruídos de agonia oriundos da sua dor exorbitante, os aliados se aproximavam do seu corpo reunindo-se ao redor do inimigo derrotado.

O príncipe Ed, devido ao soco flamejante que recebeu do agente, trazia com ele uma séria queimadura nas suas costelas do lado direito e isso o fazia mancar um pouco por conta da dor que surgia com o esforço da caminhada, como já haviam dito antes, ele e seu irmão tinham poderes especiais, mas não eram guerreiros, portanto a resistência deles não se compara à de seus atuais aliados. Seus olhos cor de mel fitaram o sequestrador de sua irmã com frieza, não havia compaixão por parte do príncipe para o homem que até pouco tempo atrás viajou ao seu lado como um companheiro que deveria ajudá-lo a resgatar Marin.

Com o oponente derrotado, Klaus limpou na cintura o sangue que escorria pela lâmina de sua espada e em seguida a guardou em sua bainha, seguiu primeiro o seu olhar até onde estava Crisbella para saber se ela estava bem, então ao adquirir essa confirmação, o espadachim caminhou de maneira serena até se aproximar do corpo de Kaitto. Enquanto isso, Rin estava de joelhos na lama com a mão esquerda pressionando a região do abdome que foi furada pelo dedo do agente. A sensação que o Major sentia ali era de ter sido perfurado por uma faca, mas já havia visto técnicas bizarras o bastante para não se deixar levar pela busca de uma resposta lógica para isso. Levantando-se com calma, o meio-mink marchou pelo terreno lamacento e parou diante do inimigo a beira da morte que nesse momento já pedia para que lhe dessem um fim e acabassem com seu sofrimento.

O major parecia pensativo a respeito da decisão que deveria tomar, deixá-lo vivo soa como um ato de misericórdia, porém na verdade trata-se de uma escolha cruel já que era impossível para ele sobreviver nesse estado a todos esses ferimentos; enquanto executá-lo, por mais que necessite um sangue frio para ser feito, seria a atitude mais nobre que poderia ser feita da parte deles… Isso porque obviamente, levá-lo de volta para o navio e tentar curar seus ferimentos era algo que estava fora de cogitação até mesmo para a bondosa Crisbella. Quando olhou para os olhos azuis escuros do meio-mink, Hisoka viu uma seriedade que até então não havia visto sendo carregada pelo seu companheiro que esteve ao seu lado durante toda essa nova jornada como Revolucionário. Talvez fosse estranho para o professor olhar para alguém que tem a idade para ser seu aluno e vê-lo como o seu superior, mas acabaria por entender nesse momento o motivo pelo qual Rin já é um Major mesmo sendo tão novo.

- Não faz parte do meu objetivo matar pessoas… Mas entendo que como membro de um exército dentro de uma guerra isso acaba se tornando inevitável. - Disse para o homem caído enquanto sua espada era erguida para realizar o ataque. - Não somos animais irracionais para serem abatidos quando cometem um erro… Uma simples negociação pela princesa poderia ter evitado a morte de muitos, inclusive a sua. Tem algo para dizer antes que minha lâmina atravesse a sua garganta?

- Hahaha, idiota… Você sabe que um sangue valioso como o da princesa de Ilusia não se negocia dessa maneira… Reinos inteiros entrariam em guerra para ter parte desse sangue... - Respondeu Kaitto com a voz fraca, mas mesmo assim mantendo um tom de superioridade de quem sempre está um passo à frente.

- Entendo como a ganância humana funciona, muitos reis desejariam ter seus netos ou filhos com o sangue divino para levar seu nome ao “Reino dos Deuses”... Mas será que é realmente possível provar que Thalassa Marin é uma Tenryuubito? Quantos colocariam seu exército em guerra por uma incerteza? - Questionou Rin entrando na conversa proposta por Kaitto.

- Tenryuubito? HAHAHAHA! Então é por isso que vocês a queriam? Ou será que não te passaram a informação correta? Tolo, isso é maior do que você pensa, Thalassa Marin é...

Antes que o agente pudesse terminar sua frase, o som da espada de Rin atravessando o ar interrompeu as palavras do loiro e a lâmina atravessou sua garganta como o major disse anteriormente que faria. A princípio poderia ser um pouco incômodo para aqueles que estavam ali vendo a cena do agente sendo decapitado, não só pela brutalidade que talvez eles nunca tivessem presenciado e poderia ser um pouco chocante, mas também pelo fato de que Rin não deixou Kaitto terminar de passar a informação que estava prestes a dizer. Olhando novamente para o meio-mink seria possível vê-lo apertar firme o cabo de sua espada enquanto as linhas de seu rosto desenhavam um sentimento de raiva que ele parecia tentar conter.

Após esse tempo de convivência com Rin já seria possível para Hisoka perceber que o revolucionário havia tomado essa decisão contra sua própria vontade, ele é um rapaz bastante curioso e com certeza iria querer saber o que Kaitto iria dizer, porém, que garantia ele tinha que conseguiria manter sua palavra aos príncipes de devolver a princesa para eles se acabasse descobrindo algo maior? Ali ficou evidente que a honra de Rin estava acima do seu trabalho como um revolucionário. Sem dizer mais nenhuma palavra, o major deixou os companheiros para trás e saiu andando em linha reta na direção de onde estava ancorado o Paradise Star.

- Marin! - Exclamou Ed indo às pressas com passos fundos na lama até o local onde sua irmã estava inconsciente. Assim que a alcançou, o príncipe colocou a garota nos braços e começou a tentar acordá-la sacudindo sua cabeça de leve.

- Edu...ardo? - Disse ela enquanto ia abrindo lentamente os olhos, levando seu irmão a ficar absurdamente aliviado e abraçá-la com força.

- Oh, Marin… Nunca mais vou deixar algo assim acontecer com você! - Prometeu o loiro com a voz chorosa e o rosto escorrendo lágrimas.

- Ed… Você tá chorando? Acho que é a primeira vez que… - Começou ela a dizer antes de ser interrompida.

- Não! É a vegetação de Berlinque, tem uma planta aqui que faz seu olho lacrimejar e eu caí em cima dela. Idiota! - Respondeu ele rapidamente encerrando o abraço e começando a secar as lágrimas com suas mãos sujas de lama, o que em seguida o fez ficar com raiva por ter sujado o rosto de lama e então tentou limpar com as vestes… Também sujas de lama. Marin riu.

Enquanto isso os revolucionários também estavam compartilhando de um sentimento de alívio pela batalha finalmente ter tido seu fim, uma batalha que por sinal custou bem caro e fazia o professor se questionar se teria tudo isso valido a pena, mas agora com a dúvida que Kaitto deixou no ar é possível que algumas perguntas acabem surgindo na cabeça desse pequeno grupo, perguntas estas que talvez nunca fossem respondidas ou então ficassem sem respostas por um bom tempo…

No instante que olhou para o céu e viu a pintura da lua e das estrelas nesse gigantesco quadro negro, Hisoka perceberia também que no horizonte a luz alaranjada do sol já estava retornado e um novo dia estava para começar em breve. Já não havia sinais de uma tempestade. Enquanto Crisbella caminhou em direção ao local onde deixou Lara e Afonso, Klaus tratou de recolher as luvas especiais do inimigo, estas que por mais que ele não fosse usar, talvez alguém dentro do navio conseguisse fazer algum uso disso, como Gear por exemplo, mas o espadachim ainda não havia a conhecido de maneira formal para saber disso. Dada a decisão de deixar os “ilusianos” irem embora, não havia mais necessidade dos revolucionários permanecerem ali, por isso Hisoka seguiu o mesmo caminho de Rin até o navio, deixando Klaus e Cris para trás.

Quando a ruiva chegou ao local onde Lara e Afonso estavam, o príncipe já estava novamente consciente, porém parecia ter acabado de acordar, pois a ex-escrava estava no momento o ajudando a se levantar. Os dois sorriram ao ver Crisbella se aproximar trazendo o sentimento de vitória no rosto e dizendo que estava tudo bem. O loiro rapidamente a abraçou calorosamente em um gesto de agradecimento, mas mesmo assim ele não poupou palavras para mostrar sua gratidão à garota.

- Obrigado, Crisbella… Sem vocês não teríamos conseguido, nem sei como posso agradecer, sinto que só minhas palavras e um abraço não são suficientes. - Disse ele sorridente segurando os ombros dela e olhando firme para dentro de seus olhos verdes.

- Na minha visão vocês se beijam depois disso… - Soltou Lara que observava atentamente a cena a alguns passos de distância dos dois.

- O QUÊ!? - Lançou Afonso soltando Cris e se afastando com alguns passos para trás. O príncipe ficou vermelho com velocidade e agitou os braços na frente do corpo em um sinal de negação, completamente constrangido com o que Lara havia dito. - E-eu... n-não… nã-não… É mentira! Eu nunca faria isso! Quero dizer… Não sem casarmos primeiro... MAS NÃO TO DIZENDO QUE QUERO CASAR COM VOCÊ! Ed socorro!!!! - E completamente atrapalhado nas palavras que já não sabia mais como iria conseguir se explicar, Afonso cobriu o rosto com as mãos e desejou que Crisbella simplesmente ignorasse tudo que foi dito.

- Hihihi, que fofo, eu estava brincando, ok? Mas depois dessa reação tenho minhas dúvidas se não era realmente a sua intenção... - Disse aos risos a jovem de cabelos verdes antes de também começar a caminhar de volta para a área onde estava a embarcação. Aqui seria o momento que Cris lhe faria a pergunta sobre esses seus poderes. - Não… Mas eu sinto falta de nadar, sabe? Eu era boa nisso. - E com essa resposta simples já era possível saber como Lara adquiriu essa incrível habilidade.

- Afonso, aconteceu alguma coisa?!!! Ouvi você pedindo ajuda. - Falou o príncipe Ed em um tom elevado assim que chegou correndo ao local por estar preocupado por ter ouvido os gritos do seu irmão… Porém obviamente não teria problema nenhum acontecendo e o que ele veria era Crisbella o agradecendo pela ajuda. - Oh, que nada, acho que nós é que devemos agradecer… Mesmo que tenha tudo começado da maneira errada, se fosse em uma situação diferente onde vocês não estivessem por perto, Kaitto poderia ter conseguido levá-la, então sou grato à vocês por isso. - Respondeu ele curvando brevemente o corpo em um sinal de gratidão.

- O navio de vocês sofreu danos não foi? Podemos ajudar a consertá-lo, nossas habilidades podem ser úteis para esse trabalho. - Sugeriu Afonso para os dois revolucionários ainda presentes.

- Por mim tudo bem, não acho que a comandante vai rejeitar esse tipo de ajuda… - Disse Klaus sacudindo os ombros e indo na frente deles para voltar logo ao navio. Era possível ver as luvas de Kaitto sendo carregadas por ele. - Eu preciso tomar um banho e dormir, então por favor vamos sair logo dessa maldita ilha.

- Podemos partir assim que terminarmos de ajudar na reparação do navio e tratarmos nossos ferimentos… Se possível gostaria que o Sam voltasse com a gente também, não fazia parte do acordo, mas ele realmente é alguém muito importante para nós. - Falou Ed para Crisbella enquanto iam caminhando de volta para o navio, e bem, não era como se ela tivesse voz ali dentro para ordenar alguma coisa, mas se ela conseguiu convencer seus companheiros antes, talvez consiga agora também se chegar a ser necessário.

Enfim, Cris, Klaus, Eduardo, Afonso e Lara chegaram praticamente juntos ao Paradise Star, e já sabendo que Sam estava em um estado crítico de saúde, ajudar o rapaz a chegar até a enfermaria seria uma das primeiras coisas que parte desse grupo faria. A essa altura a ala hospitalar do navio já não estaria mais cabendo pessoas, eram muitos feridos para poucas camas e por isso para ajudar Sam era necessário que alguém desocupasse o local.

- Eu não preciso de uma cama… Não se preocupem comigo… Me deixem no chão, eu irei ficar bem... - Disse Sam com a voz fraca enquanto percebia o problema que estava causando na enfermaria por não ter mais espaço para as enfermeiras cuidarem dele.

- Não, você não vai ficar… Levem-o para o meu quarto. Estarei indo para lá fazer o tratamento dele. - Ordenou Milla para os refugiados e uma das enfermeiras que estavam a ajudando, dessa forma eles guiariam os príncipes e a princesa até o quarto mencionado. Depois disso, indo até as prateleiras quase vazias da ala hospitalar, ela começou a pegar alguns itens que seriam necessários e trocou as luvas antes de sair dali para cuidar do novo paciente.

Momentos antes disso, Hisoka já teria chegado ao navio e poderia embarcar usando uma das cordas que haviam nas laterais para escalar até o convés destruído. Assim que chegasse ali o professor logo notaria a presença de Helena sentada no lado oposto e usando o corrimão das bordas do navio para apoiar as costas. O enorme corpo falecido de Golias estava no colo dela, que por sinal havia retornado completamente ensanguentada, suja de lama, cabelos bagunçados, vestes rasgadas e o olho de aparência “funda” por conta do cansaço. Mesmo nesse estado acabado a mulher sorria enquanto acariciava os cabelos do companheiro. Atrás dela o nascer-do-sol trazia uma luz alaranjada para a cena vista pelo arqueólogo da tripulação.

- Acabou? Estão todos bem? - Perguntou ela ao ver a chegada de Hisoka ao convés. Quando ele desse a resposta positiva, a comandante mostraria um sorriso ainda mais largo que o atual em seu rosto. - Ótimo, obrigada… Acho que posso descansar então… Quando eu acordar, quero ir para uma ilha de verão… Diga ao Blink para irmos a uma ilha de verão. - Então fechando seu olho por completo, Helena tombou seu corpo para a direita, perdendo por completo a consciência… Ou teria sido algo pior?

De qualquer forma o professor não podia perder tempo em ajudá-la, pois se a vida da comandante estivesse em risco, ela teria que ser socorrida imediatamente… Mas há mesmo espaço e recursos no navio para tratar mais um ferido?


OFF:
 

HISTÓRICO DA AVENTURA:
 

FERIMENTOS:
 


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Hisoka
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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyQui 02 Maio 2019, 12:02



Destinos Cruzados

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#Post 31


No caminho de volta, a sempiterna dubiez não parava de esculpir um cenho franzido em seu rosto, que ruminava em razão das constantes repetições da cena da morte de Kaitto em sua mente. Thalassa Marin é... Aquela voz alquebrada, repleta do saibo da morte, parecia disposta a revelar uma informação tentadora, mas não o fez; Rin o degolou antes que pudesse. Hisoka não conseguia frear a curiosidade, majoritariamente em vista da intensa guerra que acabaram de digladiar. Ainda havia outras dúvidas aliás; esta última representou somente o estopim de sua desconfiança.

– Rin... – A voz melancólica reverberaria pelo charco, não muito alta, mas suficientemente audível para superar o farfalhar da água provocado pelos seus passos. O nome do meio-mink seria evocado após o professor se aproximar, volvendo o pescoço de leve em sua direção, ainda de olhar perdido pelo paul. – O que exatamente ela é? Foi por isso que vocês sequestraram-na e começaram tudo? – A interpelação seria sucedida por um suspiro desiludido ao passo que seus olhos enfim se tocariam; as íris carmesins do arqueólogo, entremeando as madeixas negrumes úmidas que escorriam pelo rosto sórdido, carregavam em seu cerne sorumbático a esperança por uma resposta que não o enchesse de exasperação. – Não estou pedindo por uma resposta, Rin... – A glabela crisparia numa eventual rejeição; se negaria a aceitar tamanha covardice, ainda mais depois de tantos sacrifícios. Que se dane a hierarquia e ordem na estrutura do exército. Não era mais uma questão de respeito à jerarquia; era respeito à fraternidade. – O que isso tudo significa para você, ein? – Se ainda houvesse negação, firmaria o último passo no aguaçal, interrompendo o cicio pantanoso de modo a instaurar um silêncio dolente no diálogo. – Katherine, Shizuo, Shott... Todos eles estão à beira da morte, droga! – Como em pouco momentos, o historiador sairia do sério, deixando de lado a cotidiana aura repleta de fleuma, afinal mesmo os mais calmos perdem a paciência ora ou outra. Para Hisoka, basta que o tópico seja uma pessoa muito querida, e que ela sofra algum escárnio ou ameaça; após viver tantos anos só, ele passou a dar suma importância mesmo para indivíduos que estão há pouco em sua vida. – E... Golias... Golias está morto! – Preguearia o rosto, segurando as lágrimas de olhos rorejados ao relembrar o perecimento do cordial Montanha. – Tudo isso pra quê? – Abriria o braço direito ao lado do corpo; os dedos rijos, onustos de raiva. – Eu mereço uma explicação. Nós merecemos. – Enfim fecharia a mão, franzindo os lábios e estreitando o semblante, de olhos fixos no meio-mink.

