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One Piece RPG : A GRANDE ERA DOS PIRATAS
 
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 Le voleur de coeurs - Un conte

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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyDom 18 Mar 2018, 21:03

A finalização da fuga corria como esperado; já conseguia até mesmo vislumbrar os raios de luz solar, traduzidos em meu inconsciente como o canto da liberdade. Parte por parte, ia escapando com certa dificuldade enquanto o cheirinho de musgo misturado com merda atacava minhas narinas; sim, atacava. Ignorando o odor da maneira que podia, estreitava ainda mais meu corpo para que pudesse percorrer a dificultosa passagem, semelhante a uma cobra, porém, diferentemente da mesma, sentia a pior das dores... o que, em conjunto com o cheiro, formava uma expressão facial que demonstrava extremo desconforto. "Quem diria...", pensava ao passo que inclinava minha cabeça em direção ao esgoto com semblante de nojo, enquanto meu corpo continuava a seguir trajetória em direção a liberdade, na esperança que aquilo pudesse amenizar o cheiro de bosta. Ironicamente, enquanto coincidentemente virava meu rosto em sentido contrário, avistava quatro marmanjos; provavelmente os que estavam a me seguir quando estivera dentro daquele lixo de lugar. Acelerava, pondo mais uma perna afora e, por consequência de tê-los visto, aumentava também o asco em minha fisionomia facial.

A adrenalina percorria meu corpo ainda mais intensamente. Naquele momento, não conseguia mais sentir braços ou pernas; os controlava, mas não contemplava dor ou mesmo incômodo: havia apenas a sobrevivência. Sentia a planta facilitar ainda mais minha passagem ao mesmo tempo que avistava um filho da puta correr ao meu encontro, esgoelando-se ao me pedir para parar. "VAI SE FODER, FILHO DA PUTA! VAZA, VERME! VAZA!!!", xingava mentalmente, com as veias do rosto completamente saltadas. Determinado a não interromper a mim mesmo, tratava de ser ainda mais ligeiro, sequer dando ouvidos àquele babaca. Tudo se sucedia como se houvesse alguém escondido cronometrando o tempo, tamanha a adrenalina. "VAMO, PORRA! VAMO!", fazia minha própria torcida. Antes que pudesse sentir o golpe - meu maior receio neste momento -, executava um impulso final e concluía a maldita fuga. "AÍ, PORRA! CHUPA, BANDO DE OTÁRIO!", comemorava, assistindo às caras de cu que os marinheiros faziam, com um sorrisinho sarcástico de canto de boca.

Passado este ínterim, a realidade atacava: estava exageradamente ferido, fedia e ainda estava vestido com aquele traje escroto de paciente de hospital. "Merda...", decepcionava-me comicamente ao perceber que a situação vigente não era tão positiva assim.

Olhando mais atentamente, percebia que se tratava de uma área litorânea, e por isso estava mais fodido ainda para encontrar um médico. "Agora lascou de vez...", constatava. Implorava por socorro enquanto apressava meu passo, não encontrando nada além do silêncio... "Fim?", havia me perguntado desde o início do meu percurso este mesmo questionamento diversas vezes, mas as situações anteriores não pareciam ser de muita gravidade perto desta. Para completar, meu pulso esquerdo dava início a uma dor lancinante; as conhecidas pontadas. Fitava o horizonte, incerto se este seria mesmo o ponto final de minha vida. "Morrer como um zé-ninguém... Que merda...", reclamava, ao passo que tentava convencer-me de que a visão turva que começava a dar as caras seria apenas impressão, fruto de minha imaginação.

Por uma graciosa boa ventura, um idiota corria em minha direção com uma maleta. "Meu Deus... Ainda bem que existem os idiotas!", escarnecia ingratamente, não largando o sarcasmo mesmo à beira da morte, enquanto a visão turva parecia se esvair como fumaça ao avistá-lo, em sinal de afastamento do perigo. Se fosse morrer, que fosse do meu jeito. Olhos preocupados me cerceavam, ironicamente. "Mal sabe que, assim que me curar, poderia te matar sem problema algum caso me atrapalhasse...". Esforçava-me para piorar ainda mais minha cara de sofrimento, sabendo que isto ajudaria na ocasião. Felizmente, o retardado pedia para que eu o seguisse. "Mais um trouxa para a conta", caçoava; "O que esse idiota tava fazendo no meio do nada com uma maleta?! Que se dane também, vai me ajudar mesmo... heh!". O seguiria para onde quer que fosse, acompanhando seu ritmo de caminhada e tentando não perdê-lo de vista. Esta era a última esperança, logo não haveria mesmo o que fazer caso me levasse para um lugar indesejado; eu estava em uma situação deplorável demais para reagir caso precisasse, e ainda por cima isso tende a piorar. "Confiarei neste imbecil para conseguir o que quero... patinho inocente!".
 


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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyQua 21 Mar 2018, 00:50

Sabe, não tinha muita coisa para fazer.. Dat Beard



O pequenino estava preocupado com o mendigo sujo que estava a sua frente, seus olhos eram focados, o pirata conseguia sentir que era examinado pelo garoto e concordando em segui-lo saíram do litoral e foram em direção a área residencial. A casa do garoto não era muito longe sendo foi ao resgaste de Oskar em poucos minutos, a casa não era nada fora do comum. - Só um minuto. - Dizia o garoto, abria sua maleta que estava com algumas ferramentas médicas que podiam ser reconhecidas pelo fugitivo como agulhas, bandagens e etc. Puxava de sua maleta uma chave comum e abria a fechadura da porta de madeira. - Estou de volta. - Falava como se fosse uma tradição ao voltar para seu lar, batia os pés no tapete e fitava o mendigo esperando que fizesse o mesmo. Pois bem, entrando na casa pode ver que não se tratava de um lugar muito requintado, possuía uma sala com uma cozinha compartilhando o espaço, e um pequeno corredor levando a uma porta, também tinha uma escada no início do corredor que levava ao segundo andar da casa. - É melhor você tomar um banho antes de ser atendido para limpar toda essa sujeira.. Você ta fedendo. - Fechando suas narinas com os dedos em sinal de repulsa ao mau cheiro que emanava o ceifador. - Lá já tem uma toalha limpa, vou deixar algumas roupas em frente a porta.. - O garoto sabia como receber um convidado e não parecia ter ninguém além dele na casa, o rapazinho tinha certa segurança ao deixar um estranho entrar em sua casa e agia de modo maduro.

