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One Piece RPG : A GRANDE ERA DOS PIRATAS
 
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 E não sou mais um transviado...

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ADM.Tidus
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MensagemAssunto: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptySeg 23 Out 2017, 01:37

Relembrando a primeira mensagem :

E não sou mais um transviado...

Aqui ocorrerá a aventura do(a) civil Zuzu Hijra . A qual não possui narrador definido.


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AutorMensagem
Zuzu Hijra
OKAMA
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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptyTer 19 Dez 2017, 21:18



        Zuzu gostaria de jogar-se no tatame, gritar aos quatro ventos, dar pulinhos, cantar e emocionar-se com aquela vitória, entretanto, a presença de Raiki, seu oponente atônito por ter sido derrotado daquela maneira, o silêncio intimidante da plateia e, posteriormente, as palmas de seu mestre, fizeram com que suas emoções compactassem em seu peito e o levasse para fora do tatame da maneira mais graciosa possível: um cumprimento ao adversário, ao árbitro e ao mestre, seguido de uma caminhada firme em direção ao encontro do novo amigo.

        O reconhecimento da torcida, que antes cavava sua cova com palavras ofensivas, e a gratidão pelo encorajamento que recebeu de Ichida, fizeram marejar os olhos do okama. Era uma sensação incrivelmente prazerosa e inebriante.

         - NHA NHA NHA, querido, – responderia ao outro enquanto balançava a cabeça – isso é apenas uma petit amostra do grandioso poder que o Okama Way esconde de baixo de suas mascaras de cílios e barbas cerradas! NHA NHA NHA NHA

        Buscaria cruzar os olhos novamente com a estranha criatura que parecia persegui-lo dentro daquele local. Mas independentemente de encontra-lo ou não, manter-se-ia ao lado do ansioso amigo que estava prestes a encarar a sua luta.

         - Oh Darling, saiba que tudo dará certo e que vais acabar a sua em um tempo inferior a minha, ok? – colocaria o indicador em frente à boca e daria um sorrisinho – o “viado-san” estará torcendo por isso...NHA NHA NHA – viraria as costas e concluiria – Estarei aqui quando estiver no tatame, não se preocupe! Apenas irei arejar a minha graciosa penugem de galo de briga... NHA NHA NHA NHA

        Zuzu, então, partiria – de preferência sozinho, afinal, a ansiedade que estava quase transbordando de seu peito não precisava somar-se ao de Ichida e deixa-lo louco – para o lado de fora do local do evento. Sua busca por informações sobre os revolucionários era o motivo principal para que rumasse até a cidade. Desse modo, conversaria com os ambulantes que mercadejavam uma variedade enorme de produtos – bem, pelo menos para um mendigo – com o intuito de sanar sua curiosidade... Na verdade, aquela necessidade do okama já não podia continuar sendo encarada como um interesse leviano. Sua cabeça, que sempre estava alheia e abarrotada de músicas alegres e empolgantes, não parava de lembra-lo de seu afastamento para com os seus princípios libertários e até mesmo subversivos, que sempre moldaram e regeram sua medíocre vida.

        Era preciso subverter a lógica de dominação que seus pares, todo e qualquer grupo de homens e mulheres marginalizados e explorados, sofriam diuturnamente nas mãos de omissos oficiais de qualquer origem, dos grandes empresários e dos...tsc...malditos Tenryuubitos, a estirpe que mantém em sua genealogia a mais terrível e cruel arma de opressão: a classe.

        Mas passos lentos e meticulosos conduzem grandes homens, mulheres e okamas ao sucesso, bem...nesse caso, à liberdade. Sendo assim, sua tentativa seria a mesma de antes: encontrar jornais, intrometer-se em conversas e bisbilhotar atrás de informações sobre os revolucionários no South Blue.