Era realmente doloroso encarar como um inimigo àquele que fora o responsável por sua ingressão no Exército Revolucionário, mas Hisoka era incapaz de suportar o silêncio de Rin, independentemente do que ele estivesse omitindo. Não era justo; simplesmente não era. Não somente para os próprios Revolucionários, como também para os refugiados, que tiveram inúmeras baixas, tornando grande parte do trabalho efetuado em Ilusia Kingdom debalde.

De volta à embarcação, Hisoka vislumbraria o navio em ruínas. Como um leigo, a dúvida quanto a possibilidade de reconstrução de toda aquela estrutura destroçada subia-lhe a espinha num frêmito de preocupação, mas não tinha tempo para perder a cabeça com isso naquele instante. Portanto, limitaria-se a balançar a cabeça negativamente e subiria ao convés a partir das cordas distribuídas pelas laterais do casco, geralmente usadas para ancoragem. Lá, suas emoções despencariam ao observar a comandante sentada a esmo com o corpo de Golias sobre as coxas. O estado de seu corpo insinuava que sua batalha havia sido árdua, mas sua sobrevivência sugeria que ela saíra com a vitória.

– C-Comandante... – Paulatinamente os olhos volveram para o assoalho e os ombros relaxaram junto à coluna num suspiro. Vê-la naquela circunstância era desolador à primeira vista. Aquela guerreira, tão forte e formidável, imersa em sangue e suor. No entanto, ela sorria; acima de tudo ela sorria. Como uma verdadeira líder, abraçava a vitória da guerra mesmo diante das mazelas das batalhas perdidas. – Sim... Estamos. – As íris tornaram a ascender pouco a pouco, até serem iluminadas por aquele sorriso sob o resplandecer da alvorada, que tingia a abóbada celeste com seu pulcro tom alaranjado. Hisoka não conseguiu amorar o próprio riso, formado gradualmente no cenho outrora repleto de desolação.

Enquanto o sol ilumina o dragão. Reaveria um trecho da profecia de Lara junto aos dentes timidamente arreganhados. Evidentemente, na real predição, Helena não era o dragão mencionado, e sim Thalassa. Mas não importava, já que aquela cena detinha um simbolismo único e majestoso, pois, ainda que Helena não fosse uma Tenryuubito, ela carregava o alento da proteção de seus tesouros – seus tripulantes, tal como a sublime criatura mística.

Passo a passo, seu tropel plácido marcou sua caminhada pelo convés amadeirado. Pela primeira vez em sua estadia no Exército, queria preencher o corpo de Helena com um abraço, não somente de gratidão, mas também de reconforto. Todavia, já propínquo à comandante, o sorriso no semblante de Hisoka desmanchou, dando espaço para uma boca entreaberta. Um gemido acanhado e os braços se abriram rapidamente, harmônicos à súbita aproximação na expectativa de amparar a jacente Izzy.

– Helena...? Helena!? – Clamaria com a mulher em seus braços, de olhos esgazeados e sobrancelhas hasteadas no rosto que esculpia todo seu nervosismo. – Fique comigo... Fique comigo... – Repetiria incessantemente até a voz exausta ser abatida, dando lugar ao alento sucessivo que coadunaria com seus passos por toda a embarcação. Com Izzy acomodada em ambos os braços e apertada contra seu tronco, Hisoka correria com todas as forças remanescentes em direção à enfermaria. – Milla! Enfermeiras! ... A comandante precisa de atendimento! – Em meio a arquejos, brandaria na porta da ala médica, ainda com Helena sustentada em seus braços, que a essa altura pareceriam incendiados à brasa. – Ótimo, cuidem... – Na eventualidade de uma resposta positiva, Hisoka entregaria o corpo da Revolucionária às profissionais com extremo zelo, sem machucá-la. – Droga... Onde fica o quarto dela? – Se avisassem que Milla saíra para cuidar de outro paciente, o historiador perguntaria apreensivo, temendo que os segundos perdidos pudessem ser cruciais para o bem-estar de Helena.

Os braços talvez nem aguentassem mais, contudo, quer estejam dormentes pelo esforço, quer estejam inflamando de dor pelas feridas, Hisoka não poderia deixar sua comandante para trás. Dentes rangendo uns contra os outros, olhos marejados e cenho crispado. Pouco importava; não desistiria por nada. Correria Paradise Star adentro, alastrando pelas galerias e passagens sua respiração pesada e o retumbar de seus passos apressados até alcançar o quarto da enfermeira, cuja localização fora supostamente informada.

– Milla! – Gritaria ao passar pelo batente da porta, sem sequer solicitar licença; se a porta estivesse trancada, a esmurraria sem dó, chamando pelo nome da enfermeira. – A comandante desmaiou! Deve ter pedido muito sangue, não sei. – Noticiaria com certa freima, de olhar confuso, uma vez que pouco sabia sobre medicina. – Não importa, ela é a prioridade. – Fecharia os olhos e balançaria a cabeça negativamente se ela comentasse algo acerca de Sam. – É uma ordem, Milla! Se não tratar da comandante, eu mesmo matarei esse agente para que você não tenha mais motivo para dúvidas. – Uniria as sobrancelhas nos flancos da glabela sulcada, cravando seus olhos austeros no instante que fizesse o decreto. Como nunca, rasgaria as cordas vocais num tom sisudo, completamente inflexível; não aceitaria um "não" como resposta, e Milla teria certeza disso a partir da carranca nada negociável do professor.

Enfim entregaria a comandante à enfermeira onde quer que ela dissesse para pôr, também acatando com outros pedidos se necessário. Seu corpo, então, encostaria na parede mais próxima e deslizaria pela estrutura, até parquear com a pelve no chão. Os antebraços repousariam sobre os joelhos flexionados, abrindo espaço para que o rosto afundasse dentre os membros. Sentiria o suor escorrendo pelo corpo à labuta, estilando através da pele até ruírem no chão, gota a gota. A cabeça quente, pesada como nunca esteve; as pálpebras oprimidas pelo cansaço em piscadelas; a vista turva. Ainda não acabou...

Histórico:
 

Informações do Personagem:
 

Objetivos:
 


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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptySab 04 Maio 2019, 15:20

,,
SUNSHINE
Capítulo III: Destinos Cruzados


O destino estava selado e mais uma vez, saímos vitoriosos de uma longa batalha. Respirando fundo, levando todo o ar que podia até meus pulmões, me voltei a Lara e a Afonso. Os dois pareciam bem e  não demorou muito para Afonso se aproximar de mim. Sorri para ele de maneira feliz e amigável, era bom ver que o príncipe estava bem. Eu nunca tive nada contra a realeza ou contra nobres que não fossem tiranos sádicos, assim, minha simpatia com o rapaz era nítida. Enquanto ele se aproximava de maneira contente e me agradecia segurando meus ombros e olhando em meus olhos, Lara chegou mais perto e disse certas palavras que fizeram minhas bochechas corarem rapidamente.-  Ehhhhhh?! - Tanto a mim quanto Afonso ficamos muito sem graças com as palavras dela, dando assim um espaço entre nós quase que em um pulo. O menino tentava se justificar de algo que nunca ocorreria enquanto eu levava minhas mãos para perto de meu peito, segurando as mesmas de maneira tímida enquanto desviava o olhar. Com minha timidez, fiquei apenas quieta e parada até que Lara disse que era uma brincadeira.

-  N-Não tem graça nenhuma Lara! - Eu disse com um pouco de raiva no tom de minha voz, mas a timidez fazia com que a raiva ficasse um tanto, fofa. Após a brincadeira sem graça, começamos a voltar até o navio e, no meio do caminha Lara comentou que sentia falta de nadar. Lembrei-me das palavras do príncipe Ed imediatamente a respeito do poder das Akumas no Mi e o que elas tiravam em troca desse poder, a habilidade de nado era uma das coisas. Então isso podia muito bem significar que Lara era uma usuária assim como os príncipes. Era intrigante como as coisas aconteciam naquele navio… Talvez Lara tivesse encontrado a fruta enquanto estávamos com a tripulação de Daarius… Chacoalhei a cabeça, tentando tirar as hipóteses de minha mente, não compensava pensar nelas no momento.

Logo o príncipe Eduardo se juntou a nós e como Afonso pedia sua ajuda, chegou logo defendendo o mais novo. Klaus estava com eles, mas ele não me parecia muito feliz, talvez estivesse bem cansado depois de toda a luta que tivemos… Mas algo me dizia que era mais do que isso… Desde sua estranha morte, ele parecia mais distante que o normal. Ele trazia consigo as luvas de Kaito, elas eram interessantes, talvez Gear pudesse fazer bom uso delas para um bom estudo. - Agradeceríamos a ajuda! O navio sofreu demais com toda essa luta sem sentido… - Eu disse com um sorriso singelo ao príncipe Eduardo, com certeza suas habilidades seriam de grande ajuda para nós assim como as de Afonso.

Caminhando sobre a lama de Berlique, não quis incomodar Klaus com um interrogatório a respeito de suas ações, apenas o deixei que seguisse seu rumo. Ao chegarmos ao navio pelo mesmo lugar que saímos, avistei Sam ainda machucado. Vê-lo daquela maneira me dava pena e, logo os outros dali trataram de leva-lo a enfermaria. Chegando ao local, Milla pediu para que ele fosse levado ao quarto dela já que estava totalmente abarrotado por ali. Sem delongas, me apresentaria a enfermeira chefe ou a própria Milla. - Eu posso cuidar dele, só preciso de algumas coisas. - Diria antes de ajudar a levar Sam até o quarto de Milla. Eu tinha um débito com a vida do agente, querendo ou não, ele poupará minha vida uma vez, agora eu teria de cuidar para que ele não morresse. Se me fosse fornecido suprimentos, pegaria-os e os colocaria dentro da bolsa do kit médico.

Pediria a Rin, Klaus ou a algum dos príncipes para me ajudar a carregar o corpo de Sam até o quarto, chegando lá, observaria se a cama estava limpa, se não estivesse, arrumaria a mesma antes de colocar o rapaz sobre a mesma com cuidado. - Obrigada. Pode nos deixar a sós por favor? - Diria a pessoa que tivesse me ajudado a carregá-lo e se a pessoa se recusasse, a encararia como uma mãe que encara os filhos em uma bronca. - Por favor. -, após ela sair, me voltaria novamente ao rapaz.

- Vai ficar tudo bem - Diria a ele de maneira gentil para que ele pudesse se acalmar. Delicadamente, retiraria o tecido queimado e rasgado de sua camisa de seu corpo, deixando sua pele exposta. Procuraria um pouco de água fresca e limpa para começar a limpar a área mais ferida do corpo do rapaz, molhando-o e limpando com uma gase os seus ferimentos. - A princesa está a salvo, os príncipes querem levá-lo de volta para casa junto a eles… - Diria com um sorriso nos lábios para ele enquanto limpava melhor os ferimentos dessa vez.

Ao ficar limpo, procuraria uma pasta para queimaduras dentro do kit, e aplicaria em seu corpo com delicadeza, tocando em sua pele com meus dedos enfaixados. - Depois de todo esse incidente… Pretende continuar como um agente? - Perguntaria a ele enquanto passava a pasta ou algum remédio sobre suas costas. Se a resposta dele fosse positiva, olharia para baixo com tristeza. - Os deuses lhe deram uma nova chance de fazer o que é certo… Até mesmo os Agentes não são confiáveis, porque se arriscar por algo tão cruel…? - Perguntaria a ele e caso sentisse suas convicções se abalarem, diria com calma. - Você deve proteger aquilo que mais ama Sam, mas não precisa vender suas mãos para isso, não precisa ser mais um peão a ser sacrificado por um ‘’sangue de dragão’’. - Diria me referindo aos Tenryubitos e tudo o que eles significavam para o Governo. Após minhas palavras, procuraria algumas faixas para enrolar o rapaz e evitar que as queimaduras ficassem expostas. - Vai melhorar em alguns dias, mas as cicatrizes serão permanentes… - Diria com uma voz melancólica mas ao mesmo tempo, firme.


-x-


Histórico:
Spoiler:
 

Dados:
Spoiler:
 

Sam
IT'S A BEAUTIFUL DAY
SKY FALLS, YOU FEEL LIKE IT'S A BEAUTIFUL DAY! DON'T LET IT GET AWAY, YOU'RE ON THE ROAD BUT YOU'VE GOT NO DESTINATION YOU'RE IN THE MUD IN THE MAZE OF HER IMAGINATION...


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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyTer 07 Maio 2019, 01:10



O valor do sangue





Hisoka



As últimas palavras ditas por Kaitto momentos antes de sua morte deixaram Hisoka bastante intrigado sobre o que poderia significar. “Thalassa Marin é…” o quê? Sem a resposta exata, de nada adiantaria o professor ficar tentando adivinhar o que seria dito a seguir, as possibilidades eram infinitas, ainda que poucas opções pudessem trazer o verdadeiro impacto que o agente parecia estar prestes a dizer. Rin se afastou do restante do grupo em silêncio, sendo o primeiro a se apressar para voltar ao navio, no entanto não demorou até que Hisoka o alcançasse para fazer algumas perguntas. Diferente dos demais que nem se importaram com a frase interrompida de Kaitto, o arqueólogo era detentor de uma grande fome pelo saber e a sua curiosidade não o deixaria em paz até que conseguisse alguma resposta para saciá-lo.

- Thalassa Marin é apenas uma princesa de um reino importante, nós a sequestramos em troca de uma recompensa que já foi paga e por isso a deixaremos voltar para casa. - Respondeu Rin quando começou a ser questionado pelo professor. Os olhos do meio-mink continuavam fixos no horizonte e sua voz seca dava ao major um tom bastante destoante do seu padrão. Óbvio que naquele momento Rin estava mentindo, ou melhor, tentando convencer o arqueólogo de que aquela deveria ser a história que deveriam contar daqui pra frente. Daqui em diante, o major se recusou a dizer mais, o que deixou Hisoka um pouco mais sério no seu tom de voz, mas ao menos conseguiu ter assim a atenção do espadachim, que parou em meio ao pântano e começo a olhar para o professor. - His… Eu sei dessa história tanto quanto você. O plano para sequestrar a princesa partiu do Jovi, o que eu te disse mais cedo sobre a história de Thalassa Marin foi exatamente o que me foi contado, era exatamente tudo que eu sabia. E você está certo… Nós merecemos uma explicação.