Colocava sua mala na mesa antes de dizer onde ficava o banheiro, abria e retirava suas ferramentas. - O banheiro fica no final do corredor, não precisa subir as escadas. - Olhando direito para o pequenino, ele possuía olhos marrons e sua cor de cabelo tinha uma coloração alaranjada com a ponta de seus cachos avermelhas, devia ter em média uns 11 anos de idade. - O que está esperando, vá logo se limpar, seu fedor ta enfestando a casa!


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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptySex 23 Mar 2018, 00:23

Seguimos litoral adentro até que, quando menos esperava, já estávamos voltando aos bairros residenciais daquela ilha maldita. "Ainda bem... Não ia lembrar direito como que se volta para cá...", constatava, seguindo dificultosamente o cotoco.

Caminhava entorpecido pela dor: o sangue escorria como água corrente, num banho profano. Em algumas partes do corpo, o incômodo era tamanho que até mesmo o toque de contato entre os ferimentos e a roupa os faziam doer mais. Indiferentemente, andamos por mais algum tempo indefinido, e finalmente chegamos a casa do guri; o garoto solicitava-me que aguardasse, retirando - após alguns segundos buscando com seus dedinhos de anão - uma chave de dentro de sua maleta. "Entra logo, porra... Se alguém me vir aqui, eu tô fodido! Metade da merda da marinha daqui deve estar atrás de mim!", reclamava mentalmente, o que ironicamente coincidia com o fato de ele finalmente ter aberto aquela porcaria, como se reclamar houvesse realmente funcionado. Antes de adentrar na construção, anunciava sua volta a sabe-se lá quem e batia seus pés minúsculos contra o tapete. "Puta que pariu... um anão esquizofrênico... era o que me faltava!", sacaneava. Logo após, o projetinho de homem ainda me encarava, esperando que eu fizesse algo; levantava a sobrancelha direita e continuava a olhá-lo, em dúvida. "Que?", era tudo o que passava pela minha mente. Não tinha certeza de que era isto que o moleque queria, mas repetiria seu gesto de limpar as solas no tapete e introduziria-me a casa.

Não tinha ideia do que poderia fazer com o menino. Parecia inofensivo, mas o que custaria matá-lo depois que este me tratasse? "Todos me devem uma dívida eterna por terem levado meus pais. A humanidade é suja, e a culpa é de todos por permitirem um mundo assim... Por isso, não deve haver problema em matar esse pivete...", refletia. "Enquanto não tomo uma decisão, tenho que pensar numa desculpa para caso ele pergunte como que eu fiquei nesse estado", pensava, fitando meu corpo mal-acabado enquanto buscava em minha mente algumas possíveis justificativas que poderia lhe dar.

Notava que a casa era bem simples, talvez nem mesmo digna de ser assaltada caso eu estivesse armado. "Pensando bem, esse cotoco não deve morar sozinho. É pequeno demais para isso, nem pelo na cara tem!", reparava, de certa forma fazendo com que eu repensasse minha estratégia. "Ele deve viver com um adulto... Preciso tomar cuidado com isso", precavia-me.

Ele ainda tinha a audácia de me mandar tomar banho; tudo bem, de fato estava fedendo a cadeia misturado com bosta, mas somente eu mesmo poderia reclamar! "Foda-se, pelo menos eu tomo banho de graça", tratava de ver o lado bom da situação. O garoto indicava que haveria toalha e roupas limpas à minha disposição e, por fim, onde estaria o banheiro, soltando mais uma gracinha em seguida.


- Ok, já estou indo... - "Filho da puta desgraçado do caralho... PORRA! QUE RAIVA! Só não te deito na porrada porque ainda preciso que me cure...", despejava em minha cabeça logo após a fala que emanava uma educação forçada, falsa, contrastando com meus pensamentos. Havia a necessidade de descontar meu descontentamento em algo, caso contrário acabaria por matar o pequenino com minha ira e, por consequência, não obteria o trato que precisava.

Observava mais atentamente o fedelho, quebrando momentaneamente meu ciclo de raiva ao perceber que este era semelhante ao médico que me atendera quando me feri no embate contra Pietro. "Hmpf... não acredito que isso vai me fazer deixar de matá-lo...", imaginava, já relutante. Finalmente iria ao banheiro, suspirando fortemente ao fechar a porta. "Que alívio...". Despiria-me daquela roupa idiota e ligaria o chuveiro, iniciando a limpeza. Não desligaria o aparelho de forma alguma, pois há muito não tinha um banho e também por estar cagando e andando para o desperdício. A água chegava a arder em algumas partes de meu corpo, por culpa das feridas. Talvez fosse apenas uma impressão, e assim esperava que fosse... Caso encontrasse um sabonete, o usaria para ensaboar completamente o corpo; também buscaria por uma embalagem de shampoo, esfregando seu líquido contra minhas madeixas. Caso não os achasse, apenas continuaria a ducha. Terminado o processo, tomaria um último jato d'água para certificar-me de que havia me livrado de toda a sujeira e desligaria o chuveiro; procuraria pela toalha citada pelo menino e me enxugaria com esta. Se não a encontrasse, reclamaria em meu íntimo e esperaria que o vento me secasse naturalmente. Posteriormente, vestiria-me com as novas roupas, indo a sala que estávamos quando este reclamou do meu odor, solicitando-lhe que começasse logo os procedimentos médicos:


- Comece, por favor. - preocupava-me em soar gentil, mesmo obviamente sendo algo forçado dado o tom de preguiça contido em minha voz.

A dor ainda era lancinante e havia pressa em mim para que se desse fim a essa situação de merda.

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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptySeg 26 Mar 2018, 23:38

Takamoto Lisandro Peguei pc



Disfarçar as reais intenções para uma criança era uma tarefa fácil devido a ingenuidade infantil, o pirata entrava na casa e mesmo tento piras quanto ao jeito que era tratado e pela vontade de matar o pequeno. Ele lidou com a situação muito bem por enquanto que não havia ganho o que queria, no caso, seu tratamento. As feridas acumuladas, a torção do pulso e o fedor além dos microrganismos fazendo a festa no corpo do ceifador foram aliviadas pela água corrente que descia pelo chuveiro, estava morna e suave passando uma boa sensação. Oskar se banhava com o que tinha, usava sabonete e mesmo sentindo suas feridas arderem, continuavam com o manuseio do produto higiênico. O pequeno batia na porta do banheiro e lhe dizia. – Aqui estão algumas roupas. – E depois barulhos de passos se distanciando, enquanto se secava com a toalha, abrindo a porta, via uma camisa bege e uma bermuda azul de linho. Trajava aquelas roupas mesmo não sendo seu estilo, não poderia simplesmente ficar pelado andando por aí, mas até que aquelas roupas disfarçavam o pirata como um simples civil trabalhador e pai de família.