         “♫ Oh, senhor cidadão/Eu quero saber, eu quero saber/Com quantos quilos de medo/Com quantos quilos de medo/ Se faz uma tradição?/ Oh, senhor cidadão/ Eu quero saber, eu quero saber/ Se a tesoura do cabelo/Se a tesoura do cabelo/ Também corta a crueldade [...] ♫”.


Objetivos:
 

OFF:
 


Última edição por Zuzu Hijra em Seg 08 Jan 2018, 16:43, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptyQui 21 Dez 2017, 11:25

~ Mal presságio ~

[Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]Surpreendentemente, após três rápidos cumprimentos Zuzu sai do ringue de maneira casual, muitos espectadores começaram a pensar que toda aquela entrada espalhafatosa em meio a uma canção foram apenas para distrair seu oponente e fazê-lo subestimar suas habilidades. Boa estratégia – alguns diziam – e ainda que tenha funcionado mais ou menos assim, sabemos que em verdade tudo apenas aconteceu como tinha de ser. Desceu do tatame e foi ao encontro de Ishida, que aceitando o apoio limitou-se a responder.

[Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]– Vou tentar acabar com ele usando minhas mãos! Finalmente um brilho assassino surgia nos olhos do rapaz, bem diferente de antes, quando se tratava de lutar, a verdadeira força interior aparecia. – Obrigado pela torcida Zuzu.

[Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]Tendo partido para o lado externo, Zuzu perdia algumas lutas dentro do ginásio, mas tinha em mente procurar informações sobre a revolução. Infelizmente as palavras lhe faltavam diante dos ambulantes, ao menos, nada disse afinal, distraindo-se com pensamentos sobre a crueldade dos homens e a opressão exercida sob os mais fracos. Haviam barraquinhas de todas as ordens em volta dos muros do ginásio, e mesmo no pátio a sua volta, artesanato, utensílios, e muita, muita comida, os cheiros ali eram deliciosos, e nos pequenos intervalos entre as lutas, as pessoas corriam para saciar sua fome, sua sede, ou adquirir alguns souvenirs, eis que uma pessoa familiar, mas ainda não conhecida estava sob um tapete, era uma figura isolada dos outros feirantes, e não tinha quase nada para vender, a não ser é claro que vende-se algodão, areia e retalhos em pequenas quantidades. Então imagine só qual seria a surpresa de Zuzu quando visse nas mãos daquele ser de máscara e roupas bufantes, linha e agulha, e com exímia perícia pegava alguns tecidos, cortava, e alinhavava em um instante uma roupinha idêntica a que o okama vestia.

[Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]Exatamente igual, mas não só isso, a boneca apesar de ter o formato arredondado pelo enchimento, era muito bem-feita e possuía até um pequeno turbante, na mesma cor… Não haviam mais dúvidas… Era Zuzu o modelo para a boneca, e se o mesmo se aproximasse teria ouvido a voz abafada pela máscara. – O que você acha dela? Gostaria de levá-la querido? Eu tive essa inspiração assim que te vi subir no tatame hu-hu-hu!

[Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]A voz abafada e os trajes, não indicavam nada sobre o sexo ou origem daquela pessoa afinal, mas isso certamente só faria aguçar a curiosidade. Depois de uma pausa para avaliar a reação do taekwondoca, o sujeito continuava. – Olha, você lutou tão bem querido, mas tenha cuidado, eu acho que alguma coisa ruim vai acontecer aqui hoje, tomara que tenhamos a proteção da santa Ivankov conosco, ventos de mudança estão chegando para esta ilha, mas ainda acho que é a mudança errada… O mascarado abaixa a cabeça ao final, e finalmente estende a boneca para Zuzu. – Pegue é um presente.

Considerações:
 

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Zuzu Hijra
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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptySeg 25 Dez 2017, 23:36



        Nenhum sinal do ser misterioso que tanto intrigava Zuzu. Na verdade, ali dentro só estavam os lutadores, a grande torcida e seu amigo ansioso pela luta que viria.