Era perceptível a frustração nas palavras e feições de Rin que parecia estar travando uma batalha interna nesse momento para não explodir seus reais sentimentos. Hisoka não era treinado nesse tipo de análise psicológica ou comportamental de uma pessoa, mas se acreditasse que seu companheiro estava sendo sincero, o único nome que restaria na sua mente seria o de Jovi… Se tudo começou por ele, então ele é o único que pode ter a resposta disso tudo, e talvez seja por isso que o meio-mink está tão incomodado com a situação, afinal é difícil aceitar que um de seus companheiros pode ter te enganado esse tempo todo e está escondendo um segredo que custou a vida de tantas pessoas inocentes. Quando Rin voltou a caminhar em direção ao navio, Hisoka foi outra vez deixado para trás, mas agora podendo refletir um pouco sobre o que tudo isso significava…

A história do navio de Tenryuubitos no West Blue era verídica, Thalassa Marin de fato deve ser uma sobrevivente daquele incidente e seu sangue deve sim ser o de um Dragão Celestial, mas isso realmente importa? Se a família biológica dela morreu naquele navio, como seria possível provar quem ela realmente é ou então para quem Kaitto iria levá-la? A maneira como os príncipes Eduardo e Afonso parecem se preocupar com a irmã e todo o esquema criado pelo pai deles para manter a princesa a salvo parece não condizer com nada que foi apresentado para Hisoka horas atrás, sequer parece que está sendo falado do mesmo rei Lucas… O que realmente levou Jovi a sequestrar Thalassa Marin? O que é tão importante nela que vale a pena colocar a vida de seus companheiros em risco para obter? E onde o tal cubo que ela carrega desde pequena tem importância nessa história? Rin disse que ele pode ter sido o causador da tragédia no navio, então quem é mais importante, a princesa ou o cubo misterioso?

O professor não teria tanto tempo para pensar no assunto se continuasse a andar logo em seguida para o navio, visto que assim que chegasse ao convés ele iria se deparar com Helena coberta de sangue, lama e ferimentos profundos pelo corpo. Sem perder tempo, o arqueólogo se apressou para ajudar a comandante a carregá-la até a enfermaria da embarcação, tentando mantê-la consciente durante a rápida caminhada pelos corredores, mas a mulher parecia incapaz de manter os olhos abertos por mais do que alguns segundos. Hisoka estava prestes a chegar na porta da ala hospitalar quando viu Milla sair de lá carregando uma bolsa de equipamentos médicos e seguindo na direção dos príncipes que aparentemente estavam carregando o corpo ferido de Sam.

- O quê?! Helena! - Exclamou a enfermeira assim que seu nome foi gritado pelo professor. Dado o estado grave da comandante, a garota deu meia volta e seguiu até a espadachim para verificar de perto a saúde dela e também ajudar o arqueólogo a carregá-la até o seu quarto para onde Sam também estava sendo levado. - Droga, eu não serei capaz de cuidar dos dois ao mesmo tempo, e vou precisar da ajuda de toda a equipe médica para lidar com essas feridas. Me desculpem, mas precisarei deixar esse rapaz para depois. - Disse Milla preocupada com o que seria da vida do agente a partir de agora, pois sequer seria preciso muito esforço de Hisoka para que a enfermeira optasse em priorizar Helena, não apenas por ela estar em estado mais grave, mas também por ser sua amiga. - Vamos levá-la para o quarto dela, vamos precisar de espaço!

Com isso a rota da equipe médica mudava, ao invés de entrarem no dormitório das enfermeiras, eles carregaram a comandante para o próprio quarto dela. Para a sorte de Sam, Crisbella havia se voluntariado para cuidar dos ferimentos dele enquanto as especialistas estavam ocupadas com a cirurgia de emergência que seria feita em Helena, mas a verdade é que Hisoka pouco se importava com o desfecho que teria esse núcleo da ruiva, pois no momento todo o restante de suas energias estavam sendo usadas para ajudar a salvar a vida de sua líder.

- Hisoka, eu preciso que você fique aqui, talvez você vai ter que buscar alguém para nós. - Disse Milla no instante que a comandante foi colocada na cama e suas vestes começaram a ser rasgadas para dar visão de seus ferimentos. Com toda a tensão pela qual estava passando, talvez o professor não se importasse em ver o corpo nu de sua comandante, mas de qualquer forma qualquer constrangimento que viesse a sentir com a cena iria embora rapidamente devido a maturidade que precisava ter no momento. - Miyazaki-san, Hiramoto-san, qual é o tipo sanguíneo de vocês? - Perguntou Milla que recebeu um “F+” e um “X-” como resposta. Não era o que ela queria ouvir. - Droga, Helena é S+, precisamos de sangue S positivo ou negativo. His, procure alguém pelo navio que tenha esse tipo sanguíneo, nós precisamos urgentemente de um doador!

Assim que ouvisse aquilo, Hisoka saberia na mesma hora que não seria necessário tanto esforço, pois seu sangue também era S+. Oferecer seu próprio sangue para salvar a sua comandante era uma opção válida, mas o professor tinha também o total direito de omitir a informação sobre seu sangue e procurar alguém a bordo que pudesse fazer a doação no seu lugar. A decisão é dele, mas caso optasse por ficar e ser o doador, então a enfermeira Hiramoto iria até ele começar o procedimento da coleta e transferência do sangue, enquanto Milla e Miyazaki já estavam agindo para tratar e fechar as diversas feridas no corpo de Helena, priorizando aquelas mais profundas que poderiam ter atingido algum órgão interno.

- Muito obrigado, rapaz, essa é uma atitude muito heroica de sua parte. - Diria a enfermeira sorridente para Hisoka caso ele tivesse oferecido sua veia para ter o sangue retirado.

A partir daqui, o professor não teria muito o que fazer a não ser esperar a cirurgia acabar e o seu sangue não ser mais necessário, obviamente ele podia torcer para que tudo ocorresse bem, mas sequer conversar com as enfermeiras seria uma opção para passar o tempo já que poderia distraí-las. Aos poucos o cansaço e o tédio acabariam vencendo o arqueólogo e ele dormiria na poltrona onde havia sido colocado, a menos é claro, que ele esteja muito determinado em não deixar isso acontecer e só irá dormir no momento que tiver certeza que sua companheira está bem, não importa quantas horas isso leve.

No entanto se a opção do historiador for procurar por outro doador para priorizar a sua própria saúde ou qualquer outro motivo pessoal, então ele precisaria se apressar e correr pelo navio em busca de alguém que estivesse disposto a fazer esse papel, algo que pode demorar alguns minutos ou… jamais acontecer.




Crisbella



O retorno de Crisbella e Klaus ao Paradise Star veio acompanhado da família real de Ilusia e logo de cara eles já se adiantaram para cuidar dos ferimentos de Sam, levando-o até a enfermaria do navio para que alguém com o conhecimento avançado na área médica pudesse ajudá-lo. Milla se ofereceu de boa vontade para ajudar o rapaz sem nem ao menos fazer uma pergunta sobre quem ele era, para alguém como ela isso não importava, pois fazia parte do seu dever lutar pela vida. O problema no entanto surgiu pouco depois quando Hisoka apareceu carregando o corpo ensanguentado de Helena, não precisando de muita discussão para que a enfermeira priorizasse a saúde da líder do grupo. Contudo, Cris se dispôs a fazer o tratamento inicial de Sam, pedindo para que os príncipes levassem o agente até o quarto que foi liberado para eles e em seguida pediu para que fossem deixados a sós.

- Ok, obrigado pela ajuda, Crisbella. - Agradeceu Afonso logo depois de deixar Sam em uma das camas do dormitório.

- Hey, você, espadachim, pode me mostrar o navio? Farei os reparos, mas precisarei de madeira nova para minha habilidade funcionar. - Falou Eduardo para Klaus, que olhou para ele com frieza e sacudiu os ombros.

- Tsc, tanto faz. Se cuida, Bella, voltarei em breve. - Respondeu Klaus se despedindo da ruiva para ajudar os príncipes no trabalho voluntário de reparo do navio. Marin não estava com eles, pois a princesa precisava de uma refeição reforçada e por isso Lara a acompanhou até a cozinha do Paradise Star.

Agora que estavam sozinhos no quarto, Crisbella começou a limpar as queimaduras e demais feridas no corpo de Sam usando os itens médicos que trazia consigo. A batalha contra Jovi havia deixado bastante marcas, mas foi o estrago feito por Kaitto que daria mais trabalho para a ruiva. Sem uma anestesia geral o agente precisaria resistir com a própria determinação a dor de ter as feridas tratadas por Cris de maneira humilde com seu conhecimento em primeiros socorros. Ao menos teriam bastante tempo para conversar já que um corpo tão queimado assim não seria tratado com velocidade pelas mãos (feridas por sinal) de uma amadora.  

- No fundo eu tinha esperança de que vocês iriam conseguir… Parar o Kaitto. - Disse ele depois que a ruiva mencionou que a princesa havia sido salva. Ele resmungou um pouco da dor em seguida quando Crisbella começou a passar a pomada para queimaduras em seu ombro já limpo. Quando ela começou a passar o remédio nas costas de Sam, o assunto entre eles se tornou um pouco mais sério, mas mesmo assim ele sorriu momentos antes de responder. - Eu já estou fazendo isso, Cris… Já estou protegendo aquilo que mais amo. - E com isso, a pergunta que ela havia feito horas atrás havia sido respondida. - Eu preciso proteger a família Thalassa, preciso proteger o reino de Ilusia… Preciso protegê-la. Eu não me importo com o sangue que ela tem ou com a importância que ela pode ter, eu só me importo com quem ela é, com a importância que ela tem pra mim… No fim tudo sempre foi por causa dela, meu propósito, minha razão para começar a lutar e meu motivo para continuar lutando. Não me importo com o Governo Mundial ou com o título de agente que eu carrego… Eu nunca lutei por eles, eu sempre lutei por ela, tudo que fiz foi para conseguir me tornar forte o bastante para deixá-la segura… Mesmo me arrependendo de muitas das coisas que precisei fazer para chegar até aqui.

A declaração feita por Sam nesse momento estava recheada dos seus sentimentos pela princesa Marin, algo que Crisbella já havia suspeitando anteriormente. Com o corpo do agente limpo e coberto pela pomada para queimaduras, restava agora cobrí-lo com ataduras para proteger as feridas expostas, depois disso provavelmente uma bolsa de gelo para as feridas de soco no rosto seriam suficiente. A conversa com Sam poderia acabar despertando em Cris alguns pensamentos reflexivos a respeito do seu “motivo para lutar”, qual era o propósito da ruiva nisso tudo? Essa pequena guerra que acabou participando hoje e continuará presenciando daqui para frente, é realmente isso que ela quer para sua vida? Como isso poderia ajudá-la a encontrar Mirana? É realmente preciso fazer sacrifícios como Sam precisou fazer para proteger as pessoas que você ama?

- Você parece triste, Cris… Tem algo te incomodando, não é? Eu entendo, essa confusão que você presenciou hoje não parece ser algo que te agrada. Sinto muito por isso, obviamente eu tenho uma grande parcela de culpa no que aconteceu aqui, mas de qualquer forma não fomos nós que compramos essa briga. Para salvá-la eu teria enfrentado qualquer um, não importa quem seja. - Desabafou Sam como um pedido de desculpas, mas ao mesmo tempo uma forma de tentar justificar suas ações de hoje. - Você nem suspeitou que eu era um intruso, né? Haha, eu posso te ensinar uns truques se quiser, para pessoas como nós saber se disfarçar é bem importante. Ai! - Então ele sentiu uma dor no ombro cuja ferida estava mais séria e voltou a se deitar na cama onde estava. - Ok, mas primeiro eu preciso descansar… Você deveria fazer o mesmo, vai te fazer bem. E Cris, obrigado por tudo… Se não fosse por você tenho certeza que não estaria tendo essa conversa contigo agora. - Depois de dizer isso ele começou a fechar os olhos para dormir e já com os olhos fechados ele soltou essa com um sorriso sem-vergonha no rosto. - Queria dizer que aquele beijo não valeu, você me enganou, então se estiver interessada em repeti-lo estarei disponível para isso.




Rin



O meio-mink estava sentado em um banquinho do escuro cenário já bastante recorrente no dia de hoje, o porão do Paradise Star. Iluminado apenas pela luz de uma vela, o espadachim encarava o loiro com o rosto ensanguentado que estava caído no chão, ele parecia estar começando a acordar agora e tomou um pequeno susto ao ver o major encarando-o com seriedade.

- Wow, Rin… Que susto! Por que está tão sério? Não conseguiram recuperar a princesa? Onde ela está? - Perguntou Jovi olhando para os lados para verificar se Thalassa Marin havia retornado para esse calabouço.

- A princesa está bem. Ela retornará em breve para Ilusia com seus irmãos. - Respondeu de forma fria enquanto mantinha seu olhar congelante fixo no músico que arqueou as sobrancelhas assim que ouviu a afirmação do companheiro.

- O que? Não podemos deixar isso acontecer, se esqueceu do que o rei Lucas pode fazer com ela?! O Professor ainda não resolveu o mistério do cubo, precisamos dela aqui até que até que ela deixe escapar alguma informação importante. - Falou Jovi tentando voltar a ficar de pé, mas ainda estava um pouco tonto. - Ela ainda está aqui? Irei atrás dela e…

- Pare com isso, Jovi. - Interrompeu Rin sacando sua katana e a apontando para o pescoço do cantor famoso que por sinal era seu superior na patente do exército. - O que tínhamos para resolver em Ilusia já foi resolvido, os problemas familiares dos Thalassa não cabe ao Exército Revolucionário resolver.

- Você sabe apontar uma espada para seu comandante é…

- Foda-se a merda da sua patente! Não estou falando com o Comandante Jovi, estou falando com meu amigo. Nós não vamos mais nos intrometer nisso, olhe para o nosso navio! Perdemos Golias, todos os demais estão na enfermaria, Helena talvez nem consiga sobreviver e os refugiados que trouxemos para cá para proteger, quantos deles morreram por causa disso? Olhe nos meus olhos e diga, Jovi, você acha que vale a pena? - Havia firmeza na voz de Rin, mas ao mesmo tempo ele estava lutando para que suas emoções não explodissem fazendo-o chorar, afinal, isso poderia ter custado a vida de mais da metade dos seus amigos e agora ele ainda está apontando a espada para um dos poucos que restou.

- Não é tão simples quanto parece, Rin… Thalassa Marin, o cubo… É informação demais para você processar, tiraria o foco do seu trabalho como Revolucionário. Apenas entenda que tudo isso foram ordens que chegaram a mim vindo de cima… Muito de cima. - Explicou Jovi mantendo a calma nas palavras, não considerando a espada em seu pescoço como uma ameaça.

- Não foi isso que eu te perguntei, Jovi, eu não me importo com o que isso significa. Eu sei que é informação demais para mim e foi por isso mesmo que eu cortei a garganta do inimigo antes que ele fosse capaz de revelar. O que eu quero saber é… Vale a pena continuar colocando a vida de seus companheiros em risco para o sucesso dessa sua missão? - Questionou uma segunda vez com suas íris azuladas ainda firmes para encarar o comandante de frente.

- O que está em jogo aqui vai muito além da vida do nosso bando… Rin, se eu te contar, você seria capaz de acreditar que o mundo que conhecemos pode estar a beira de um colapso?

- Hã? Jovi… Que merda é essa que você tá falando? - Perguntou o meio-mink confuso com o que acabou de ouvir, então sua espada abaixou junto com a queda do seu braço estendido.

- Thalassa Marin é uma das chaves necessárias para o início do... apocalipse.


OFF:
 

HISTÓRICO DA AVENTURA:
 

FERIMENTOS:
 


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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyTer 07 Maio 2019, 18:41



Destinos Cruzados

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#Post 32


O tropel incendiava os corredores soturnos da embarcação à medida que as bifurcações e curvas das galerias atravessavam ligeiramente aos olhos dançantes, de pálpebras esgazeadas. Os arquejos estafantes irrompiam ininterruptamente os dentes cerrados, arreganhados em algia e exaustão, com requintes de apreensão. O corpo da comandante sacolejava em seus braços, ainda que os miócitos esforçassem-se ao máximo para mantê-la firme rente ao tronco. As madeixas cor de tição de Helena para lá e para cá, esvoaçantes ao rosto do professor, contemplando-lhe as narinas com o olor de sangue e suor; a fragrância da guerra.