Voltando para a sala, dava de frente com o garoto com vários utensílios na mesa, ele olhava para o pirata animado esperando que o mesmo se sentasse para iniciar seu tratamento. Com uma pequena frase de Oskar não parecendo muito gentil e ligeiramente preguiçosa, o pequenino não se importou já que seus olhos se enchiam de alegria por estar realizando seus procedimentos médicos. Primeiro passando uma pomada para desinfetar os cortes da luta passada, as bactérias que podem ter entrado ao se melar de musgo podem até mesmo lhe causar uma infecção, o futuro do ceifador estava nas mãos do pequeno médico que fazia tudo com um pequeno sorriso no rosto feito uma criança brincando com bonecos ou bonecas, preconceito ZERO!

Depois de uma hora, o corpo do rapaz estava coberto por curativos e seu pulso antes inchado havia diminuído um pouco e estava coberto por ataduras. – Não deve usar seu pulso por um tempo. Os cortes não foram tão profundos, mas você perdeu bastante sangue.. É melhor descansar. Este é.. Meu diagnostico! – Ele sorria ao terminar de falar, por mais que fosse uma criança, as técnicas de medicina utilizadas foram de um exímio doutor. Agora estavam os dois na sala sozinhos e não havia mais ninguém, o garoto se levantava indo em direção a sua cozinha e pegava uma panela. – Só sei fazer ovo, é.. Você gosta de ovo?


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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyQui 29 Mar 2018, 21:41

Aquelas vestimentas novas eram bem ridículas, pareciam até mesmo trajes de um turista retardado. Ainda bem que não sofrerei do mal de ser confundido com um destes; ninguém seria tão idiota ao ponto de visitar uma ilha escrota como essa nas férias. De qualquer forma, eram melhores do que os trapos do hospital. Enfim, vestia-me sem cerimônias, deixando surgir uma leve expressão de desgosto pelas roupas. "Caralho... Ótima forma de se desfazer de roupas que não quer mais, moleque...", imaginava.

Finalmente me dirigia a sala e, ao deparar-me com o guri, atirava uma frase insolente ao pequenino, que por sua vez se apressava em começar logo o tratamento. Sentava e este começava a agir; pomada ali, pomada acolá e logo colocava a mão na massa. Particularmente, era irritante e me deixava impaciente assistir àquilo tudo. "A merda do corpo humano é tão frágil... por que não poderia ter algo mais parrudo do que isso para bater nos otários?", perguntava-me. Todavia, aí está um questionamento mentalmente anotado para o caso de um dia ficar frente a frente com Deus. "Eu poderia dar umas ideias ao cara lá de cima, isto é, se ele quiser olhar na minha cara ao invés de me jogar direto no inferno. Aliás, se eu fosse ele, faria isso. Não gostaria de ter um diabo platinado rondando o meu céu, infernizando os anjos e a porra toda..." Bom, foda-se. É no máximo um assunto para entreter-me com meu próprio sarcasmo enquanto o pivetinho trabalhava.

De fato, ele parecia com Dimitri; por consequência, obrigatoriamente também parecia com a minha mãe. "Droga... Não consigo matá-lo de forma alguma. Devo me acostumar com a merda do fato de que minha mente associa muitas pessoas aos meus pais...", constatava, arfando e franzindo a testa. Observava-o enquanto agia, mergulhando em pensamentos distantes; de um lado, Dimitri era a parte séria da mamãe, e o garoto a parte descontraída, raramente mostrada. Abria um leve sorriso, desfazendo-o rapidamente ao atentar-me de que, mesmo nestas condições, não deveria baixar a guarda. Nunca mais, pelo menos nesta vida.

Após algum tempo, boa parte do meu corpo estava coberta de curativos. "Tá pensando que eu sou uma múmia, porra?", pensava, reclamando. Aquilo tudo dificultaria os movimentos, sem sombra de dúvidas. "Não posso ficar por muito tempo nesta casa, os vermes marinheiros já devem estar à procura...", pensava, ironicamente ouvindo como resposta um tímido gaguejar de palavras, seguido de uma recomendação de repouso. "Droga!", protestava. O moleque era tão audacioso que até mesmo sorria depois disso. Relevava, culpando sua inocência e descartando um possível sarcasmo advindo do mesmo. Após meu subconsciente associá-lo a minha mãe, tudo tenderia a ser relevado... Após alguns segundos de silêncio, este se dirigia a cozinha - não que fosse lá grande distância, diga-se de passagem - e oferecia-me ovo. Refletia por alguns instantes, levemente emocionado por lembrar-me de como dona Anne von LaMartine cozinhava para mim, e também por não ter mais recebido nenhum agrado do tipo desde a tragédia. "Chega, isso aí já ultrapassa os limites, é coisa de viado", repreendia-me.


- Fritos, por favor. - o respondia. Era como mamãe fazia; fritar os fazia ficar mais quentes, aliviando o frio que sentíamos por parte da inóspita ilha.

Esperaria o alimento, refletindo sobre o passado. Assim que o ovo chegasse, o devoraria sem nenhuma hesitação, não me importando se o pequeno havia mesmo os fritado, deixando a fome falar mais alto. Assim que houvesse oportunidade, perguntaria:


- Poderia me levar para conhecer mais a ilha quando estiver livre dos ferimentos? - diria da mesma forma que alguém que não quisesse nada além de um desinteressado passeio o faria. No íntimo, visaria buscar estabelecimentos para usar como alvos para assaltos.

Se houvesse suspeita de chegada de marinheiros ou simplesmente alguém suspeito a casa, correria ao banheiro e me trancaria, esperando que não tivesse me reconhecido.