         - Não se preocupe, pequeno – colocou a mão sobre a cabeça do rapaz e sorriu – Apenas não esqueça que é um campeonato de chutes e que precisará de muito mais do que apenas suas mãozinhas de garoto NHA NHA NHA!

        Distraído com tantas opções que os comerciantes traziam consigo, com a sua frustração e a música que fazia pano de fundo aos seus devaneios, acabou por não fazer nenhuma de suas perguntas a um dos ambulantes ou compradores. Aliás, problema seriíssimo que o acompanhava desde que era apenas um botão de rosa em meio aos espinhos que o cercavam. Talvez uma criatura tão desarranjada precisasse ser aérea, sonhadora, como forma de blindar seu coração e sua mente dos males que tanto o assombravam: a fome, o abandono, a rejeição, o nojo, a contradição, a revolta e, principalmente, a indiferença. Na verdade, aquele homem possivelmente precisasse de uma armadura maior do que apenas a música, as artes e a subversão, que já começara a lhe apertar os pés e sufocar-lhe o peito...Quem sabe? O importante é que, apesar do barulho que desviava seu entendimento, seu corpo transbordava vontade. Um querer insurgente, forte e belo, como ele...

        Enfim, como de costume, Zuzu foi resgatado do seu iminente afogamento. Embrenhado em seu mar de parênteses, avistou uma sombria e familiar embarcação: o tal ser mascarado sobre um tapete. Com ele ou ela, um punhado de algodão, areia e retalhos, que, pouco a pouco, transfigurava-se em uma linda bonequinha. O okama, que estava todo encurvado e quase grudando os olhos no objeto, somente compreendeu que tratava-se de uma representação sua – ele começara a desconfiar quando a pessoa iniciou a confecção detalhada de seu tão amado e precioso turbante – e confirmou, com a voz sufocada, que era mesmo a inspiração para aquele singelo e delicado artesanato.

        Sentimentos clandestinos subiram à bordo de lembranças doloridas e muito estimadas para Zuzu, que, sem pensar duas vezes, deixou que lágrimas sinceras escorressem sob sua face de homem maduro e rescaldado e também visionário e audaz. Via tanto naquele monte de retalhos que apenas o que mais amava poderia traduzir com clareza o que sentia.

         - “Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança... – cantaria, enquanto sentava-se em frente à artesã ou artesão, com uma voz suave, usando toda a emoção que sentia - ... e o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou um consolo... – limparia o choro com a palma da mão e terminaria - ...hoje eu acordei com medo mas não chorei, nem reclamei abrigo, do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro... ♫”

        Acalmar-se-ia e ouviria cada palavra daquele indivíduo misterioso com certo receio. Apesar de ter ignorado até aquele momento o que ouvira alguns minutos atrás, não podia deixar que a situação prosseguisse daquela maneira. Com a sua estimada boneca na mão e encarando a máscara, disse em tom firme:

         - Não muito tempo atrás você passou por mim e ameaçou-me dizendo que “duro vai ser o caixão que eu vou preencher com seus corpos” e agora me presenteia com... – olharia com carinho para o presente e passaria os dedos gentilmente por ele  - ...com essa boneca? – semicerraria os olhos e indagaria com uma intensidade muito verdadeira  – Quem é você? O que você quer dizer com tempos de mudanças ruins? Quem é Ivankov e por que ela tem relação com o que sentes? Qual o seu nome? Qual o motivo da máscara? Qual o seu interesse em mim? O QUE QUER DE MIM? – a última pergunta foi como um apelo desesperado por respostas que começavam a angustiar a alma de Zuzu.

        Não sabia mais como se portar diante daquela situação que parecia como uma das pausas eternas de uma emocionante e esplendorosa apresentação ao ar livre, em que qualquer sinal de chuva espantava os curiosos e desavisados, mas segurava com afinco os amantes da música até o final. Sendo assim, gotas salgadas de chuvas de ansiedade escorriam em sua testa e esperava inquietamente a continuação daquele ato que, pelo visto, estava longe de dar-se como acabado.