– Milla! – As íris carmesins cintilaram, refletindo a silhueta da enfermeira a sua frente, de mãos abarrotadas de utensílios médicos; e de esperança.– O-... Ok! – Alento quente rasgando-lhe as coanas, onusto de labuta e sofrimento, mas não importava; cada gota de martírio havia valido a pena e nem mesmo a lassidão esculpida no cenho rorejado iria tirar-lhe a placidez expressa no sorriso singelo ao saber que Helena seria socorrida.

No quarto da comandante, enfim um pequeno momento para recuperar o fôlego. De veia saltando à têmpora e indicador transitando através do sobrolho direito, Hisoka demonstrava toda sua exaustão diante da carranca crispada, não somente física, como também mental. Ver o corpo desnudo de Helena até abrasou-lhe num frêmito de constrangimento, ruborizando as maçãs do rosto, mas a cena logo passou para segundo plano quando um alarido acerca de uma transfusão sanguínea foi instaurado no cômodo. O estômago arrefecia a medida que as respostas das enfermeiras não pareciam satisfazer Milla, que voluteou o pescoço para o arqueólogo numa última esperança. À glote desceu uma gota de saliva quase a seco assim que ouviu o tipo sanguíneo da comandante; ele podia ajudar.

– U-Usa o meu. – Os lábios entreabertos travaram ao passo que os olhos percorreram o ambiente obstúpidos; o professor assentiu sem sequer pensar nas consequências. Não era médico, mas era lógico inferir que, após tanto sangue perdido na guerra e diante de tanta fadiga, doar sangue poderia trazer-lhe desagradáveis corolários. Que seja. – Sou S+. – Afirmou resoluto, estreitando os olhos e vedando a mandíbula de forma a realçar os zigomáticos. As íris firmes em Milla então rolariam até o rosto pálido da comandante jacente. – Não... Ela que é nossa heroína. – Voluteou a cerviz por cima do ombro, respondendo à enfermeira enquanto moldava os beiços num sorriso sem dentes.

Não estava mentindo. Hisoka viu com os próprios olhos a força do adversário de Helena. Para ela voltar tão ferida, ele certamente era um oponente com poder suficiente para dizimar todos os Revolucionários – sem mencionar os outros inimigos. Izzy tê-lo enfrentado e vencido foi crucial para que a célula saísse vitoriosa, ainda que sacrifícios tenham sido deixados pelo caminho, como Montanha. Ao pensar nisso, o historiador relembrou o brilho flavo nas íris da comandante, amalgamados de gáudio e melancolia. Era como se estivesse amentando os bons momentos que tivera com o companheiro; o regojizo destes momentos, e a mágoa por saber que não os viveria nunca mais.

Pressionaria os orbiculares de leve ao sentir a pontada da agulha; perto dos suplícios que tivera hoje, aquilo seria como uma mera picada de um pernilongo. De braço direito esticado e mento apoiado sobre a palma esquerda, permitiria que a cabeça inclinada observasse as nuances da cirurgia ao passo que o líquido vital percorresse o tubo que ligava-o à Izzy, tingindo-o gradualmente em cetrino. Com o passar do tempo, as pálpebras tornariam-se cada vez mais pesadas, talvez pelo cansaço, talvez pelo sangue esvaindo. À mente assomaria a resposta de Rin mais cedo; algo dizia-lhe que ele mentira. Por quê? Contudo, antes que pudesse pensar numa resposta, os cílios se tocariam e a consciência seria entregue à psique num merecido repouso.

...


Piscadela a piscadela, os cristalinos habituariam-se pouco a pouco, esforçando-se junto às pupilas para entregar a imagem perfeita do ambiente. Os olhos, combalidos sobre as olheiras marcantes na pele oleosa, agitariam-se lá e cá vagarosamente ao passo que os sentidos, em conjunto, informariam-no as entrelinhas do recinto. Os lábios mirrados balbuciariam em gemidos inconscientes e a boca seca forçaria uma sorvida, captando o hálito em mormaço, recém despertado.

– Urgh... – A palma da mão deslizaria pelo rosto, de baixo a cima, arrastando as marrafas que outrora descansavam rente à face untuosa. Um suspiro então irromperia a modorra e, de tronco vergado à frente, volutearia o pescoço, buscando fotografar a comandante com suas retinas. – Se sente melhor...? – Indagaria de voz alquebrada se ela estivesse acordada. – Que ótimo... – Os bucinadores entesariam paulatinamente, bordando um sorriso vexado, ainda cheio de preguiça externamente; mas repleto de sossego em sua cerne. – Agora sim... – Suspiraria de cabeça baixa, deixando que o cabelo caísse sobre todo o rosto. – ... Agora sim acabou, Helena. – Enfim suspenderia a cabeça mais uma vez, arreganhando os dentes álacres a Izzy.

Se a comandante ainda estivesse repousando, Hisoka levantaria da poltrona, levaria os braços ao teto e flectiria a coluna, de boca em bocejo, num completo espreguiço. Sentiria cada estralar de ossos, relaxantes como nunca. Em passos lentos, praticamente arrastaria o corpo em direção da Revolucionária. De beiços franzidos e olhar combalido, demonstraria sua frustração ao vê-la ainda inconsciente. A cabeça, então, tatearia os arredores sem pretensão alguma, até enfim suspirar esmorecido, mordiscando o lábio inferior.

– Vai ficar tudo bem... – Diria em baixo tom, pouco antes de deslizar sua poltrona pelo assoalho até próxima à cama de Izzy. – Vai ficar tudo bem... – Voltaria a sentar, agora repousando ternamente o rosto propínquo ao ombro de Helena. Os olhos piscariam, sem lacrarem novamente, até focarem em qualquer coisa no ambiente que distraíssem-no enquanto ficaria à espera do despertar da companheira, momento em que dialogaria com ela.

Histórico:
 

Informações do Personagem:
 

Objetivos:
 


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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyQua 08 Maio 2019, 15:03

SUNSHINE
Capítulo III: Destinos Cruzados


Com a ajuda dos príncipes e de Klaus, conseguimos levar Sam a um local seguro para iniciar um tratamento mais adequado a seus ferimentos. O quarto de Milla não me parecia tão diferente dos outros que eu já tinha visto no navio, talvez diferente mesmo fosse a cabine da capitã Helena. - Eu que agradeço, Afonso. - Disse ao rapaz loiro antes dele, Klaus e o Eduardo saírem do quarto, aparentemente eles tinham trabalho a fazer para recuperar o navio e deixá-lo apto a navegar em alto mar novamente. Com um sorriso, acenei positivamente com a cabeça pra Klaus. - Tudo bem, ficarei por aqui. - Diria ao meu companheiro mais antigo de viagem, estranhei sua maneira desapegada e um pouco fria comigo, mas talvez ele estivesse apenas cansado depois de tanta luta e loucura naquela embarcação. Sorrindo de canto, o observei sair do recinto.

Logo voltei minhas energias a Sam, ele precisava de mais apoio e amparo naquela hora e, tendo a privacidade de ficar a sós com ele era uma grande oportunidade para conversarmos mais a respeito de nossas decisões passadas. Ele me agradeceu ao ouvir que a princesa estava bem, estava a salvo e que Kaitto havia sido derrotado. Enquanto eu movia meus dedos delicadamente sobre sua pele queimada, conversávamos a respeito do que seria feito a partir de agora. Sabia que Sam jamais se integraria aos revolucionários após as atrocidades que cometeram… Mas também não queria que ele continuasse com o posto de um agente, cão do Governo. Talvez fosse egoísmo meu achar que o destino traçado de Sam pudesse se moldar a partir de um desejo de alguém como eu, os deuses não agiam assim e eu sabia disso, mas as vezes era difícil compreender. Eu ouvia as palavras do rapaz a respeito de sua luta, seu amor pela princesa o fazia levantar das piores situações e encará-las com a força de um leão. Eu dei um pequeno sorriso a ele ao ouvir aquilo, aquela admiração cega e quase idólatra era perigosa, mas eu achava até certo ponto, algo raro e puro.

- Eu consigo entender… Nem sempre as coisas acontecem como queremos e acabamos nos tornando monstros por falta de escolha… Embora eu nunca tenha me saído tanto de mim a esse ponto, vi pessoas boas e amáveis com sorrisos quentes e olhos cheios de ódio… Me sinto mal por eles, por todos aqueles que perderam suas vidas hoje… Pessoas boas, pessoas que me ajudaram e eu não pude fazer nada… - A imagem da cabeça de Daario rolando sobre o chão do banheiro do navio, o abraço e consolo de Hisoka sobre mim e horas mais tarde, seu ódio e desgosto ao matar um agente sufocado a sangue frio vieram a tona em minha mente. Tentei fechar os olhos e esquecer aquelas cenas horríveis e a sensação de medo constante que eu senti naquele navio. De algum modo, o Paradise Star não me era mais um local acolhedor, me assustava ter de ficar sobre aquelas paredes.

Após minhas palavras, Sam pode ter percebido a minha voz melancólica e logo se colocou a disposição de algo mais interessante. De fato, eu não havia suspeitado de seu disfarce e aquela habilidade dele me parecia útil. - Adoraria aprender, mas você de fato precisa descansar… Irei ajudar o pessoal da área médica e descansar também, mais tarde nos encontramos. - Diria ao final do tratamento no rapaz enquanto juntava os itens médicos dali. Organizando o kit que eu tinha, contando os objetos, me dirigiria para a porta antes de ouvir ele falar novamente.

Senti meu rosto corar por inteiro ao ele citar o beijo que eu havia dado a ele horas antes. Um arrepio subiu pela minha espinha ao lembrar a sensação e do toque dos lábios de Sam sobre os meus. - N-N-N-Não conte com isso!- Disse de maneira alta e abrupta enquanto abria a porta do quarto e saia do mesmo apressadamente. Enconstei sobre a porta fechada, respirando fundo, buscando alimentar meus pulmões com ar antes de me voltar ao corredor. Eu estava cansada, mas ainda haviam muitas coisas a serem feitas naquele barco e eu não podia simplesmente deixar todos de mãos abanando por conta da fadiga. Respiraria fundo e dirigiria meus passos novamente a ala médica, chegando ao local com um sorriso tímido, olharia para as enfermeiras. - E-Eu tenho poucos conhecimentos mas, e-eu posso ajudar!- Olharia para quem me ouvisse com um sorriso no rosto e logo me pre disponibilizaria a ajudar quem estivesse mais precisando no momento.


-x-


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Berlique
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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyQui 09 Maio 2019, 02:08



As consequências da guerra





Hisoka



Mesmo em um estado extremo de cansaço, Hisoka nem titubeou na hora de oferecer seu próprio sangue à comandante que estava precisando urgentemente de uma transfusão. O professor tivera ao longo desse dia de guerra uma série de ferimentos, alguns que chegaram a sangrar por bastante tempo, mas mesmo assim ele se dispôs a ser o doador de Helena. Quando ouviu que o arqueólogo estava se oferecendo para esse trabalho, Milla olhou para ele com uma certa insegurança, pois ela sabia que no estado atual do professor ele poderia acabar sofrendo algumas pequenas consequências… Mas ao mesmo tempo ela também sabia que talvez não houvesse outra pessoa com o sangue compatível ao da espadachim, visto que é um dos mais difíceis de se conseguir um doador.

- Hisoka você tem… Ok, tudo bem, comece o procedimento de transfusão, quanto antes tivermos o sangue melhor. - Disse Milla quase questionando a decisão de Hisoka, mas antes mesmo de completar a pergunta ela já havia visto a determinação nos olhos do professor, permitindo que ele prosseguisse com sua decisão, afinal ele poderia ser o único a bordo com o sangue compatível para essa função.

A enfermeira de nome Miyazaki, uma senhora que já tem um pouco de idade, foi a responsável por fazer a transfusão do sangue no professor, este que por já estar bastante cansado por causa de toda a confusão do dia de hoje acabou caindo no sono alguns minutos depois de seu vigor começar a ser tirado de dentro do seu corpo. Tamanho era o desgaste do arqueólogo, que ao fechar os olhos sequer chegou a sonhar, ou talvez não se lembrou mais do que teria vivido no mundo dos sonhos quando suas pálpebras se levantaram e sua maior preocupação no momento era saber se Helena estava bem. O rapaz chegou a perguntar se ela estava se sentindo bem, mas a espadachim não havia ainda recobrado a consciência, ao menos os aparelhos cardíacos que foram movidos para o quarto da comandante indicavam que seu coração ainda batia.

- Oh, His, desculpe tê-lo deixado dormindo nessa poltrona, você estava tão cansado que achamos melhor não te acordar. - Disse Milla ao ver que o professor havia acordado do seu sono.

A enfermeira era a única além dos dois que ainda estava no quarto, era visível em sua face o cansaço que ela carregava depois de tanto trabalho e provavelmente ela sequer havia dormido depois de tudo. A bolsa contendo o sangue de Hisoka estava pendurada ao lado de Helena e no momento já estava quase que vazia, indicando que um bom tempo havia se passado desde então. A espadachim inconsciente estava com curativos cobrindo suas diversas feridas já devidamente tratadas, porém a quantidade de sangue que ainda não foi limpado da cama e do corpo de Helana indicavam que a cirurgia deve ter sido bem intensa e a comandante precisaria de um tempo para se recuperar, por isso não havia acordado ainda. Falando em cansaço, mesmo depois de ter dormido essas horas, o professor não estava se sentindo completamente disposto, seu corpo ainda estava pesado e sua cabeça doía tanto quanto seu estômago vazio.

- Deu tudo certo na cirurgia, nenhum de seus órgãos vitais foi atingido, o grande problema era estancar a hemorragia… Sim, ela ficará bem. - Falou Milla com a voz fraca, era claro que a garota precisava descansar como todos os seus pacientes a bordo, mas sendo uma das poucas capazes de ajudar os tripulantes, era difícil para ela deitar sem temer que alguém pudesse precisar da sua ajuda. - Pode deixá-la comigo, você precisa comer e tomar um banho…

Talvez Hisoka se recusasse a sair do quarto enquanto Helena não acordasse ou até mesmo tentasse convencer Milla a deixar o ambiente para descansar, afinal ela também precisa cumprir as necessidades básicas do corpo humano, caso contrário será ela que precisará de ajuda em breve. De qualquer maneira, não demoraria muito para que Rin abrisse a porta do quarto e chamasse o professor para acompanhá-lo, fazendo assim com que suas possíveis ações anteriores fossem interrompidas.

- Hisoka, preciso falar com você… É algo sério. - Diria ele com seus olhos azuis transparecendo com clareza a sua afirmação final. - Milla, você precisa descansar, pedirei para que alguém fique aqui fazendo companhia à comandante, se algo acontecer nós iremos até você. - Completaria o Major caso fosse de interesse do arqueólogo ouvir essas palavras para poder se retirar do quarto com mais tranquilidade.

Quando Hisoka seguisse Rin para os corredores do Paradise Star, o meio-mink caminharia em silêncio com o arqueólogo em direção a cozinha, era importante que ele fizesse uma refeição e nesse momento o major sabia que o lugar estaria vazio por não ser horário de almoço. O lado ruim disso é que a comida já não estaria tão fresca, além também de não ter sido preparada por Shizuo, e sim seus ajudantes de cozinha, o que não tornava os pratos ruins, mas um pouco menos saborosos.