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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyQua 11 Abr 2018, 17:44

O tratamento havia sido completado, e camadas de faixa se empilhavam sobre a pele de Oskar. Ele sentia uma certa dificuldade de mover seus músculos a vontade, as bandagens pressionando seu pulso talvez de maneira forte demais. Mas o homem deveria poder se movimentar normalmente, se não houvesse esforço demais. Uma ferida aberta nunca é uma boa notícia. Após dar uma breve analisada nos curativos, o olhar do ceifador se virou a uma estreita janela, logo acima do forno onde os ovos estavam sendo preparados. A vista era longe de ser magnifica: via-se apenas uma parede insalubre, com a pintura descascando sob os raios de luz, que, lentamente, tornavam-se alaranjados. O dia começava a alcançar o seu fim, trazendo as trevas da noite para o palco. De vez em quando, era possível se ouvir passos apressados de uma dupla, ou um trio de homens, provavelmente patrulhas procurando pelo fugitivo. Por sorte, Oskar parecia estar a salvo naquela pequena casa; por enquanto, pelo menos.

O ovo foi preparado, e o homem o engoliu avidamente, lembrando-se do gosto de casa, mesmo a qualidade da cozinha sendo questionável. Algumas porções estavam queimadas, mas ele não estava em posição para reclamar. Assim que o prato foi limpo, Oskar pediu um favor ao garoto; o pequeno, porém, parecia receoso, mordendo o lábio em duvida e ponderando por um tempo antes de responder, o tom de voz chateado e triste:

Hmm... Desculpe, mas acho que não vou poder. Sabe, eu não tenho permissão de sair de casa quando quiser, e se meu pai descobrir que eu o desobedeci...

Um calafrio passou pelas costas da criança, e seu corpo inteiro tremeu, antes de repentinamente virar as costas a Oskar. Alguns segundos de silêncio absoluto se passaram, o ceifador quieto e na expectativa de uma mudança de ideia. Mas o que saiu da boca do garoto foi completamente diferente do que o navegador esperava:

Você... é um forasteiro? Mas, se você não é daqui, como pode ser um mendigo? Quem é você, de verdade?

O garoto fitava seu hospede diretamente nos olhos, esperando uma resposta convincente. Era realmente bem estranho que um pedinte qualquer queira fazer uma visita turística na ilha em que ele se encontra. O silêncio então voltou a tona, desta vez carregado com o peso de uma tensão no ambiente. E talvez tenha sido esta calada repentina que salvou Oskar. Alguns segundos após a pergunta, passos puderam ser ouvidos logo atrás do batente da porta, e o tilintar de chaves batendo umas nas outras. Alguém estava chegando na residência, e era hora de se esconder.

O ceifador, alarmado, ergueu-se rapidamente, e correu para o banheiro, afim de trancar-se. No apresso, sua cadeira tombou, mas não havia tempo para pô-la de volta no lugar. Oskar entrincheirou-se ao lado da privada, e o guincho da porta soou. Os passos que invadiram a cozinha eram pesados, e não pareciam prover de apenas uma pessoa. Era, no mínimo, uma dupla, e a voz aguda da criança pôde ser ouvida, tímida e com um pequeno timbre de temor:

P-Pai... Você chegou cedo...

Que bagunça é essa? Por que você pegou o kit médico? Por que tem uma panela suja? E, moleque, é bom você ter uma bela explicação para todo esse sangue!

A voz era grave, firme, agressiva, e retumbava com imponência pelos corredores da residência. No banheiro, que estava longe de ser algo opulento, Oskar permanecia no escuro. Escuro este que não era total: um feixe de luz vinha de baixo da porta, e outro vinha do teto. Logo acima de sua cabeça, o teto tinha uma fenda, e um traço de céu alaranjado cortava o marrom da madeira. Um estalo então soou, repentinamente, seguido de um choramingo. Parece que o garoto estava apanhando feio.

Você não quer me falar, é? Então... Ah, desculpe, Marcel. Corra para o seu quarto, e vamos discutir isso depois. E é bom você estar pronto para cooperar.

Os pequenos passos mais leves do garoto chegaram aos ouvidos de Oskar, que notou sua sombra cobrindo brevemente a luz vinda de baixo da porta. Então, o raspar de uma cadeira no assoalho pôde ser ouvido, e a voz do pai soou novamente.


Onde estávamos? Ah, sim. Parece que o há algum fugitivo a solta em Shells Town, neste quarteirão mesmo, e o chefe não está nada feliz com isso. Diz que vai assustar a clientela, que não vai ir pra sua taverna. Ninguém quer topar com um criminoso em um beco escuro.

I-Isso é b-b... besteira. E-eles devem es-es... estar no...

A segunda figura era obviamente um gago, que fazia esforços imensos para fazer as palavras saírem de sua boca. Por sorte, o pai o tirava de sua miséria, terminando sua frase.

No lar das queixas. Sim, este maldito deve estar se escondendo em baixo da saia de Setsuni. Essa mocreia amante de bandidos só traz problemas para a nossa ilha; o chefe tem razão de odiá-la. Mas o delinquente tem razão, e eu faria o mesmo, se fosse uma escoria. Pelo menos lá ele vai ter um belo espetáculo, e a marinha não vai estar nas suas costas. Ele não deve ser importante o suficiente para a Marinha querer arriscar um conflito com o clã das Queixas.

M-mas se e-e... e-ele... não f-f-for...

Sim, se ele não for pego, ou pelo menos for mostrado que ele não está mais por aqui, a taverna do chefe ainda vai sofrer. Já sabe o que fazer então, não é?

O-o que fazemos de m-m-melhor!

O clique característico de uma arma de fogo então soou pelo corredor, assim como o raspar da cadeira. Os passos pesados seguiram até a porta da cozinha, onde o pai voltou a falar:

Vou só me equipar e ir ao banheiro, e já partimos para a caça. Faz tempo que não entrego uma cabeça para a marinha. Heh, estou até ficando animado.

Uma sombra passou pela porta do banheiro, bem mais volumosa que a da criança, e o silêncio tomou conta da residência. Oskar teria que agir rápido, ou a situação poderia se complicar muito para o seu lado.