Histórico:
 

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Última edição por Zuzu Hijra em Seg 08 Jan 2018, 16:43, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptySex 05 Jan 2018, 04:31

– A boneca é um presente – ladrou um esganiçado riso, contido e abafado. –, será sua única companhia no mausoléu com seu nome. – Pausou, como se soubesse que seu presenteado iria começar a bradar indagações quanto aos seus feitos precedentes ao presente. O misterioso soergueu sua cabeça fazendo seus pequenos e negros olhos brilharem num tom mortiço nas frestas da máscara.

– O destino, garoto, ninguém pois o sabe ou o suspeita. – Virou e partiu, embora parecesse perdurar sua ladainha, sabendo que o cantor estaria todo ouvidos: – perguntas em demasia, acumulam respostas e muitas respostas porão seu juízo para fora de sua cabeça. Tome cuidado, pois o vento uivará, duros caixões prenderam todos vocês e a deusa regressará. Se não almeja transpor sozinho seu sepulcro, não perca sua boneca.

O rapaz travestido poderia correr atrás do profeta – ou falso profeta –, não obstante os louros do combate vieram na pior hora possível e um homem alinhado e de terno apareceu. Envolto em uma aura de elegância e solenidade um tanto arrepiantes, ele balbuciou quando chegou próximo o bastante: – sabe qual foi a primeira coisa que eu me perguntei quando vi uma senhora lutando contra um lutador profissional? – puxou assunto, mas a pergunta era retórica. – “O quê uma velha está fazendo aqui?”, mas dai eu notei a largura da sua cintura e a envergadura dos ombros. – sorriu, malicioso como se compartilhasse com ela um segredo nada óbvio.

– Peguei-me estupefato quando em um piscar de olhos as costas do Hidan bateram contra o tatame. Eu só pensei: uau!, quando vi. Venho aqui todos os dias, sabe?, é o meu trabalho buscar lutadores notáveis que tivessem o discernimento para lutar pela causa da revolução ou desfalecerem na sarjeta proposta pelo governo – puxou um cartão do bolso interno do seu paletó e colocou na frente do rosto da boneca que o Zuzu segurava com todo o esmero. – Bela boneca, você quem fez? – partiu antes da resposta, dando um tapinha no ombro do notável lutador e sumindo em meio a multidão de espectadores do torneio.

No cartão, havia os dizeres “Gastronomia Mundana. Bairro do Escoador, rua do Tritão Esfolado, número 12” e nada mais. Além disto, não passava de um cartão em branco que de suspeito não havia nada. Quanto o que cerne a localização do cartão, o pouco que Zuzu podia puxar da memória era que o bairro era a parte residencial mais próxima da porção com neve da ilha, seu próprio nome era dado por ele ser o “escoador” do frio que aquela região proporcionava. Quanto ao restante, ele desconhecia por completo o nome da loja, embora tivesse uma vaga memória de onde a rua ficava.
Off:
 

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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptySab 06 Jan 2018, 08:56



        As palavras daquela pessoa entravam pelos ouvidos de Zuzu e transformavam-se em moscas desgovernadas, barulhentas, confusas e irritantes. Pareciam querer pousar sobre sua mente e perturbá-la, como ele mesmo predizia. Eram duras, enigmáticas, ameaçadoras e, de certo modo, desconexas. Apesar de correr instintivamente para cobrar-lhe explicações menos densas, parecia que aquele ser ficava mais distante a cada passo. Um sentimento de intensa preocupação tomava conta de seu corpo e a impotência diante da situação transformava aquilo em um solo de violino desafinado e angustiante. Para dar um ar ainda mais inoportuno àquele show, um homem em trajes finos interceptou o okama em sua falha perseguição.