- Sirva-se e sente-se, preciso que me ouça com atenção e acho que de barriga cheia você vai entender melhor. - Disse o espadachim assim que chegaram ao local. Ele se certificou em trancar a porta para que ninguém aparecesse para atrapalhá-los. Depois que o professor já tivesse dado as suas primeiras garfadas na comida, Rin respiraria fundo e ainda mantendo o semblante fechado começaria a falar: - Então… Pode parecer um pouco absurdo e difícil de acreditar, mas a história que Jovi me contou… A história por trás de Thalassa Marin… Bem, ele não me deu muitos detalhes, mas disse que era uma ordem vinda de pessoas do alto escalão do exército. - Nesse momento era visível o desconforto do meio-mink para falar do assunto, mostrando claros sinais de nervosismo e ansiedade ao mover demais suas mãos e outras partes do corpo. - As palavras que ele me disse foram exatamente essas: “Thalassa Marin é uma das chaves necessárias para o início do apocalipse”. Eu não sei se ele está sendo literal ou fazendo uma metáfora a uma grande guerra que pode explodir por causa dessa mulher, ele não tem permissão para falar… Mas eu conheço o Jovi bem o bastante para saber que ele está falando sério, mesmo que a informação que chegou para ele seja uma mentira, ele está seguindo como se fosse uma verdade, e não irá voltar atrás na missão que lhe foi dada. - Nesse momento Rin puxou das vestes um punhal prateado e colocou em cima da mesa onde ele e Hisoka estavam sentados. A arma branca foi arrastada em direção a Hisoka. - Ele não vai deixar a princesa sair desse navio, e com todos os nossos tripulantes incapacitados, somos os únicos que pode fazer esse trabalho… Matar os príncipes e o agente sobrevivente.

O choque de ouvir essas palavras sendo ditas pelo seu companheiro com tamanha seriedade poderia fazer o historiador engasgar com a sua refeição. Não era um tipo de brincadeira ou piada, a missão que estava sendo dada para ele nesse momento era realmente a de assassinar pessoas a sangue frio. Ok, Hisoka poderia ter suas diferenças com Sam e o considerar culpado, mas seria capaz de matá-lo dessa forma agora que a “poeira baixou”? Talvez se fosse apenas ele seria diferente, mas os príncipes são inocentes nessa história. O professor já havia visto Rin matar um inimigo bem na sua frente e ele próprio já fez isso durante a batalha, só que agora a situação era completamente diferente, não havia mais o calor do momento para lhe dar a coragem necessária de tirar uma vida… Não era essa a diferença entre eles e os agentes assassino do governo? Realizar esse trabalho sujo seria o mesmo que dizer que eles são iguais.

- Seu alvo será o Sam, Jovi cuidará dos outros dois quando a hora chegar… O importante é que seja feito ao mesmo tempo, caso contrário dará chance de algum deles revidar ou de alguma forma escapar com a princesa. - Explicou Rin que Hisoka rapidamente iria notar que não se incluiu no assassinato. - Desculpe passar essa responsabilidade para você, mas eu fiz uma promessa… Dei a minha palavra que os deixaria partir. - O meio-mink cerrou os punhos com força logo depois disso. Esse seria o momento que o professor teria a oportunidade de dar a sua resposta, fosse ela aceitando ou recusando a ordem de assassinato. Se aceitasse, Rin fecharia os olhos em um sinal de desaponto e levantaria da mesa indo em direção a saída. - Será no convés durante o fim da tarde quando eles estiverem se preparando para ir embora. - Entretanto, se o arqueólogo recusasse, Rin abriria um sorriso de canto, pois era a resposta que ele queria ouvir. - Ótimo, era o que eu esperava ouvir de você. Então, preste atenção, professor, pois então teremos que ajudá-los a fugir… Você é bom em correr?

A partir daqui, se Hisoka tivesse recusado seguir o plano de Jovi, Rin explicaria para ele como iriam fazer para ajudar a família real a fugir do navio com segurança, mas para fazer isso seria importante que o professor soubesse o jeito certo de correr, portanto se dispôs a treiná-lo no convés durante a tarde para que o plano ocorresse bem. Enquanto o meio-mink explicava a sua ideia para enganar o atual comandante, a dupla poderia dar algumas boas risadas imaginando como seria ser. No fim, quando Hisoka terminasse de comer, eles poderiam voltar para os corredores, como disseram que colocariam alguém com Helena para que Milla pudesse descansar, ir até a enfermaria era o próximo objetivo deles… Mas só depois que o professor tomasse um banho, pois ele ainda estava completamente sujo de lama e sangue.

E ah, o almoço do dia foi peixe frito com acompanhamento arroz e verduras cozidas no vapor (brócolis e cenoura), estava gostoso, mas como foi preparado pelos ajudantes de cozinha e não pelo chef, ela não estava no mesmo padrão do que normalmente eles comem no Paradise Star.




Crisbella



A conversa que Crisbella teve com Sam enquanto tratava dos ferimentos dele acabou fazendo a garota lembrar de todos os sentimentos ruins que passou dentro desse navio em um único dia dentro dele. Estar dentro do Exército Revolucionário significa viver esse tipo de situação todos os dias? É isso que acontece quando se está no meio do fogo cruzado de uma guerra? Rapidamente a cabeça da ruiva já começou a se questionar se continuar dentro do Paradise Star valia mesmo a pena… Ou se continuar atuando como uma revolucionária era de fato o caminho que ela deveria fazer. Lutar a guerra dos outros iria ajudá-la a chegar até Mirana ou iria apenas fazê-la perder o foco do que realmente importa para ela? Não é como se o coração puro de Crisbella não desejasse mudar o mundo, mas a experiência que viveu hoje pode acabar fazendo-a acreditar que talvez isso seja um objetivo utópico e inalcançável…

Quando o agente sugeriu ensiná-la sobre a arte do disfarce e depois ainda conseguiu encaixar um momento para pedir um beijo, Cris acabou ficando um pouco menos negativa, se animou um pouco com a aula que poderia receber e se constrangeu com a cantada momentos antes de sair pela porta e deixar Sam para trás. Ela retornaria depois que o rapaz já tivesse descansado. Assim que entrasse na enfermaria, Crisbella veria a enfermaria sem as enfermeiras, apenas alguns dos refugiados voluntários a ajudar estavam presentes, porém nenhum dos pacientes deitados nas camas havia acordado ainda, portanto não tinha o que ela pudesse fazer ali, talvez voltando mais tarde… Até porque a garota ainda estava com o corpo todo cheio da lama de Berlinque.

- Talvez você tenha conhecimento mesmo, mas suja desse jeito você pode acabar passando uma infecção para eles. - Disse uma mulher que estava dentro do quarto hospitalar como ajuda voluntária. Nesse momento Cris poderia lembrar de Sam, que teve todas as feridas tratadas com ela desse jeito… Bem, ele aguentou até aqui, não vai ser uma sujeirinha que vai fazer mal pra ele.

Talvez a preocupação da ruiva para o estado de Helena poderia ser constante, afinal ela chegou a ver como a comandante estava ferida quando Hisoka a trouxe para ser atendida. De qualquer forma, por enquanto o melhor que ela poderia fazer era de fato tomar um banho para limpar o corpo sujo de lama, algo que não demoraria muito tempo para ser feito, porém o caminho até o banheiro poderia ser um pouco perturbador… Alguém já havia retirado os cadáveres dos corredores, mas o sangue ainda estava manchando as paredes e em alguns pontos até o teto que no passado estava gotejando tal líquido rubro. O sol mal havia nascido e já tinha horas desde a última refeição de Crisbella, mas é certo que depois disso tudo será difícil ela voltar a sentir fome tão cedo.

Depois que a ruiva já tivesse tomado seu banho e trocado suas vestes, ela poderia voltar para a enfermaria para ver se seus companheiros estavam precisando de ajuda, além de quem sabe ter algum resultado por parte das enfermeiras caso a cirurgia de Helena já tivesse acabado. Entretanto, no caminho de volta para a ala médica do navio, logo quando fechou a porta do seu quarto, Cris foi surpreendida pela aparição de Klaus trazendo em uma das mãos o Sr. Bigodes. Já havia um tempo que a ruiva não via o seu coelho de pelúcia e era até engraçado pensar que dentro desse navio até mesmo um brinquedo podia dar trabalho. Depois que o item estivesse novamente nas mãos de sua dona, Klaus sorriria para ela e afagaria o topo da sua cabeça entrelaçando seus dedos em seus fios de cabelo alaranjados.

- Você o perdeu pouco depois de chegarmos aqui… Talvez agora isso signifique alguma coisa. - Disse Klaus de maneira enigmática para que ela concluísse por ela mesma o que ele queria dizer. Ambos já haviam tomado e estavam com vestes limpas, porém nenhum dos dois chegou a dormir para repor as energias perdidas, e era notável para o espadachim o cansaço nos olhos de sua companheira. - Você deveria dormir, Bella… Eu pelo menos estou exausto, se não for para cama agora vou acabar desmaiando. Queria poder ajudar mais, mas ao menos já ajudei os príncipes com os reparos do navio. - Diferente de Klaus, Cris já havia dormido um pouco no dia de hoje, ainda que por efeito do seu sonífero, mas talvez fosse por isso que a ruiva ainda estava com disposição enquanto todos os outros já não estavam mais se aguentando em pé. Se a ruiva de fato quisesse continuar na ativa, então Klaus sorriria para ela e acenaria em despedida, retornando para o seu quarto em seguida. - Tudo bem, te encontro daqui algumas horas. Se precisar de mim pode me acordar… E Bella, você ter sobrevivido a tudo isso hoje, acho que no fundo eu subestimei um pouco você, assim como você mesma se subestima… Você é mais forte do que você pensa. - Então sem deixar que a amiga fizesse algum tipo de contato físico ou agradecimento muito meloso, Klaus apenas piscou para ela com um sorriso de leve e deu meia volta para caminhar em direção ao seu quarto.

Após a saída de Klaus, Cris provavelmente guardaria o Sr. Bigodes no seu quarto, mas poderia continuar com ele durante o caminho para a enfermaria se assim preferisse. Chegando no recinto, diferente da outra vez, agora a ruiva encontraria Pepper tentando se levantar da cama, mas sendo impedido por alguns refugiados de realizar tal ação, pois de acordo com eles as enfermeiras precisam dar a autorização para os feridos poderem sair do local. Conhecendo por alto a personalidade do cozinheiro, Crisbella já sabia que o ruivo iria provocar uma confusão devido seu pavio curto.

- Eu tenho que fazer a comida dessa caralha de navio, aqueles idiotas não sabem cozinhar vão botar fogo na cozinha! Me solta, porra! - Xingou Shizuo em alto tom tentando se libertar das mãos que não o deixavam sair da cama.

- Senhor, você ainda precisa ficar de repouso, seu ferimento não está totalmente cicatrizado e os pontos ainda podem abrir se você… Oh, olha aí, tá sangrando! E agora, o que que a gente faz? - Disse aquela moça que pediu anteriormente para Cris ir tomar um banho. Com a ruiva retornando ao local, talvez agora fosse a hora dela agir para cuidar da ferida de Shizuo abrindo os pontos.

- Arghhh! Droga, que dor! - Resmungou o cozinheiro levando as mãos na barriga e deitando na cama para agonizar de dor. Se Crisbella viesse até ele para ajudar com seu conhecimento de primeiros socorros, o rapaz não falaria nada, apenas deixaria a garota fazer o trabalho. - Tsc… Obrigado. - Agradeceria no final se recusando a voltar a tentar se levantar, parecia mais calmo agora e aparentemente aceitou que deveria continuar ali por mais um tempo. Se houvesse contato visual com a menina, Shizuo iria desviar os olhos para uma outra direção.




Enfermaria



Cris acabaria passando um tempo dentro da enfermaria, chegou a presenciar o momento onde as enfermeiras Miyazaki e Hiramoto retornaram ao local para cuidar dos seus pacientes, seria então que ela receberia a notícia positiva de que a cirurgia de Helena ocorreu bem e graças ao sangue de Hisoka ela não teria maiores problemas, agora dependia apenas da força de vontade dela para conseguir se recuperar. A essa hora, Hisoka já estaria indo na direção da enfermaria procurar um substituto para ficar no lugar de Milla no quarto da Helena, assim a garota poderia ter algumas horas de descanso, porém, antes mesmo do arqueólogo chegar perto da porta, ele já poderia ouvir de longe os gritos desesperados de uma mulher. Os gritos vinham da ala hospitalar.

- NÃO, NÃO, NÃO! ME SOLTA, SAI DE PERTO DE MIM! - Era a voz de Fennik.

Crisbella, que já estava lá dentro com os demais voluntários e as enfermeiras, seria uma das pessoas que estaria tentando impedir Katherine de sair de sua cama. De acordo com as enfermeiras a cirurgia dela foi uma das mais sérias e ela precisava de extremo repouso para que não houvessem maiores complicações. His não sabia o que estava acontecendo, mas provavelmente ele aceleraria o passo ao identificar de quem era a voz a berrar dessa maneira. Assim que chegasse a enfermaria, seria difícil para o professor entender o que estava acontecendo ali, pois não apenas a cama de Fennik, mas a de Gear também estava rodeada de pessoas tentando acalmá-las.

- Eu não vou ficar aqui do lado dessa louca! Você sabe quem sou eu? Meu nome é McAnic Gine! Meu pai é dono da McAnic Tech e eu vou mandar ele fechar esse hospital nojento se continuarem me tratando desse jeito! TIRE A MÃO DE MIM, PLEBEU! - Gritou Gear empurrando um dos refugiados que tentavam impedi-la de levantar. Agora que as queimaduras do raio já foram tratadas, era possível ver por algumas partes do corpo da engenheira umas marcas estranhas que lembravam raízes de árvore, o nome exato para isso é “Lichtenberg figure”, mas seria difícil saber disso sem conhecimento médico ou anatômico. - Eu quero meus pais aqui agora, ouviram?! Uma criança não pode ficar em um hospital sem um responsável. E deem um jeito nessa louca, por favor!

Lichtenberg Figure:
 

O comportamento estranho de Gear certamente chamaria a atenção de Hisoka e nesse momento Crisbella já teria junto com as enfermeiras descoberto o diagnóstico da engenheira. A maneira como ela ela estava se comportando dava indícios de que a mecânica poderia estar delirando achando que estava em um hospital ao invés do Paradise Star, porém a maneira como ela tratou as pessoas a sua volta com inferioridade não parecia nem o pouco algo que a Gear que ele conhece faria… Mas o que mais chamaria atenção do professor era o fato da engenheira estar chamando Fennik de louca, dando a insinuar que nem mesmo sabia quem ela era, sendo que as duas são grandes amigas. E como assim “uma criança”?

Por mais que as falas confusas de Gear - que pela primeira vez Hisoka estava ouvindo seu verdadeiro nome - pudessem chamar a atenção do professor por um momento, seria em Katherine que sua maior atenção estaria focada. A jovem bárbara estava desesperada tentando sair de sua cama, mas um grande número de pessoas estavam fazendo de tudo para que ela não cometesse essa loucura, nada parecia conseguir acalmá-la, e muito menos pará-la, pois a mulher era forte e estava jogando para longe qualquer um que aparecia para segurá-la.

- NÃO SE APROXIMEM DE MIM, ME DEIXEM FAZER! - Gritou ela com a fúria queimando em seus olhos, e o único motivo pelo qual as pessoas seriam obrigadas a deixar de se aproximar dela foi por ela ter quebrado um vaso de planta que havia ao lado da sua cama e usado um dos pedaços para ameaçar quem chegasse perto.

- Srta. Katherine, por favor, eu já te expliquei você não pode mais… - Começou a enfermeira Miyazaki a dizer para sua paciente, que a ignorou por completo e continuou gritando para interrompê-la.

- CALA A BOCA! Eu não me importo, apenas não me impeça! - Falou Fennik em alto tom, parecia determinada em sair da cama e ninguém poderia impedi-la, mesmo que isso pudesse fazer mal a sua saúde. Hisoka poderia se perguntar o que motivo para ela querer tanto assim se levantar, talvez ir ver Helena? As duas eram bem próximas afinal. Caso o professor tentasse alguma coisa achando que com ele seria diferente, bem, não seria, ela apontaria o pedaço afiado de porcelana para ele também. - NÃO. ME. IMPEÇA!

- Foda-se… Eu não consigo ficar aqui vendo isso. - Disse Shizuo levantando da sua cama com uma expressão de sofrimento no rosto, algo estava lhe trazendo dor. Na situação atual, ninguém estava preocupado em tentar impedi-lo de sair da enfermaria, portanto ele fez isso tranquilamente.