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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyQui 12 Abr 2018, 22:35

Finalmente o procedimento médico havia terminado. Restaram algumas dores, confesso. Que se dane. O pior mesmo era que, depois de todas aquelas ataduras, eu estava parecido com uma múmia; fala sério. ”Espero que tenha sido realmente necessário, e não exagero daquele pigmeu...”, escarnecia. Aquilo me prejudicaria bastante caso desejasse sair daqui; deveria haver uma tropa de marinheiros em busca da minha cabeça e, mesmo que não houvesse, um homem repleto de curativos já é suspeito o suficiente. Por enquanto, que se foda. Até mesmo a parede maltratada pelo tempo que eu estaticamente fitava era mais interessante que aquele fuzuê entediante da marinha. “Deixem-me fazer o que eu quero em paz, porra!”, reclamava. Aliás, aparentemente parecia ser mais do que somente uma tropa: de tempos em tempos, uma marcha estranhamente sincronizada percorria os arredores. Só poderiam ser aqueles imbecis. "Idiotas, pensam que são donos de tudo...", protestava.

Os ovos logo chegavam, e os devorava de forma famigerada. Alguns mais tostados desgostavam meu paladar, mas seguia a comilança, indiferente. A fome poderia fazer com que um prato de pregos parecesse delicioso; a fragilidade humana é mesmo algo escroto. "Como poderíamos ser tão facilmente enganados até por nós mesmos?", me perguntava enquanto os engolia.

Terminada a refeição, entregava o prato ao garoto e aproveitava-me para ir direto ao ponto, com sede ao pote, pedindo-o para que desse uma volta pela cidade comigo. Recebia uma negativa reveladora: o moleque tem pai, e pela forma que anunciara, este provavelmente chegaria em breve a casa. "Vai me dar mais trabalho ainda!", lamentava. Para minha surpresa, logo em seguida, o cotoco perguntava quem eu seria de verdade. "Merda... por que ele precisava ser tão parecido com a mãe? Se não fosse, seria bem mais fácil de matar ele aqui e agora e puf, resolvido...". Um silêncio ensurdecedor seguia em polvorosa, manifestando-se como uma nuvem tóxica, infestando o ambiente com uma encorpada tensão. Felizmente, já havia pensado na possibilidade desta pergunta vinda dele e também numa possível resposta, para que eu não passasse por perrengues com sua possível reação caso descobrisse algo que não devesse... Quando estava a intentar movimentar minha boca para uma réplica, um ruído de chaves tiniu do lado de fora da construção, indicando a chegada de quem eu temia.

Corri ao banheiro, involuntariamente derrubando a cadeira por culpa da adrenalina que bombeava pelo meu corpo. Me tranquei e refugiei-me ao lado da digníssima... privada. O trono parecia mais desagradável do que nunca neste momento. Enfim, passado o desconforto, ao longe, escutava passos estrondosos, ruídos graves e murmúrios incisivos; certamente, o moleque estava tomando uma surra. "Tem sangue pela casa e ferramentas médicas jogadas pela sala e o pai decidiu-se por bater nele? Não deveria mesmo tentar entender como que essas tais pessoas boas funcionam. A hipocrisia pura!", não resistindo até mesmo numa situação como essa, ironizava.

Meu único sensor era a luz que invadia o banheiro pelas frestas e, malandro como sou, aproveitava-o, observando os feixes que vinham da parte inferior, que logo acusavam a aproximação de uma pequena sombra. Pelo tamanho, o dono desta era o tampinha, que aparentemente batia em retirada, visto que os passos foram gradualmente se distanciando. Sua saída se anunciava como o prelúdio para uma conversa entre dois homens. Um, meio retardado, era repetitivo e, francamente, era um saco até mesmo ouvi-lo falar. "Vou enfiar um cabo de vassoura no meio dessa garganta; curo a gagueira em dois tempos, tratamento intensivo. Hahaha!", sacaneava. Enquanto ria do homem, tentava acompanhar o teor da conversa em paralelo. Infelizmente, as vozes estavam abafadas pela porta do banheiro, não passando de um burburinho inútil. O outro homem, o pai do nanico, era mais eloquente - quer dizer, pelo menos não gaguejava -, aparentando ser o cabeça da dupla. Em resposta, calculava possíveis desastres: caso acontecesse o pior, estaria desarmado e consideravelmente ferido; definitivamente não seria a ora correta para agir.

Um estalo indubitavelmente mecânico retumbava ligeiramente pelo ambiente, semelhante ao timbre da arma que havia escutado na cadeia. "Merda", pensava. A adrenalina continuava a percorrer meu sangue em um ritmo descompassado. A dúvida me acometia; se o idiota soubesse que eu estava aqui, era o fim. A questão é: poderia isto ser apenas um joguinho antes de me mandar pra vala e em verdade já possuíam conhecimento de que eu estava aqui? Tal linha de raciocínio me causava mais inquietação: "Porra! Pensa, pensa, pensa!", instigava-me desesperadamente. Como uma cereja ao topo do bolo, o sujeito se aproximava do cômodo em que eu me encontrava, gradativamente fazendo com que a sombra dominasse o que antes era luz por debaixo da porta. Seria este o fim?

Já quase por instinto, avançaria em direção a porta, respirando e me movimentando o mais silencioso que conseguisse. Rapidamente, pressionaria a maçaneta da porta contra o outro lado sem girá-la, tentando evitar que o marmanjo adentrasse. Tentaria equiparar nossas forças de forma que a porta não se arrombasse contra ele e nem se abrisse em minha direção. A ideia, sem dúvidas, era fazê-lo pensar que esta havia emperrado. Não havia outra coisa melhor a ser feita: em uma batalha nas condições atuais, seria escorraçado.

Caso simplesmente desse errado, a abriria violentamente quando percebesse que a sombra deste havia se aproximado o suficiente para ser golpeado pela porta; tencionaria atingi-lo com uma verdadeira portada. Em seguida, desferiria um soco em seu rosto, o mais potente que conseguisse. Haveria de ser "O" soco, para que assim o deixasse descartado pelo máximo de tempo que pudesse. De sequência, correria em direção a cozinha, ignorando o gago e intentando esquivar-me de possíveis ataques vindos dele. Arremessaria-me pela janela do cômodo, cobrindo os olhos com a mão direita e contando com a sorte para que o resto do corpo não fosse muito machucado pelo vidro. Iria em disparada aleatoriamente para um local distante, somente parando quando percebesse que não havia ninguém ao alcance. Preferencialmente, buscaria por lugares desertos; provavelmente nestas regiões a chance de haver marinheiros deveria ser menor; considerando, obviamente, a burrice inerente aos membros desta organização.