         “Oh céus, mais um para terminar de ferrar com o meu dia”, pensou ao encarar aquele admirador. Não que o okama quisesse saber quem ele era, na verdade, o preconceito com engravatados vinha desde a época em que estes frequentavam o Club Burlesque & Jazz e usavam de sua condição para transformar aquela pequena ilha em um território de luxúria e diversão, tudo à base dos cantos e encantos de seus talentosos escravos, incluindo Zuzu. Enfim, deixou que falasse já preparando uma ácida resposta.

         – Sabe qual foi a primeira coisa que eu me perguntei quando vi uma senhora lutando contra um lutador profissional? – emendou – “O quê uma velha está fazendo aqui?”, mas dai eu notei a largura da sua cintura e a envergadura dos ombros – sorriu dissimulado.

         - Senhora?! – respondeu em um tom brincalhão, mas um fundinho de indignação verdadeira despontava  – Eu seria no mínimo uma jovem mulher com seus 30 anos, ok? – cruzou os braços e encarou o outro.

         – Peguei-me estupefato quando, em um piscar de olhos, as costas do Hidan bateram contra o tatame. Eu só pensei: “uau!” quando vi – os olhos de Zuzu brilharam quando ouviu aquilo e deixou que seus braços caíssem e uma postura mais relaxada tomasse conta - Venho aqui todos os dias, sabe? É o meu trabalho buscar lutadores notáveis que tivessem o discernimento para lutar pela causa da revolução ou desfalecerem na sarjeta proposta pelo governo – um cartão branco pousou sobre o rosto de sua boneca – Bela boneca. Você quem fez?

         “Discernimento para lutar pela causa revolucionária? Será que isso é real?”, pensava enquanto o homem se afastava sem querer saber realmente se era ele o artesão. “Gastronomia Mundana. Bairro do Escoador, rua do Tritão Esfolado, número 12... Lembro-me de ouvir algo sobre um local que diverge do frio da região e essa rua eu acho que conheço, mas...”, coçava a cabeça como quem estimula as ideias a brotarem,  “...Ai, ai, ai... eu to ficando é DO-I-DA”, caso tivesse um leitor de mentes por ali, provavelmente ficaria surdo após a última palavra, pois o agudo de seus pensamentos materializou em três ou quatro oitava a cima.

        Guardou o tal cartão e a boneca por entre seus trapos e decidiu que voltaria ao torneio. Por mais tentador que fosse sair correndo dali e ir direto ao endereço, a sua chance de receber um bom prêmio em dinheiro estava piscando para ele. Seu desejo profundo de partir da ilha rumo ao encontro de quem precisasse dele – mesmo não determinando muito bem quem seria – e poder juntar-se aos que tão bravamente trabalham pelas sombras trazendo luz aos desesperados, era sua prioridade e não podia redirecioná-la por puro capricho, afinal de contas, todo esse tempo compartilhado com a terra úmida durante as noites em sua tenda de papelão e a fome que por vezes corroia seu espírito, mostrou-lhe que o vil metal é uma chave para importantes portas.

        Iria, portanto, retornar ao ginásio e buscar por Ichida, torcendo para que este já não estivesse no tatame. Caso sua luta já estivesse iniciada, tentaria ficar o mais próximo possível para que sua torcida fosse audível ao colega. Em um cenário diferente, procuraria por ele para perguntar-lhe sobre o endereço.

         - Meu querido, - diria se o amigo fosse encontrado – você pode me ajudar com uma coisinha? Preciso me orientar sobre esse destino aqui, ó – puxaria o cartão e mostraria a ele – Minha memória de peixinho está falhando comigo hoje, será que pode ajudá-la?