Enquanto Katherine fazia um absurdo esforço para mover seu corpo e ficar sentada na borda da cama, algumas pessoas mais sensíveis já começariam neste momento a deixar escapar algumas lágrimas, estavam se emocionando ao ver a determinação da garota em fazer algo que todos estavam a impedindo de fazer para o seu próprio bem. Fennik olhou para o chão, fechou os olhos e respirou fundo, jogando-se por completo para frente e deixando que seus pés tocassem o chão… E então seu corpo todo despencou na madeira fria, suas pernas não foram capazes de sustentar seu peso. O som do estalo da revolucionária caindo direto no chão foi sucedido por um silêncio de alguns segundos, este que foi quebrado pelo choro da própria Fennik, que encostou a testa na madeira enquanto começava a se debulhar em lágrimas.

Com as costas apontando para cima, a roupa de paciente que Katherine estava vestindo acabava deixando revelar a enorme cicatriz que cortava diagonalmente a região das suas vértebras. Por ter chegado depois, Hisoka ainda não teria ouvido a notícia da boca das enfermeiras, mas não era mais necessário tendo em vista o estado em que sua companheira se encontrava agora caída no chão. Talvez o professor fosse o primeiro a dar um passo à frente e ir até Fennik para lhe dar o apoio necessário, mas um abraço era tudo que ela precisava de fato nesse momento.

- Eu perdi tudo, Hisoka… Eu perdi tudo! - Choraria ela no ombro do arqueólogo, amassando sua camisa com os dedos em um sinal de frustração.

Spoiler:
 

Era fácil para ele interpretar o que Katherine estava querendo dizer com essa frase, pois foi ela a pessoa que lhe ensinou a arte da acrobacia. Ele sabia o quão talentosa e ágil a revolucionária Fennik era, sabia das coisas que ela podia fazer e do quão perigosa ela podia ser… Mas essa batalha lhe custou caro, suas pernas lhe foram tiradas, e sem poder mais usá-las, os dias de terror da tão temida Viúva Negra chegaram ao fim.


OFF:
 

HISTÓRICO DA AVENTURA:
 

FERIMENTOS:
 


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Destinos Cruzados

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#Post 33


Logo que as pálpebras pesadas foram deslacradas, os espaços entremeados dos cílios abriram alas às madeixas umbríferas de Milla, tão negras quanto tição, que balouçavam lá e cá à medida que a enfermeira passeava pelo quarto. Ouvir sua doce voz era um santo remédio para o arqueólogo, que já abria um sorriso singelo, onusto de timidez. Ele balançaria a cabeça em negação vagarosamente ao ouvir suas desculpas e, fitando-a com seus olhos escarlates, responderia sem pestanejar, não deixando-a sorver o ar da culpa:

– Não se preocupe... Foi um dos melhores descansos que já tive. – De mão esquerda sobre os lábios, tapando o fétido hálito matinal, abafaria um riso ainda sem forças, brincando com seu repouso após a árdua guerra; e que guerra. – Ela vai ficar bem...? – Ao passo que o pescoço voluteasse até Helena, o sorriso desmancharia como areia em água; paulatinamente. Vê-la naquela situação, abatida, era desolador. Ainda que a ponderação de Milla fosse positiva, ficava um amargor no peito; e se ela não se recuperar?

As íris, até então imotas na comandante, enfim teriam aquele rosto jacente desfocado em razão dos cristalinos. Um suspiro e um franzir de lábios então bastaram para que o historiador aceitasse sua situação. Não era um rapaz religioso, tampouco tinha superstições, mas, nessas circunstâncias, restava-lhe apenas entregar as esperanças ao destino. Não estava mais em suas mãos, nem nas mãos de Milla ou das demais enfermeiras. Era Helena e seu vigor, lutando bravamente contra a libitina que ousara pôr as mãos em sua alma; mas ela venceria, pois não havia ninguém mais indômita que Izzy, e Hisoka sabia disso.

– Ei... – Crisparia a glabela, esforçando-se para erguer o corpo da poltrona ao notar o aspecto fadigado de Milla; sua pele pálida, seus olhos profundos, seu esgar lasso. De pé, agarraria seus ombros com suas mãos repletas de ternura, amparando-a. – Vá descansar. Vou chamar alguém para ficar com Helena, tudo bem? – Os sobrolhos hasteariam, acompanhados de um breve riso sem dentes; cantos de lábios meramente entesados à medida que a cabeça sacudiria de cima a baixo, bem devagar, em tom sugestivo e voz fleumática. – Estou muito orgulhoso de você... – O brilho da dentina enfim surgiria; orbiculares tensionados como nunca num sorriso repleno de sinceridade. Ver Milla evoluir daquela garota acanhada, que tiritava às menores atitudes, para esta brava guerreira que liderou a ala médica e salvou tantas vidas não tem preço; e palavra alguma de gratidão seria capaz de retribuir tamanha labuta.

Com seus dermatóglifos captando as nuances das maçãs do rosto da garota, Hisoka finalizaria o curto ínterim com um abraço apertado. Estava vergonhoso, pois sabia que seu hircismo exalava a milhas; se já fedia antes de dormir, quem dirá após umas horas de repouso. Mas pouco importava. Colocaria suas expectativas no regojizo do momento que, para ele, tratava-se de um merecido presente depois da batalha atroz.

O repentino baque da porta, então, causaria um frêmito que ascenderia a espinha. Largaria Milla de imediato num sobressalto, átimo antes de seus olhos cruzarem com os de Rin. Seu cenho ríspido transbordava severidade, sugerindo que havia uma imensa gravidade no assunto que queria tratar. Hisoka não conseguiu conter; seus ombros caíram junto ao semblante. Não é possível. Quando ele pensa que tudo acabara, algo de novo surge. Sua vida seria assim dali em diante? Um problema atrás do outro? Naquele instante, ele era capaz de dar tudo por alguns minutos de uma rotina normal; só alguns míseros minutos sem um imbróglio penitenciando sua sanidade.

– Certo... – Retrucaria após um suspiro, de entonação dolente; boca torcida e queixo sulcado acompanhariam toda a frustração imposta na fala. Instantes depois, seu tropel moroso harmonizaria ao de Rin pelos corredores do Paradise Star.

Propínquo à cozinha, suas narinas foram preenchidas pelo bálsamo oriundo do repasto. Ainda que frio, há tanto que não alimentava-se que a boca imediatamente foi embebida de saliva, que clamava por comida após horas sem qualquer nutrição. Nem mesmo a pele crestada, enrugada e sem brilho do peixe frito tiraram-lhe a imensa fome. Atufaria o prato até que não sobrasse mais espaço, extravasando alguns grãos do arroz ressecado ao apoiar a travessa sobre a mesa. Colherada a colherada, recheava os confins da mucosa sem pudor, mastigando incessantemente com os olhos fixos no meio-mink. Lábios besuntados, cariopses escapando ao queixo; não ligava nem um pouco.

– Hum? – Murmuraria de boca cheia, unindo as sobrancelhas à testa num cenho curioso. O alto escalão do exército... Essa expressão o enchia de desaponto. É como se àqueles que estivessem nas baixas patentes fossem apenas meros peões que deviam ouvir ordens e acatá-las. As íris, então, despencariam paulatinamente, mirando na adaga cuja lâmina fulgurava aos olhos. – Hug-! – As pálpebras esgazeariam de imediato e a glote fecharia; grãos espirrariam do espaço entre os lábios ao passo que o punho esquerdo, cerrado, golpearia o esterno continuamente. – Cof! Cof! – Hisoka estava esperando por um assunto sério, mas aquilo? Aquilo era inimaginável. Até engasgou tamanho o abalo que o anúncio da missão o trouxera. – S-Só pode estar brincando! – A tosse diminuiria pouco a pouco, até a munheca desvelar a boca e descer à mesa junto a oposta, culminando num baque que faria seu prato e o punhal saltitarem. – Todo esse esforço para nada!? – Retrucaria neurastênico, propiciando uma pausa para os olhos varrerem o ambiente em busca de alguém. De beiços franzidos, então, diminuiria o tom, recompondo a quietude quase sempiterna. – Sem chance. – Cruzaria os braços após a explicação de Rin, negando-se a fazer o trabalho de cenho intransigente. Os demais Revolucionários até podiam continuar com seus socos em ponta de faca, mas Hisoka aprendeu a lição. Toda a balbúrdia resultara justamente de uma ação inadimplente como essa e Jovi, o principal responsável pelo sequestro da princesa, ainda queria insistir? Não mesmo. – Existe uma razão pela qual eu ingressei no Exército Revolucionário, Rin. Um propósito. Eu quero mudar esse mundo. Essa hierarquia injusta, sabe? Por que temos que nos subjugar ao governo mundial, aos Tenryuubitos? Eles não são nada especiais. Não têm mais direitos que nós. – Abriria os braços, gesticulando com o rosto a cada palavra mencionada acerca dos dragões celestiais; a aversão que nutria pelo governo era gigantesca, não a toa ela atuaria expressivamente em seu semblante. – Mas fazer esse tipo de trabalho...? Sequestrar pessoas? Ocasionar a morte de inocentes? Jogar a responsabilidade de meus atos no colo dos outros? Eu também não sou especial... Não podemos ser como eles. – Negaria com a cabeça, combalindo o seu olhar em desaprovação. – Sam já pagou pelo que fez. – Voltaria a vista a Rin, fitando-o de boca hirta, num bico resoluto. E não mentira; no fim, ele sequer parecia um cão do governo como os que Hisoka matou. Gente como ele merece uma segunda chance. – E os irmãos da princesa? Que crime cometeram? Resgatar a amada irmã? – Hastearia uma sobrancelha desigualmente, insinuando a resposta óbvia numa pergunta retórica. Enfim suspiraria, lacrando os olhos vagarosamente ao passo que o crânio sacudiria suavemente lá e cá. – Não. Sem chance. – Finalizaria, desta vez nem tão sisudo quanto antes; desabafar com seu companheiro pareceu tirar o intenso peso das costas que estava deixando-o onusto de tensão. Sua postura, então, mudaria por completo ao ouvir Rin assentir com sua deixa. – Hahahaha. Sabia que só estava fazendo as aparências. – Permitiria que uma efêmera gargalhada se soltasse, tesando as arestas da boca num sorriso descontraído; ficaria contente de saber que podia contar com o meio-mink, aquele que lhe acolheu em primeiro lugar. – Digamos que sim... – Mordiscaria a bochecha, lateralizando os beiços numa feição sugestiva. Hisoka era rápido e conseguia alcançar o pináculo de sua celeridade muito facilmente, porém certamente faltava-lhe a técnica de uma boa corrida. Aprendê-la com Rin seria extremamente engrandecedor, não somente para o desafio que estava por vir, mas para todos os demais que virão.

Finalizado o almoço e com o plano em mente, o professor iria até o banheiro da embarcação. O eflúvio da comida até pode ter amorado sua graveolência na cozinha, mas bastou que saísse de lá para que nem ele mais aguentasse tamanho fedor. No cômodo, retiraria sua indumentária com delicadeza, evitando agravar as mazelas espalhadas por seu corpo. Uma face de esgar e grunhidos aqui e ali, mas nada que o impedisse de ficar desnudo.

A água corrente, então, alvejaria sua pele, carregando todo o sangue, suor e substratos do paul já quase impregnados. O chão seria tingido velozmente, adquirindo um tom que entremeava o carmesim e o musgo; o olor prosperaria tão rapidamente quanto e, solúvel na água que varria-lhe o corpo, altearia até as narinas, já acostumadas com o hircismo. Os fios negros seriam desatados com o auxílio dos dedos e todos os pormenores do tegumento ensaboados, até exalarem a fragrância do que quer que o sabonete seja perfumado.

– Ah... Estava precisando disso... – Proferiria em entonação prazerosa, permitindo que as felpas da toalha absorvessem toda a umidade do corpo enquanto o polia por toda sua extensão.

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...


Higienizado e redolente, seus passos fleumáticos marcariam as galerias do Paradise Star mais uma vez, agora em busca de uma enfermeira para substituir Milla e permiti-la um merecido repouso. Já próximo à ala médica, seu cenho tranquilo seria perturbado por um alarido oriundo dos leitos. Essa voz...; ele sabia quem era. Fennik... As pernas apressariam um pouco mais a marcha, até que o pescoço assomasse ao batente da porta. Os olhos confusos sobre a boca entreaberta então vislumbrariam a garota fora de si, esperneando e espavorindo as enfermeiras com unhas e dentes ferozes.

– Kat... – A mão ascenderia, expectando chamá-la, mas a voz saiu alquebrada, praticamente inaudível; ao seu lado, Gear era a próxima a promover uma algazarra, tão desequilibrada quanto residentes de casa de Orate; a engenheira culta e humilde havia desvanecido, dando lugar a uma jovem infantil e soberba. – O que... – A face crisparia ao notar as marcas pelo seu corpo, as quais o arqueólogo era incapaz de compreender. No entanto, antes que pudesse realizar qualquer pergunta, o tilintar de um vaso espedaçando fisgou sua atenção. Era Fennik, que agora ameaçava as profissionais com um dos fragmentos da cerâmica quebrada em mãos. – Ei... Ei! – Sem titubear, se apressaria para ficar entre a bárbara e as enfermeiras, espalmando as mãos à vanguarda num trejeito característico de quem solicitava eutimia. – Abaixe isso, Fennik. O que houve? – Interpelaria ainda bastante desnorteado; o pescoço giraria aos arredores, observando as médicas de semblante abatido e Pepper deixando o recinto logo depois, afunilando a expressão já confusa.

Quando as pupilas tornassem a fotografar a garota, as pálpebras sobressaltariam a ver a peça afiada tão próxima; ela realmente não estava brincando. As mãos seriam erguidas um pouco mais, até a altura do ombro; o que era um sinal de "calme", agora era praticamente uma rendição. As íris, antes atônitas, mover-se-iam curiosas, acompanhando o esforço exagerado da bárbara apenas para se sentar na maca.

Logo que o primeiro passo foi dado – ou a tentativa dum, o pior aconteceu; num baque surdo, Fennik desabou a sua frente. Hisoka, ainda aturdido com a cerâmica em sua posse, nada fez além de esboçar um gemido sutil. Os ganidos e lamúrias nos flancos então subjugaram o silêncio ao passo que seus olhos enfim observaram a cicatriz que cortava as costas da bárbara. Sequer era preciso ser um médico para saber o que aquilo significava. Um frêmito de apreensão subiu-lhe as costas, arrepiando a espinha junto ao arrefecer da boca do estômago; a fauce deu um nó, impedindo que palavra alguma ascendesse à língua. Precisava ser forte, mas não conseguiu. Assim que flexionou o joelho e pegou a garota nos braços, amparando-a e ajudando-a a se erguer, ela se jogou em seu tronco. Não teve jeito; seria mais um dia que seu líquido salino estilaria rosto afora.

– K-Katherine... – O abraço apertado parecia insuficiente, e Hisoka sentia-se profundamente mal por isso; desde que a conhecera, fez de tudo para conquistá-la, e nada conseguiu. Hoje, quando enfim a tem em seus braços, num cálido enlaço, não pôde fazer nada além de chorar. Ali mesmo, de joelhos no assoalho, tocava suas costas com seus dígitos meigos, captando a doçura de sua pele macia com seus dermatóglifos, porém sem intenção lasciva. Queria dar-lhe o mundo naquele instante, mas sequer era capaz de ceder-lhe palavras reconfortantes. – D-Desculpe... Desculpe, Katherine... – Hastearia a mão sinistra até o topo de seu crânio e, afundando os dedos em suas madeixas umbrosas, meigamente apoiaria o rosto da bárbara em seu próprio ombro; ficaria ali o tempo que fosse necessário, afagando-lhe o couro cabeludo até que ela se sentisse acolhida o bastante. – Essa guerra custou demais... – Sussurraria num comentário para ele mesmo; voz melancólica, abatida. A combatente do bando sem suas pernas e a engenheira sem sua mente. Chegava a ter um toque de ironia do destino, mas havia seriedade; muita seriedade. – V-Vai ficar tudo bem... Eu vou cuidar de você. Eu prometo... –  Seguraria o rosto de Fennik com ambas as mãos, fitando-a com seus olhos cetrinos marejados. Os lábios titubeariam, esforçando-se para evitar outro pranto. Em seguida, tocaria-lhe a testa com a sua, fechando os olhos. Citar a palavra promessa faria seus batimentos cardíacos acelerarem. Era uma palavra pesada, cheia de responsabilidade. Tinha de começar a usá-la com sabedoria. Esperava que ali fosse um desses momentos de sapiência. – Vem... – Afastaria o rosto, alargando as arestas da boca num sorriso que intentava sossegá-la, como num abraço.