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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptySeg 16 Abr 2018, 14:19

A situação parecia ficar cada vez mais apertada para o lado de Oskar; preso como um rato na residência, com dois caçadores que pareciam bem treinados e experientes, o ceifador, desarmado, tentava encontrar um jeito de se safar. Pensando rápido, seu único companheiro a goteira que fazia um som repetitivo e monótono, Oskar decidiu prender a porta, para que o dono da casa pense que ela está emperrada. O que poderia dar errado, não é? Apressadamente, visivelmente sem tempo para raciocinar nada de melhor, o homem correu em direção da porta, pondo todo seu peso sobre ela, as mãos agarrando a maçaneta como se sua vida dependesse disso. Por alguns segundos, nada ocorreu; um silêncio mortal pairava no ambiente, e Oskar apenas esperava que o momento do confronto nunca chegasse.

Então, a sombra volumosa tapou a luz que vinha de baixo; o caçador havia chegado, e ele começou empurrar a porta, girando a maçaneta. A força que ele havia usada era pouca, já que ele não esperava resistência alguma. Ele tentou uma segunda, terceira vez, e um praguejo estourou de sua boca, carregado de uma boa quantidade de raiva e frustração, mas tão alto quanto um sussurro. Então, a sombra se afastou; Oskar, aliviado, começou a relaxar um pouco seus músculos, uma calmaria antes da tempestade. Repentinamente, passos pesados, porém rápidos soaram sobre o assoalho, e, então, um choque fortíssimo atingiu o invasor do outro lado; o ceifador sentiu uma força tanta que, por um instante, ele sentiu sua alma deixando seu corpo. Sem poder equiparar o impulso dado, por causa de uma dor aguda que retornava bruscamente em seu pulso, Oskar teve de ceder.

O choque, tanta era a força bruta que ele causou, lançou o fugitivo para longe, sendo atirado para o outro lado do banheiro; por um meio segundo, tudo parecia se mover em câmera lenta; um homem com fáceis 2 metros e meio roçava sua cabeça sobre o teto, seu bíceps quase tão grosso quanto a cabeça do invasor. Ele trajava um terno desgastado e sujo, com algumas partes desbotando. Ele portava um chapéu coco marrom, e suas sobrancelhas estavam tão franzidas que parecia que elas chegavam à ponta de seu nariz. Seu rosto estava vermelho como um tomate, seu ódio aumentando a cada centímetro que o corpo de Oskar voava, e que parecia não deixar nunca a imensa sombra que o brutamontes lançava no banheiro.

Finalmente, o ceifador sentiu o baque em suas costas, lançando uma onda de dor até seus dedos dos pés, e que fez sua visão turvar-se por um momento. Mas, por sorte, ou talvez para alarmar o fugitivo ainda mais, as tábuas de madeira, que pareciam estar ligeiramente podres, estouraram com o choque, fazendo um rombo não muito grande na parede, levando para a liberdade. Oskar sentia-se tonto ainda, esforçando-se para não desmaiar ali. Mais passos puderam ser ouvidos, desta vez com mais dificuldade: um chapéu longo e pontudo aparecia no corredor, por trás do grandalhão, mas nada mais do gago podia ser visto. O pai andava lentamente até seu alvo, os punhos cerrados e enchendo-se de veias protuberantes e pulsantes. Estas apareciam por todo seu corpo, da testa até o pescoço, e podia se vê-las até pela jaqueta de terno do homem.

Ele respirava como um touro, e, com o tamanho de um, ele brandia seu rifle como uma clava. Talvez a ira estivesse cegando-o, por sorte. Ao lançar um olhar para trás, Oskar pôde ver que o buraco levava a um beco que ficava cada vez mais escuro com o pôr do sol: neste, havia uma lata de lixo alta o suficiente para se poder alcançar o teto da casa vizinha. Também havia um bueiro, que talvez estivesse selado, e que provavelmente levava até os esgotos de Shells Town. De um lado, o beco desembocava em uma grande avenida movimentada, com uma boa quantidade de passantes até mesmo a essa hora tarde; o outro lado, porém, estava fora do campo de visão de Oskar. O monstro, porém, se aproximava cada vez mais rápido, seu rifle subindo por cima de sua cabeça, batendo na lâmpada do banheiro e quebrando-a como se fosse um ovo. A ampulheta estava começando a se esvaziar para o criminoso.

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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptySeg 16 Abr 2018, 17:02

Como planejado, disparava em direção a porta, pressionando-a fortemente. "Agora só resta esperar o maldito...", pensava, mentalmente projetando o que viria mais a frente. Em pequenas porções de tempo, a luz era carcomida pela sombra fulminante, surtindo o mesmo efeito que um tubarão à espreita, com sua barbatana fora da água. Suas mãos incautas giravam a maçaneta, desinteressadas. Uma, duas, três vezes o miserável tentara, finalmente liberando uma miúda reclamação. "Ufa... Acho que deu certo...", deduzia, esperançoso, fazendo com que até mesmo descontraísse os músculos. Porém, curiosamente, este sequer atirava alguma frase além, causando certo suspense.

Segundos depois, uma marcha incandescente estralava pelo piso; um brutamontes se aproximava. "MERDAAAAAAA!", desesperava, dando tempo somente para um arregalar de olhos. O tempo se fragmentava em flashes, como se pudesse visualizar uma catástrofe. Lentamente, sentia estilhaços e impacto, juntos, esborracharem meu corpo, não conseguindo devolver em igual proporção a brutalidade com que fora atingido por culpa do ferimento em meu pulso; voava longe.  

O impacto parecia me carregar à força para outra dimensão. Com sorte, talvez nesta ainda houvesse pai e mãe. Dava-me ao luxo de pensar na minha trajetória até o momento atual; certamente, para me levar a tal ponto, a colisão deveria ter sido monstruosa. Não conseguia precisar ao certo, ainda sequer sentia a dor pois o choque havia sido fugaz demais. Em um lapso temporal, o ambiente retornava a acelerar-se em minha mente até voltar a frequência normal ao passo que meu dorso recostava vigorosamente contra a parede. O mundo girava por alguns instantes, e finalmente recobrava minimamente meus sentidos, estes que regressavam acompanhados de uma dor lancinante. A porrada havia sido tão forte que uma parte da parede estourava, formando um rombo. Por fim, avistava o que havia a minha frente...