        Se, eventualmente, depois de alguns minutos procurando – não se desgastaria com algo que pode ser deixada para mais tarde -, o rapaz não desse as caras, Zuzu apenas sentaria com sua boneca e cantaria, tentando abafar as moscas que ainda rondavam sobre a podridão de suas dúvidas:

         - It's the terror of knowing what the world is about/ Watching some good friends screaming: "Let me out"!/ Pray tomorrow gets me higher/Pressure on people, people on streets... ♫


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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptySeg 08 Jan 2018, 19:30

O Hijira regressou à plateia. Possuindo o deleite de acompanhar a justa de Ichimaru a partir de seu segundo round. Degustando de uma luta acirrada e despejando brados de incentivo ao receptivo veterano. Somado a todo o resto da plateia, o vivaz moço, se destacava sutilmente, embora todos soubessem que aquela ladainha seria sensorialmente ignorada pelos lutadores mais experientes, que evitariam a todo custo despender a atenção do seu embate tentando reconhecer quem clamava por sua vitória. Os golpes vinham, voltavam e tornavam vir. Num show de conhecimento corporal e concentração de ambos os participantes, que já resfolegantes e condessavam fumaças a frente dos seus lábios inchados por um golpe que entrou bem.

O ritmo foi aos poucos sendo mais lento. A batalha de resistência tenderia a continuar até que um dos dois estivesse fadigado o suficiente para que um golpe fosse bem encaixado e levasse o outro a famigerada derrota por nocaute técnico. De frente para a arquibancada de cinco andares, do outro lado do tatame, pairava o juiz que encarava a dupla e parecia não piscar um segundo que fosse. Raiki era um lutador experiente e a justa parecia um valsar de dois bailarinos frente aos seus olhos, obrigando o mestre a arquear o bigode e franzir o cenho todo falso clímax embasado num golpe que poderia levar ao fim do embate, mas não o fazia. Ali o juiz preparava-se para intervir o quanto antes, para que nenhum dos lutadores despendesse de sua própria vida em um torneio que visava agregar coesão aos próprios participantes mais do que pretendia fazê-los trucidar uns ao outros.

E o gongo tocou, prenunciando o encerrar do segundo turno e fornecendo os curtos instantes de realinhamento dos combatentes no tatame como descanso para a dupla.

O terceiro ato germinaria pouco mais de um minuto depois do gongo alertar o fim do seu antecedente. O adversário de Ichimaru prendeu uma mexa do seu cabelo negro e encaracolado para o rabo-de-cavalo e secava o suor que escorria pela sua pele cor de ébano com as costas da mão, no seu tempo de descaço. Enquanto isto, o escolhido de Zuzu descansava apoiado em seus joelhos, visivelmente abatido quanto ao perdurar do embate. O juiz incitou a volta dos combatentes ao terceiro e último ato, que, se ninguém fosse nocauteado seria ele o encarregado de ceder os louros ao merecedor.

Prostrados um em frente ao outro, o homem negro saltitou, Ichimaru cambaleou e um martelo rodado fora deferido com a extrema maestria como só um capoeirista poderia galgar. O chão acolchoado do tatame foi de encontro com o campeão do homem-travestido e ele golpeou o chão já aquém de qualquer consciência. A plateia prendeu a respiração por um segundou, mas após o primeiro uivar a glória do desconhecido capoeirista todos começaram a saudá-lo. “Você conhece ele?” Zuzu ouviu alguém cochichar, mesmo em meio à plena balburdia. Pelo volume da voz, a pergunta não lhe devia respeito. “Nunca vi mais feio” gracejou o outro homem, remetendo a um dito popular instituído por um pirata que sempre respondia com esse jargão em uma novela publicado até hoje no jornal. O okama não recordava ao certo o nome do encadernado da estória, mas que não fugia de “o boca-suja”, ou “o falastrão”, ou qualquer coisa parecida.

O mestre levou o lutador com o braço canhoto dele envolto no seu ombro, alegando que uma pausa seria feita e um buchicho fervilhou os espetadores que alegavam que a benevolência do mestre apenas se dava pelo lutador ser seu filho bastardo. Eles adentraram um corredor e Raiki destravou uma porta que descia rumo a um andar subterrâneo, Zuzu seguiu seus calcanhares, pois desejava saber a localização de sua carta. Em vista da empatia que sentia ao compartilhar da visível dor que açoitava o perdedor, o cantor teve a descendia de perguntar com o rapaz já debruçado em uma maca de hospital na enfermaria improvisada que, segundo Raiki, era embaixo da mansão Yang.