Uma fungada depois, passaria os braços mais uma vez pelo seu corpo e, sustentando-a pelos joelhos e cérvix, tentaria erguê-la. Ampliaria o sorriso, porém sem mostrar os dentes, e a posicionaria na cama mais uma vez; bastante zelo, como se estivesse contemplando um recém-nascido. Os dedos deslizariam pelo colchão até que alcançassem o lençol, que esvoaçaria no ar num farfalhar após um movimento dos pulsos. Logo que cobrisse a bárbara, as costas da mão direita acalentariam sua testa pouco antes de descer e enxugar as lágrimas derradeiras que manavam de suas bochechas com o dorso dos dígitos.

– Volto já... – Recuaria o sorriso, franzindo os lábios. Transpareceria remanso na medida do possível; não queria deixá-la preocupada, tampouco que pensasse que o historiador estava com pena. Ele sabia o quanto Fennik é orgulhosa, portanto tentaria agir da melhor maneira, sem deixá-la desconfortável.

 I N Í C I O   A P R E N D I Z A D O   P E R Í C I A   A N A T O M I A   H U M A N A


Após deixar Katherine, Hisoka caminharia na direção da enfermeira mais próxima. Seria sutil; um tênue trejeito de cabeça meio-baixa, convidando-a a segui-lo até o corredor. Assim que cruzasse a porta, andaria alguns passos e a esperaria do lado de fora, de braços cruzados e sola do pé tamborilando o assoalho em baixa cadência. Hastearia o pescoço quando ela se apropinquasse e, após um profundo suspiro, indagaria, de lábios recônditos:

– Não tem cura...? – Sua desilusão era clara no tom de voz, ainda assim, seu conhecimento médico era parco; valia a pena perguntar, mesmo que a resposta negativa fosse a mais provável. – Entendo... – Combaliria a cabeça se ela ratificasse, mordiscando o interior da bochecha pensativo; os pés inquietos, principalmente os dedos sob os calçados. – Sabe... Eu sempre quis aprender mais sobre isso... Ossos, músculos, nervos... O corpo, entende? – Finalmente descruzaria os braços, gesticulando com as mãos, que acompanhavam cada palavra, como se um menino curioso despertasse em meio a melancolia. – Talvez não seja a melhor hora, mas se não estiver ocupada... Teria um tempo para me ensinar? – Perguntaria, segurando o lábio inferior dentre os incisivos. Na eventualidade dela assentir, ouviria com atenção seus ensinamentos, buscando captar todas as nuances repassadas.

 F I M   A P R E N D I Z A D O   P E R Í C I A   A N A T O M I A   H U M A N A


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Luizatomita
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Luizatomita

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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyDom 12 Maio 2019, 14:22

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SUNSHINE
Capítulo III: Destinos Cruzados


Ajudar Sam a se recuperar fez-me sentir viva novamente, gostava de ver as pessoas ao me redor estando bem e saudáveis, embora o rapaz ainda precisasse de bastante cuidado, meus esforços e conhecimentos pelo menos seriam responsáveis por manter o sopro de vida ainda em seu corpo. Com passos calmo me dirigi a enfermaria, queria ajudar, queria me sentir útil mas infelizmente meu estado atual não era nem um pouco convidativo a isso. Olhei para meu corpo, checando desde meus pés até meu rosto, eu ainda estava suja como a enfermeira disse, por um momento senti vergonha de tal fato simples porém idiota, aquela era uma enfermaria seria, logicamente não permitiriam uma garota imunda ali dentro tratando de pacientes. - Ahhh mil perdões, estava tão focada em a-ajudar que acabei es-esquecendo. - Diria de maneira tímida e embaraçada após tal cena constrangedora.

Observaria brevemente a enfermaria e notaria a falta de algumas profissionais no recinto… Talvez estivessem com a comandante Helena na sala de operação, esperava que tudo ocorresse bem, Helena é uma mulher admirável e havia me ajudado muito em meio a toda aquela confusão sentimental a qual eu havia passada. Cruzei meus dedos, entrelaçando minhas mãos em um sinal de respeito e culto, rezaria brevemente aos deuses pela vidas daqueles que estavam ali dentro antes de me voltar ao banheiro feminino. Meus passos calmos e tranquilos eram acompanhados por uma reza sentimental, pedia aos deuses para pouparem Helena e todos daquele navio das dores e que aos que se foram, que descansassem em vales verdes juntos aos senhores do céu. Minha prece parou ao eu encarar a porta do banheiro feminino, abri a mesma, olhando se estava seguro, sem desabamentos ou quebrado como outras partes do navio.

Aparentemente estava tudo tranquilo, logo entrei e abri o chuveiro para atestar que havia água ali. Por sorte, havia. Tirei minhas roupas sujas e as deixei cair sobre a madeira do navio. Entrei de baixo do chuveiro, deixando as gotículas de água tocarem meu rosto e minha pele suja de lama que aos poucos se revelava tão branca como a neve. Sorrindo pela deliciosa sensação da água em meu corpo, logo procurei tirar toda aquela lama dos fios vermelhos de meus cabelos, deixando que a sujeira caísse e fosse direto para o ralo. Peguei minhas peças íntimas de roupa e comecei a limpá-las dentro do chuveiro, tirando a lama delas. Procuraria um sabonete e logo que o achasse, ensaboaria meu corpo, tirando as impurezas da pele e aos poucos, lavando os cabelos com algum shampoo que tivesse por ali. Terminaria o banho, com o corpo mais relaxado embora as dores da minha recente luta ainda estivessem ali.

Sairia do banheiro, procuraria toalhas limpas e alguma roupa que servisse por hora. ME secaria e vestiria antes de sair do local, guardando a roupa suja em algum canto para eu depois lavá-las. Me concentraria em voltar para a enfermaria, mas antes que eu o fizesse, fui surpreendida por Klaus em minha porta com um bichinho de pelúcia em mãos. Era impossível não reconhecer aquelas orelhas felpudas e os bigodes compridos. -  SENHOR BIGODES! - Eu disse de maneira animada enquanto agarrava o coelhinho dos braços de Klaus, trazendo o bichinho para meu abraço apertado. Olharia para o rapaz de cabelos brancos, ele estava limpinho assim como eu e também cheiroso. - Obrigada Klaus, isso significa muito para mim. - Diria de maneira gentil para o rapaz enquanto o encarava com um sorriso singelo e amável. - Ahh eu não estou tão cansada ainda, vou ajudar na enfermaria o quanto eu puder. - Olhei para ele enquanto o ouvia dizer sobre como fui valente naquele dia. -  Ahhh-Ah eu n-não sou, a-ain não sou tão forte assim. - Disse enquanto sentia minhas bochechas corarem e agarrava o coelhinho em meus braços. Acenei positivamente com a cabeça quando ele dissera que iria descansar. -  T-Tudo bem, tenha bo-bons sonhos Klaus! - Logo saíria de perto dele, levando o coelhinho em meus braços até a ala médica. - Você não vai fugir mais mocinho travesso! - Disse ao bichinho enquanto o guardava na mochila e voltava a ala hospitalar.

Ao chegar novamente a enfermaria, me deparei com uma situação um tanto chata e deselegante. Shizuo, o cozinheiro ruivo estava fazendo seu típico escândalo no local. Aparentemente pelo que eu ouvia de sua conversa com a enfermeira, ele estava impaciente e queria voltar a cozinha o quanto antes, pois sem ele aquele local ficaria uma bagunça. Óbviamente que seus assistentes dariam conta do recado com a ausência do chefe, mas isso não se passava pela cabeça do homem. Me aproximei do local e logo reparei que a euforia toda do rapaz havia feito com que seus pontos abrissem. - Shizuo! Não queremos comer nada com sangue seu! Fique quieto. - Minha voz rígida e um tanto alta seria convincente. Alguns adultos, especialmente homens, se tornavam crianças quando o assunto era cuidados médicos e, sabendo da personalidade dramática do cozinheiro, nada me restava se não ter de lidar com ele de maneira firme.

Levei minhas mãos até meu kit de costura, procurando uma linha e uma agulha. Esterilizaria ambos antes de levar até a pele do rapaz. - Pode doer um pouco, relaxe. - Diria de maneira mais calma e gentil ao ver que ele já estava aceitando que deveria repousar. Começaria a costurar a pele do rapaz, acertando os pontos que haviam sido abertos por conta de sua movimentação exagerada. Ao terminar, sorriria para ele. - Está feito, vê se descansa um pouco, o pessoal da cozinha não vai botar fogo em tudo, eu espero… - Diria com uma risadinha leve ao final da frase, tentando animar o rapaz que agora descansava sobre a maca. Enquanto eu me voltava aos outros pacientes ali, avistei as duas enfermeiras que estavam responsáveis pelos cuidados de Helena. Me aproximei delas, sentindo meu coração bater a mil. - E-Ela está bem? H-Helena está viva? - Perguntaria de maneira acanhada até receber a resposta positiva delas. Com um suspiro, aliviaria meu corpo tensionado. Ela estava a salvo e isso era muito importante para mim. Helena era uma boa companheira, mas eu sabia que para Hisoka ela também era importante, tanto que ele ajudou a salvar a vida dela sem hesitar. - Ah que benção dos deuses… Que bom que ele está bem… - Diria antes do som dos gritos de Fennik e Gear soarem em meus ouvidos.

Assustada, olhei para as macas onde elas se encontravam. Meus olhos se arregalaram e logo vi várias enfermeiras se aproximando de Fennik, ao contrário delas, como eu conhecia Gear melhor, fui até a garota que parecia estar delirando. Me aproximei dela e das enfermeiras e comecei a ouvir os seus delírios e a reparar na marca gigantesca em seu pescoço. Levei as mãos até a boca, pensativa. Logo uma ideia me veio a mente. Pegaria o Sr. Bigodes de minha mochila e levaria ao encontro de Gear. - Hey mocinha bonita! Porque está tão brava? - Moveria a cabeça do bichinho enquanto tentava disfarçar minha voz feminina, usando-o como se fosse um ventrículo. Olharia de volta ao bichinho. - Ei Senhor Bigodes, temos uma mocinha muito nervosa hoje, o que podemos fazer? - Olharia para Gear, fazendo uma expressão serena para ela. - Hoo eu não sei Cris, mas essa menininha bonitinha parece que quer os pais dela! - Diria com a voz do coelho. - Oh e onde será que eles estão? - PErguntei para o bicho. - Eles disseram que foram comprar doces! Chocolates e balas para a amada filhinha deles! E que se ela não se comportasse nesse meio tempo ela nããão iria ganhar doces! - Faria o coelho coçar a barriga com o bracinho direito antes de acenar positivamente com a cabeça.

- Ahhh isso quer dizer que se continuar sendo malcriada assim não vai ganhar docinhos! - Diria para a mulher crescida que em sua mente era ainda infantil no momento. - Isso meeeesmo! Então Gine, se puder deixar as enfermeiras cuidarem de você, logo logo seu pai vai lhe trazer um montããããooo de doces gostosos! - Faria o coelhinho saltitar por um momento enquanto meus ouvidos captavam o som do outro lado da sala. Ouvi o estrondo de Fennik cair sobre o chão e ser ascendida por Hisoka era de cair o coração, mas infelizmente, eu tinha uma grande criança para lidar no momento. - Então mocinha, tome um pouco de água e seu remedinho que assim que acordar, papai trará seus doces, tudo bem? - Olharia para uma das enfermeiras, claramente pedindo algum calmante para Gear e , caso elas me dessem o necessário, entregaria ao coelho e o faria dar o comprimido a mulher. Se ela se recusasse a tomar, falaria de maneira desapontada - Ahhhhh então acho que alguém aqui vai comer muuuiitos doces hoje! - Diria com a voz do coelho. Caso ela tomasse o remédio, faria o bichinho saltitar alegremente. - YAY! Muito bom Gine! Agora quando papai voltar, você poderá comer quantos doces quiser!- Diria com uma voz animada e amável.

-x-


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Berlique
IT'S A BEAUTIFUL DAY
SKY FALLS, YOU FEEL LIKE IT'S A BEAUTIFUL DAY! DON'T LET IT GET AWAY, YOU'RE ON THE ROAD BUT YOU'VE GOT NO DESTINATION YOU'RE IN THE MUD IN THE MAZE OF HER IMAGINATION...


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MensagemAssunto: Re: Capítulo III: Destinos Cruzados   Capítulo III: Destinos Cruzados - Página 10 EmptyTer 14 Maio 2019, 13:51



Sedativos





Crisbella



Depois de tomar o seu banho e recuperar o Sr. Bigodes com Klaus, Crisbella seguiu de volta para a enfermaria enquanto seu amigo retornou para o próprio quarto para poder finalmente descansar desse dia exaustivo. Assim que chegou na ala hospitalar, Cris precisou conter a impulsividade do chef Pepper que queria se levantar e ir cozinhar o almoço da tripulação, entretanto com o ferimento no seu abdome ainda precisando de tempo para cicatrizar, tudo que o ruivo conseguiu foi abrir alguns pontos e fazer a ferida voltar a sangrar. Se não fosse a ajuda imediata de Crisbella, Shizuo ficaria com os pontos do machucado aberto até que alguma das enfermeiras retornasse da cirurgia de Helena, algo que levou ainda algum tempo para acontecer.

- Tsc, quando o navio pegar fogo a primeira coisa que eu vou dizer vai ser “eu avisei”. - Reclamou o cozinheiro permanecendo com a cara emburrada mesmo depois do seu ferimento já ter sido tratado pela garota. Ele pelo visto não gostava muito desse tipo de ambiente.

Quando as enfermeiras Miyazaki e Hiramoto chegaram e explicaram a situação da comandante para Cris, a ruiva pôde ficar um pouco mais tranquila ao saber que ocorreu tudo bem na cirurgia de emergência e que graças à doação de sangue de Hisoka, Helena teria maiores chances de sobreviver. Dos quatro pacientes deitados nas camas da enfermaria, Shizuo, como já vimos, foi o primeiro a acordar, sendo sucedido por Katherine que abriu os olhos e tentou ficar sentada na cama, mas a enfermeira Miyazaki rapidamente correu até ela para impedi-la de fazer tal movimento devido ao ferimento em suas costas.

- Boa tarde, srta. Katherine, é melhor que permaneça deitada para melhor recuperação da sua ferida, ok? - Disse a profissional tentando colocar a revolucionária deitada novamente da maneira mais confortável possível.

- Tá doendo… Mas ao mesmo tempo eu me sinto esquisita… - Comentou Fennik com os olhos ainda meio perdidos e pouco abertos.

- É a anestesia, ela ainda deve estar fazendo efeito. Farei mais uma aplicação para te ajudar com as dores, espere um pouco. - Falou Miyazaki se afastando da cama para ir buscar o sedativo.

Observando de longe o estado de Fennik, Cris notaria o jeito como a garota olhava para as próprias mãos, abrindo-a e fechando-a, mexendo os dedos, forçando a vista para conseguir voltar a enxergar de forma nítida o que provavelmente estava embaçado e deixando-a um pouco zonza. Foi nesse momento que ela olhou para os próprios pés e sua expressão se tornou um pouco confusa, fazendo-a voltar a tentar ficar sentada na cama usando os braços como apoio para isso.