Um homem altíssimo se revelava; quase um titã. Um chapéu-coco adornava sua cabeça, que triscava contra o teto. Vestia um terno sujo, desbotado, o que me fazia pensar que o havia adquirido diretamente do lixo. Para finalizar, era assustadoramente musculoso, em tom de mafioso. Eu estava fodido. "Nesse momento, só haveria uma pessoa mais fodida que eu: o filho desse filho da puta", escarnecia, não permitindo passar a oportunidade para o humor negro mesmo numa ocasião desastrosa como esta.

O cara estava puto demais. Como numa cena de filme de terror, vagarosamente avançava em minha direção, repleto de veias saltantes, estas que, de tão volumosas, apareciam até mesmo sob suas vestimentas. Estava vermelho com um tomate, fora suas sobrancelhas carrancudas. "Merda...", lamentava. Por detrás, surgia um outro chapéu; pontudo, extenso e até mesmo altivo. Era o gago. Notava mais um detalhe: nas mãos do grandalhão havia um rifle, contrariando o que havia deduzido. "Se fosse somente uma pistola, até que dava, mas rifle...", constatava. Quase em desespero, muito em parte conduzido pela aparência do escroto a minha frente, fitava de soslaio o buraco às minhas costas, visualizando um beco, uma lata de lixo e um bueiro, além de uma movimentada avenida. "Vai ser aquilo mesmo, foda-se", projetava.

O descerebrado seguia, aproximando-se cada vez mais. Era tão alto que, com a altura que seus braços carregavam o rifle, este último quebrava a lâmpada. "Vamos para o plano...", imaginava, indiferente ao dano causado no ambiente, já quase acostumado com a altura do meliante. Me ergueria rapidamente do chão, virando-me para a fissura e intentando atravessá-la rapidamente, para que não fosse acompanhado e nem desse tempo de ser atingido com disparos do rifle. "O monstrengo não teria como me acompanhar pelo buraco, somente o gago. E o gago não se parece exatamente com um problema...", desdenhava. Caso agarrassem meus pés ou minhas pernas enquanto estivesse a sair, tentaria soltar-me de um lado e com este golpear com fortes chutes quem quer que estivesse a me segurar até que este soltasse, dando continuidade a escapada. Daria uma investida em direção ao latão, certificando-me de vedar a superfície com sua tampa, para que assim pudesse usá-lo como apoio para subir. Com tudo pronto, esforçaria-me para me manter sóbrio, sem tonturas, tencionando subir sobre o telhado. Visaria analisar o lado mais deserto possível; assim que fosse analisado, retornaria ao latão e posteriormente ao chão, no intento de se evitar quedas bruscas e danosas. Por fim, iria em direção a tal lugar isolado apressadamente, sempre tendendo para o lado mais deserto, exceto se houvesse a presença de marinheiros, sua base ou mesmo qualquer figura análoga, neste caso preferindo qualquer outra direção.



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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyQui 19 Abr 2018, 14:27

O choque recebido havia sido tão poderoso que, por alguns segundos, Oskar viu-se sem reação, sua consciência indo e vindo e o brutamontes a sua frente transformando-se cada vez mais em uma mera mancha distorcida. Porém, bem a tempo, ele recuperou suas capacidades, reparando finalmente que sua situação era ainda pior que imaginava: o rifle já estava no ar e começava a descer, como uma guilhotina, acompanhada de um grunhido pleno de ódio do caçador, cujos olhos mais pareciam duas poças de sangue a esta altura. Bem a tempo, Oskar pôde virar-se e passar pelo rombo no muro, evitando o golpe por centímetros: este criou fissuras no solo, e um baque seco, porém altíssimo soou, mostrando que o ceifador poderia muito bem ter perdido algumas costelas se tivesse recebido tudo aquilo.

O tempo o apressava: mancando ligeiramente, ainda tonto do golpe recebido, Oskar fazia de seu melhor para correr em direção da lata de lixo, e ouvia sons de disparos logo atrás dele: o grandalhão havia sacado seu rifle e, sem poder passar pela abertura, atirava contra o invasor; porém, por sorte, nenhuma das balas foi de encontro com seu alvo. Elas atingiam o muro ao lado, deixando buracos bem assustadores na maçonaria: era uma sorte enorme que o pai não tenha uma boa mira. Passos mais leves soavam, como um rato correndo em um esgoto. O som ficava cada vez mais próximo, e, enquanto Oskar escalava o latão para subir até o telhado, ele podia ouvir uma respiração ligeira e entrecortada atrás de si. Finalmente sentindo as telhas sob seus pés, o criminoso correu para longe do brutamontes, olhando em volta de si: o gago estava começando a alcança-lo, escalando sobre o teto também.

Por sorte, porém, o caçador estava demorando mais: sem querer, Oskar havia derrubado a lata de lixo enquanto subia, e o gago tinha que repô-la no lugar antes de seguir ao seu encalço. O ceifador, então, não podia perder tempo. Vendo um segundo beco, ele correu na sua direção, pulando de volta para o rua, sem se machucar muito com a queda. Ele correu pela rua vazia, que, com a queda da noite que acabara de chegar, começava a se tornar macabra demais. Ratos corriam junto com Oskar, emergindo dos bueiros que emitiam um odor pútrido, e, o pior, era o silêncio. Parecia que tudo havia morrido por ali: nem uma luz podia ser notada, além do resplandecer da lua, e as trevas quase completas começavam a envolver o local. Olhando para cima, o criminoso pôde ver que nuvens negras, a distância, estavam a se formar, os arautos de uma tempestade.

Durante sua fuga por aquela ruela deserta, Oskar notou que uma porta, de madeira de horrenda qualidade, quase caindo pelos pedaços, repleta de musgo esverdeado, abriu logo a sua frente, soltando um guincho estridente. Antes que o ceifador pudesse reagir, uma mão saiu da abertura, agarrando-o pelo colarinho e puxando-o para dentro da residência. A palma que o tocou era repleta de calos, fria demais, e, no momento, Oskar conseguiu discernir diversas cicatrizes que cobriam a pele, algumas marrons, outras verdes como o musgo da porta, e outras ainda rubras como sangue. O criminoso rolou dentro de algo que parecia ser um assoalho de madeira, com um lindo tapete de musgo e outras ervas daninhas. O breu que reinava era absoluto.