– Uma ajuda? – repetiu Ichimaru num suspiro. – eu acho que preciso mais de ajuda que você. – brincou, embora fosse palpável a decepção da perda – Mas, sim. Eu posso te ajudar... só falar...

Ela entregou o endereço ao perdedor. Ele olhou por um bom tempo e depois o fitou com desconfiança.

– O quê você vai fazer em um bordel barato? – indagou, retórico. Ele preferiria não saber. –Bem, é só você pegar a rua principal e ir numa choupada embaixo de um armazém de peles fedorento. Não tem como não achar, é o lugar mais mal frequentado de toda a ilha. – pausou, analisando-a bem. – Se você se perder, siga a corja que você acabará lá.

– Ei, okama – interveio o mestre. – vou voltar ao tatame e a próxima luta é sua. Se eu chegar antes de você, você perderá por desistência. – brincou.
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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptyQui 11 Jan 2018, 12:33




        Ao adentrar o ginásio, Zuzu logo pôde ver que a luta de Ichida já havia começado e estava acirradíssima. Seu oponente, um belo e habilidoso capoeirista, parecia dançar sobre o tatame, assim como seu estimado amigo. Uma peleja de dar gosto aos espectadores, mas não ao escandaloso e angustiado okama. Seus gritos desesperados ecoavam pela plateia, fazendo com que chamasse mais atenção do que o normal, entretanto, não ligava nem um pouco. Tudo parecia intenso demais para um simples torneio e isso causava calafrios em sua espinha. A possibilidade de ver uma pessoa tão gentil derrotada e, na pior das hipóteses, machucada – pois era surpreendente a forma como o seu adversário desferia os golpes numa força de deixar qualquer taekwondoca abismado -, era terrível!

        O tempo corria e o apogeu daquela trama aparentava não querer acontecer. Quando finalmente decretaram uma pausa, seus olhos fitaram Ichida e Raiki, principalmente o primeiro, que, descansando daquele feroz duelo, estava envolvido em uma áurea de cansaço e uma precoce frustração. Possivelmente seu corpo já não conseguia mais sustentar aquele ritmo e quiçá ultrapassa-lo rumo à vitória.

        O gongo soou.

        Não demorou muito para o barulho daquelas colisões – a de seu martelo rodado e a queda do competidor – reverberassem violentamente pelo local. Para Zuzu aquilo foi um paradoxo: era extraordinariamente atroz. Passou alguns segundos paralisado com o que acabara de acontecer e apenas retornou a prestar atenção no desenrolar daquele conto quando ouviu, em meio ao público, dois cochichos interessantes.

         “O boca-suja... O falastrão... Combina bem com a estirpe que vibra enquanto um dos lutadores jaz inconsciente por causa de um torneio...tsc”, pensou, esquecendo por um breve momento que também fazia parte daquele show. A hipocrisia é uma arte para muitos; reconhecê-la é para poucos. O okama não fugia a regra: era um traidor de seus intentos, pois no fundo sentia um prazer imenso naquilo tudo, incluindo o nocaute de Ichida. Era um cantor de rock juvenil que, em frente aos fãs provocava e desmerecia outros ritmos, mas em seu quarto transava ao som do blues. Aquela criatura travestida se regozija com a bestialidade, mas a esconde sob uma fina camada de debilidade. Enfim, quimeras para outra hora.