- Srta. Katherine, você não pode, você tem que ficar deitada de repouso! - Dessa vez foi a enfermeira Hiramoto a vir até Fennik, já que Miyazaki ainda buscava o sedativo.

- Eu quero ficar de pé… Não estou conseguindo mover minhas pernas, preciso exercitá-las… - Respondeu a garota levando uma das mãos a cabeça em uma feição de dor, a cicatriz em suas costas estavam doendo.

- Por favor, senhorita, você não pode, passou por uma cirurgia difícil, quanto mais tempo permanecer em repouso maiores serão as suas chances de recuperação… - Falou Hiramoto com calma para que Fennik entendesse e não tomasse nenhuma atitude imprudente.

- Hiramoto… Por que eu não consigo mover as minhas pernas? - Perguntou Katherine com a leseira da anestesia ainda fazendo efeito em sua voz, mas já era perceptível que ela estava entendendo o que poderia ter acontecido.

- Antes de tudo tenha calma. Como a Miyazaki falou, a anestesia ainda pode estar tendo efeito no seu corpo. Irei fazer alguns testes e você me diz o que está sentindo, ok? Mas por favor, volte a ficar deitada. - Pediu Hiramoto pegando um palito das vestes e indo em direção à paciente revolucionária.

- Não vou me deitar! - Respondeu rapidamente com a voz firme. A enfermeira sabia que não seria uma boa ideia pedir uma outra vez.

- Sente isso? - Perguntou ela passando o palito pela perna esquerda de Fennik, que respondeu negativamente com a cabeça. Em seguida ela repetiu o movimento na perna direita, também recebendo o resultado negativo por parte da paciente. Hiramoto então respirou fundo antes de dar a notícia que a essa altura parecia óbvia para todos que estavam ali. - O corte que você recebeu nas costas causou uma lesão medular na sua oitava vértebra torácica… Durante a cirurgia nós já sabíamos que isso poderia fazer você perder os movimentos dos membros inferiores e por se tratar de uma cirurgia bastante delicada pedimos para Milla não a fazer, mas ela preferiu salvar a sua vida a deixá-la correr o risco de ter complicações no futuro, já que era incerto se Helena iria retornar podendo ajudá-la. Me desculpe, Katherine, mas… Fizemos tudo que estava ao nosso alcance.

- Isso é impossível! - Soltou Fennik com o tom de voz já bem estabilizado e agora com os olhos fechados, ela parecia estar tentando manter a calma. - Isso não pode estar acontecendo! - E então ela começou a tentar se mover para a borda da cama, indicando que iria tentar ficar de pé.

- Srta. Katherine, não faça isso! Ainda pode ter uma chance, talvez com uma nova cirurgia seja possível reverter essa situação, mas para isso tem que ficar deitada e esperar, caso contrário pode ser que você acabe pio… - Disse Hiramoto se aproximando da garota para tentar botá-la deitada novamente, porém ela foi empurrada pelo braço forte da revolucionária e acabou caindo no chão.

- NÃO ENCOSTA EM MIM! EU SOU MAIS FORTE QUE ISSO, EU POSSO CONSEGUIR! - Gritou Kat após empurrar a enfermeira, porém ela nem teve tempo de se jogar da cama, já que os refugiados que estavam ajudando na enfermaria rapidamente se moveram até a cama dela para tentar imobilizá-la.

- Segurem ela, eu vou aplicar o sedativo! - Avisou Miyazaki mostrando uma seringa cheia do medicamento, porém se Katherine não estivesse completamente parada seria impossível fazer a injeção corretamente.

Seria nesse momento que a confusão gerada por Katherine começaria a ser ouvida do lado de fora da ala hospitalar, inclusive levando Gear a acordar e Hisoka a retornar às pressas ao local, podendo presenciar todo o drama da cena de Fennik e descobrir através da conclusão dela o estado atual das pernas da garota. Os holofotes estavam apontando para Katherine, mas com Gear saindo um pouco do controle e iniciando um furdúncio paralelo, Crisbella achou que seria um bom momento para tentar ajudar e se aproximou da engenheira para conversar com ela da maneira que deduziu que seria a melhor para a situação que ela estava apresentando. Usando da sua atuação para encenar uma voz e personalidade para o seu coelho de pelúcia, Cris foi aos poucos conseguindo chamar a atenção de Gine.

- Mentira! É sério? Mas eu sempre me comporto, eu juro! - Respondeu Gine preocupada com a possibilidade de não ganhar os doces que seus pais foram buscar. A ruiva continuou fazendo a voz do coelho para incentivar Gear a deixar as enfermeiras e os demais ali presente cuidarem dela. E funcionou. - Ok, Sr. Bigodes, farei o que está me pedindo, mas eu vou querer quatro bilhões de doces! - Disse ela aceitando o copo de água e dois comprimidos que a ajudante voluntária havia ido buscar na caixa de remédios. As enfermeiras estavam ocupadas com Fennik, mas a refugiada pareceu passar confiança no que estava fazendo. - Não! Não! Melhor ainda, uma ilha inteira de doces, fala pro meu pai que eu quero uma ilha de doces! - Continuou ela empolgada depois de já ter tomado o remédio. Em alguns minutos ele estaria fazendo efeito e a engenheira provavelmente voltaria a cair no sono. Olhando para o lado, Gine veria Katherine chorando de maneira desesperada nos braços de Hisoka após ter caído no chão e cochichou para o Sr. Bigodes: - É sério, essa aí é doida, cuidado com ela.

- Que triste… Se o pai dela for realmente o dono da M.A.T., já vai fazer dez anos que ele morreu. - Comentou um dos refugiados para o grupo de pessoas que estivesse mais próximo.

- Oh, agora me lembro de algo assim, saiu nos jornais e tudo, uma invasão pirata dentro da própria casa, né? - Respondeu a tal ajudante que parecia ter alguma noção mínima da área de saúde.

- É, mas não roubaram nada, se não me engano disseram que a Marinha conseguiu chegar a tempo para impedir que algo pior acontecesse, mas os piratas conseguiram escapar. - Explicou o primeiro homem para concluir a história. - Me pergunto o que pode ter acontecido com as memórias dessa garota, ter que lidar com a morte de um familiar duas vezes não vai ser fácil.

- A amnésia pode ser algo temporário, em algumas horas ou dias ela pode se lembrar de tudo… Mas o pior também é uma possibilidade e talvez ela nunca mais volte a se lembrar desses anos que foram apagados da sua memória. - Disse a ajudante analisando a situação da revolucionária que foi atingida por um raio.

Quando os olhos de Crisbella fossem de encontro a uma das estantes que ficavam no canto da enfermaria, a ruiva acabaria reparando na bolinha roxa que se destacava em cima do vestido negro e sujo de sangue que havia sido retirado de Fennik para que ela passasse pela cirurgia. As demais vestes dos outros pacientes também estavam ali, como por exemplo as enormes luvas de Gear que eram um pouco mais chamativas que o pirulito de embalagem roxa que estava junto das vestes rasgadas de Katherine. Por mais que a embalagem do doce de tutti-frutti estivesse suja de sangue, um pouco de água já seria suficiente para limpá-lo e entregá-lo para Gine.

- Oh! Foi o papai que trouxe? - Perguntaria ela sorridente quando Cris (ou o Sr. Bigodes) lhe entregasse o pirulito. - Cadê ele? Eu disse que queria uma ilha de doces ou no mínimo quatro bilhões de doces!! Hunf... Mas tudo bem, não tem problema, ele vai ficar me devendo e me pagar depois, ele sempre paga! Ele vai me trazer quando voltar… - Então ela encarou com um sorriso o pirulito que acreditava ter sido dado por seu pai, só que mesmo sorrindo, lágrimas silenciosas vieram a escorrer pelo seu rosto. - Hum? Por que eu to chorando? - Se questionou a engenheira limpando as lágrimas com uma das mãos. - Por que eu tô sentindo tanta falta dele? Sr. Bigodes, o meu pai foi embora e me deixou aqui sozinha? Ele não vai vir me ver? - E aos poucos as lágrimas que vieram de maneira repentina começaram a se tornar um choro que a atual mente de Gine não era capaz de compreender… Mas algo dentro dela ainda era capaz de sentir essa dor. Com o remédio começando a fazer efeito, a garota foi deitando na cama, ainda chorando sem conseguir entender o motivo. - Ele me prometeu que ia montar um parque de diversões em cima das nuvens… Será que é isso que ele foi fazer? - E fechando os olhos por conta do efeito dos calmantes, Gear foi entrando lentamente no mundo dos seus sonhos. - Mamãe disse que não tem problema ter dois papais...

Com o clima pesado que se instaurou na enfermaria depois dessas cenas com Katherine e Gine, ficava fácil entender as razões de Shizuo para não querer continuar ali, e o rapaz já havia apresentado o interesse de ir embora muito antes dessas coisas começarem a acontecer. Shott ainda nem havia acordado e já era uma possibilidade que passava pela cabeça de todos que tipo de desgraça poderia ter acontecido com ele, ou no pior dos casos, talvez ele sequer volte a acordar…

Lidar com tudo isso poderia ser um pouco pesado para as emoções atuais de Crisbella, que ao ver que a situação na enfermaria já estava um pouco melhor poderia já começar a considerar a possibilidade de se retirar e ir ver como Sam estava, assim quem sabe essa fosse a hora para ele lhe ensinar os segredos envolvendo a arte do disfarce. Contudo, se não fosse a prioridade da ruiva para o momento, ela poderia continuar junto das enfermeiras ajudando no que fosse preciso ou quem sabe até aprendendo alguma outra coisa que também pudesse lhe ser útil no futuro.




Hisoka



Depois de dormir doando seu sangue para Helena, ouvir o que Rin tinha para lhe dizer, almoçar e tomar seu banho, Hisoka acabaria retornando para o mesmo lugar que Crisbella, a enfermaria. Ouvir os gritos desesperados de Fennik acabaram acelerando os passos do arqueólogo, que ao chegar lá se deparou com a confusão que a companheira estava fazendo por querer sair da cama e estar sendo impedida pelas pessoas presentes no local. O professor mal tivera chance de tentar entender o que se passava com Gear na cama ao lado quando Katherine começou a ameaçar com um pedaço afiado de porcelana aqueles que tentavam dar um passo sequer em sua direção, com sua atenção voltada para a sua professora de acrobacia, Hisoka percebeu ali o quão determinada ela estava em sair da cama no momento que a cerâmica foi apontada para ele.

Quando Fennik desabou no chão, não foi apenas o corpo dela que caiu, aquilo significava muito mais para a mulher do que a cena era capaz de demonstrar, Hisoka sabia disso, Shizuo sabia disso, Gear saberia disso se não estivesse sob um estado de amnésia e Shott também seria se estivesse acordado. Katherine era uma guerreira, uma combatente habilidosa e uma mulher já bastante temida mesmo há tão pouco tempo no mar, perder a força de suas pernas era também perder tudo que conquistou. Suas costas foram dilaceradas pela lâmina, mas foi o orgulho dela o que mais saiu ferido desse confronto contra o sanguinário agente Kou.

Não foi dessa maneira que Hisoka imaginou que seria o momento onde teria Katherine em seus braços. Espera que fosse uma cena feliz onde ambos estivessem sorridentes, mas aqui é o exato oposto, lágrimas e uma situação de extrema tristeza. O choro de Fennik era alto e qualquer um que estivesse ali dentro olharia para ela quando ela começasse a parecer não ter mais controle desse ato. O arqueólogo até tentou acalmá-la, mas que palavras mágicas são essas que ele poderia dizer para conseguir algo assim? Sedá-la como Miyazaki pretendia fazer parece a única possibilidade, pedir desculpas de algo que não era realmente culpa dele não resolveria nada, entretanto o sentimento acolhedor que o professor transmitia com a própria presença ali também era uma ação poderosa. Todos os amigos de Katherine não estavam ali para lhe dar o carinho necessário, e quando o choro dela deu uma leve diminuída, Hisoka compreendeu a importância de se navegar nesse mar acompanhado de companheiros.

- Hisoka… Eu não consigo… Não consigo parar de chorar… Alguém faz isso parar, por favor! - Implorou ela ao mesmo tempo que agradecia o professor por estar ali ao lado dela. Enquanto ele ajudava a amiga a voltar para a cama, ela continuou chorando em soluços. - Por favor, alguém me dá um sedativo! - Gritou com a voz chorosa olhando para Miyazaki que estava nesse momento muito abalada emocionalmente com a situação e por isso demorou alguns segundos para reagir. Quando a enfermeira começou a aplicar a injeção, Fennik segurou a mão de Hisoka com força, força esta que foi diminuindo aos poucos na medida em que o fármaco foi circulando pelas veias da garota. - O-obrigada… - E com essa última palavra, visto que ela já estava com os olhos fechados, ficava a dúvida sobre o real alvo de seu agradecimento. Mesmo diante de uma situação como essa, Fennik ainda era uma pessoa difícil para demonstrar certos sentimentos.

Com Katherine e Gine voltando a dormir, o professor ficava livre para transitar pelo quarto, inclusive quem sabe ouvir alguns diálogos que aconteceram ao redor da cama de Gear. Contudo o objetivo atual do arqueólogo era um pouco mais ambicioso, ele queria aprender mais sobre a anatomia humana, queria compreender com mais clareza os motivos pelo qual Katherine não podia mais andar, queria saber como funcionava o cérebro humano e como memórias podiam ser perdidas dessa maneira, ou até mesmo as consequências de uma queimadura tão grave como a que Shott tinha em sua barriga. Pedindo para a enfermeira Miyazaki lhe ensinar um pouco mais sobre o assunto, a senhora caminhou até uma das prateleiras que havia no canto da enfermaria e trouxe um dos livros de anatomia que havia ali.

- Eu não aconselho que você crie grandes expectativas nessa possibilidade… Recuperar os movimentos depois de um trauma como esse é difícil, sendo bem honesta, diria que é impossível. - Respondeu ela quando foi questionada na primeira vez. Depois disso ela passaria os ensinamentos básicos para o arqueólogo, que para sua sorte, tinha ali ao lado três pessoas feridas que poderiam facilitar alguns exemplos, além de Helena que apesar de não estar ali poderia ser citada.

Quando a ferida de Blink parecia estar piorando, as enfermeiras se juntaram para começar a fazer um enxerto na região afetada, trocando os tecidos danificados por outros que estavam guardados no local apropriado dentro da ala hospitalar. O estrago causado por esse ferimento era bem sério, a infecção estava se tornando complicada de lidar e diferente do caso de Gear ou Fennik, a área afetada pelo ferimento do navegador era muito maior. Hisoka tinha queimaduras de até segundo grau pelo corpo, mas aquilo no abdome de Shott era certamente algo um grau acima, e observar a maneira como as enfermeiras precisavam lidar com isso lhe ajudou bastante a aprender sobre a musculatura daquela região e a funcionalidade da pele como um todo. Katherine e Gear juntas davam para o professor um conhecimento mais amplo sobre o sistema nervoso que era de longe o mais complexo se analisado a fundo.

Após algumas horas de ensino, Hisoka já poderia acrescentar a anatomia humana na sua lista de conhecimento, mas é claro que, ele ainda precisava continuar estudando e lendo sobre o assunto se quisesse saber de maneira mais aprofundada sobre alguns temas, além de ter a perfeita noção das nomenclaturas de cada partezinha do corpo humano. Se ainda estivesse disposto a continuar aprendendo, o professor poderia seguir pro convés do navio e encontrar Rin para receber a sua aula de corrida, pois de acordo com o plano do meio-mink seria essencial para deixar a família real escapar do ataque de Jovi. Pela posição do sol no céu, o fim da tarde se aproximava e com isso o objetivo do comandante ficava cada vez mais próximo de ser colocado em prática.


OFF:
 

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FERIMENTOS:
 


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