Logo em seguida, os pequenos passos ligeiros do gago soaram, logo a frente da porta, distanciando-se com o tempo. Parecia que os caçadores estavam fora de seus pés, por enquanto. Mas uma visão ainda mais horrenda se apresentou a ele: uma vela foi acesa, iluminando apenas um rosto. E aquele era o rosto mais hediondo que Oskar viu em sua vida. Era uma pessoa com algo como um tumor em seu pescoço, inchado e roxo, quase preto, que mais parecia uma segunda cabeça que um inchaço; seu nariz estava torto, e deve ter sido quebrado centenas de vezes em sua vida. Seus olhos eram como dois buracos negros, aspirando a pouca luz que os cercava; eles eram coroados por sobrancelhas longas, hirsutas, e com sujeiras ainda alojadas lá dentro. Seus cabelos eram esbranquiçados, finos, e caiam até o chão. Seu odor, porém, era o pior: parecia que um enxame de moscas residiam em seu estômago, e, quando ele abriu sua boca para falar, Oskar sentiu que iria desmaiar.

Você! Por que está aqui! Essas ruas não boas para estranhos! Muitas coisas horríveis por aqui, heheh.

Sua voz era esganiçada, como se algo estivesse entalado em sua garganta, e ele não parecia ser muito habilidoso com palavras. Ele deixou a vela no chão, virando-se para longe, e seguindo pela escuridão total, levantando seus braços no ar e exclamado antes de sumir nas trevas:

Bah! Não importa! Muito trabalho para fazer! Esgotos limpos, sim, e cofres limpos! Senão taberneira brava, muito brava!

E, assim, ele sumiu nas trevas, deixando Oskar com apenas a vela a sua frente. Seus passos começavam a ficar distantes, e sumiam lentamente, agora apenas sons quase inaudíveis de agua respingando.

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MensagemAssunto: Re: Le voleur de coeurs - Un conte   Le voleur de coeurs - Un conte - Página 6 EmptyQui 26 Abr 2018, 00:04

O desespero batia à porta em intensidade elétrica, acelerando consideravelmente a velocidade que meu coração batia. Escalava o telhado, ávido por sossego, enquanto ouvia uma respiração ofegante e insurgente. "Merda...", reclamava, inconscientemente programando-me para que não olhasse minha retaguarda, pelo menos por enquanto. Ansiava pelo momento que viraria-me para trás e enxergaria a jocosa imagem do gago; era o que eu esperava. Se fosse aquele armário com aquela arma, estaria completamente arruinado. "Impossível... Com um tamanho daqueles, o telhado quebraria!", tentava me convencer fornecendo o que pudesse como esperança a mim mesmo.

Assim que pus meus pés em equilíbrio com o teto de tal construção, corri para longe e revirei-me ao meu redor, avistando o imbecil; olhando um pouco mais atentamente, observei que o latão havia tombado e, felizmente, o gago se punha a restabelece-lo em seu devido lugar, fornecendo tempo suficiente - aliás, assemelhava-se a uma lesma, diga-se de passagem - para que pudesse escapar. "Hora de ir embora e deixar o bostão nessa merda aí, hahaha!", e assim seguia. Percorria um beco vizinho, em cena austera: o cheiro verminoso causava repugnância até mesmo para um arruaceiro como eu. "Tsc...", pensava ao notar o odor, deixando ao relento uma expressão de desgosto.

Ratazanas corriam junto a mim, como numa corrida entre velocistas. Tudo vazio, sem um único maldito pela rua. A lua já dava as caras ao alto, junto a um iminência de uma tempestade; tal ambiente fazia com que eu lembrasse das traquinagens por Fernand Ice Island, com minhas madeixas prateadas ao vento gélido do povoado, símbolo local de que haveria confusão por vir. "Estou em meu habitat natural! Hahaha!". Com sorte, hoje isso se repetiria.

Inevitavelmente, distanciando-me brutalmente dos pensamentos que me rondavam, uma porta em condições deploráveis se abria em som tétrico e uma mão macabra buscava-me pelo colarinho, surpreendentemente. Era rugosa, fria; castigada pelo tempo. Rolava pelo solo, que não conseguia identificar o que este era exatamente pela emoção do momento. Ainda estático, ouvia passos golpearem o solo, incansáveis. "Gago...", era tudo o que conseguia pensar - ou melhor, deduzir -. Estava imóvel, observando a escuridão tal qual se observa um rosto humano. "Mas que merd...", antes que pudesse completar meu questionamento, uma vela se acendia a minha frente e revelava algo inenarrável:


- Crrr... - emitia pela boca um som que jamais conseguira sequer fazer antes, ou até mesmo tomar ciência de que este poderia ser feito, tamanho o susto que passei.

Uma face horrenda se anunciava. Possuía duas cabeças; a de baixo era roxa, quase preta. O nariz era torto, visivelmente remendado. Seus olhos pareciam duas bolas pretas, completamente sinistras, torneados por sobrancelhas sujas. Sua cabeleira parecia estar morta, branca como pena. Passado o susto, percebia que não se tratava de uma segunda cabeça, e sim de um tumor. Ainda assim, não perdoava até mesmo neste momento e ironizava: "Acho que preciso me esforçar um pouco mais se quero mesmo ser o rei do inferno como vi no sonho...".

Dentre todas estas características, a pior ainda estaria por vir. Assim que abriu aquela boca - digo, vala - para falar, momentaneamente senti que preferia ter morrido. Falava coisas aleatórias com uma voz de taquara rachada; foda-se. O susto já havia passado. "Lixo cancerígeno...", despejava. Deixava a vela ao chão e seguia, rumo ao buraco de onde saiu. "Vaza, belzebu!".

Assim que percebesse seu afastamento definitivo, pegaria a vela do chão e seguiria breu adentro. "Pelo menos a aberração parece ser mais fácil de matar do que o gago e o armário...", decidia-me, certo também de que não seria lá boa ideia permanecer do lado de fora, visto que ainda estava em período de cicatrização e molhar-me em tal estado não seria algo benéfico. Com a vela, iluminaria os vãos, evitando que a cera me queimasse. Visaria por um local com luz própria, para que não ficasse em desvantagem. "Se não me engano, o maldito - ou maldita, sabe-se lá se aquilo tem gênero - disse algo sobre taberna... A tal taberna não deve ser escura...". Assim que encontrasse tal lugar, me desfaria da vela, passando a observar o local para que eventualmente pudesse encontrar algo de útil. Afinal, não havia nada mais a ser feito, visto que não poderia de forma alguma ficar ao lado externo.
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Última edição por Jin em Sab 05 Maio 2018, 01:46, editado 1 vez(es)
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