        Correu escandalosamente atrás do mestre e de seu amigo – que, segundo o turbilhão de fofoqueiros, poderia ser o filho bastardo de Raiki – na esperança de poder ajudar ou ser ajudado. Observou calado e aflito enquanto o outro era colocado sobre a maca e recobrava os sentidos lentamente. Assim que ele mostrou-se um pouco melhor, falou:

         - Oh querido... – passou a mão em seus cabelos – Não fique assim, ok? Já, já eu é quem irei te bater de novo pelo susto que me destes – entregou o cartão e ouviu atentamente – Er...hum... eu... – ficou nervoso com aquela embaraçosa situação – É que eu... Eu vou visitar outro mendigo que conheci – o sorriso amarelo e com os dois dentes ausentes não convenceria ninguém. Pegou o cartão de volta, colocou em um local da roupa que tinha certeza que não iria cair caso precisasse correr ou algo do tipo – Ah sim! – deu um pulinho como se acabasse de acordar  – Já estou indo, Mestre! Cuide-se, Darling...  – um suave beijo pousou na testa de Ichida e em seguida disparou ridiculamente para o epicentro do festival.

        Buscaria ouvir atentamente a chamada para de imediato seguir até o tatame. Independentemente de quem fosse o seu obstáculo até o prêmio, usaria todos aqueles sentimentos como um motor para seus golpes. “Serão rápidos como um gato, bonitos como o voar de uma borboleta e ferozes como um okama!”, pensaria enquanto sua face estampasse uma expressão determinada, mas engraçada, afinal de contas, um homem maquiado e maltrapilho continua sendo uma deliciosa distração. Manteria em mente, também, a orientação que recebera para chegar ao endereço no cartão. “Um bordel... Não é como se isso me assustasse ou fosse diferente da realidade em Nobbio Werneck, apenas me deixa curioso sobre a forma que os revolucionários encaram as dificuldades de organização aqui na ilha. Pois bem, torço para que isso daqui acabe logo e eu saia com dinheiro no bolso, o rosto inteiro e tempo para ir para lá. Quero matar saudades...”.

         - NHA NHA NHA NHA – a risada sairia do escopo do pensamento e preencheria o vazio que a torcida do derrotado garoto deixava.

Subiria ao ser convocado, cumprimentaria novamente o seu oponente, seja ele qual fosse, e traria para si a responsabilidade de ganhar aquela luta com uma brutalidade de igual ou maior intensidade do que a de Ichida. Aquele capoeirista, de certo modo, atiçou os instintos do okama.

Trabalharia com a possibilidade de iniciar o confronto passando e apoiando a perna direita com mais força no lado esquerdo do adversário e desferiria um chute seco com o peito do pé esquerdo em seu tórax. Caso se suceda um contra-ataque por parte dele/dela, mirando a base de Zuzu, atreveria-se a dar um pulinho como esquiva, sendo basicamente um espacate gracioso. Já em uma investida por cima, tentaria usar o seu antebraço para bloquear e aproveitaria a brecha para calçar o pé que estava firmado, tentando desequilibrar seu rival.

Caso ocorresse de sua ofensiva ser mais lenta do que a do/da outro/outra, e imaginando um golpe sendo desferido para acertar sua cabeça ou face – como era o objetivo na maioria das lutas que observara -, elevaria os ombros, para proteger a lateral, orelhas e bochechas, e colocaria os braços de maneira cruzada na fronte para criar uma barreira. Em uma eventual falha ou até mesmo mudança de alvo para as costelas, por exemplo, deixar-se-ia que seu/sua carrasco/carrasca o acertasse e tentaria segurar sua perna, com toda a força que tivesse, para em seguida correr empurrando-o/empurrando-a para que desse largos passos rumo ao limite permitido, buscando uma vitória rápida.

Seus planos eram arriscados, mas estava decidido a ter um combate febril desde os primeiros segundos.



Histórico:
 

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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptySeg 15 Jan 2018, 14:56

A dupla regressou ao ginásio, desatando o emaranhado de vozes rancorosas ao silêncio cirúrgico que apenas um mestre de arte marciais poderia instaurar sem proferir um fonema que fosse. O juiz prostrou-se ao centro do tatame e convocou os dois participantes da segunda etapa, declarando que ali iniciaria a segunda etapa do torneio e que cada um que fosse chamado já era um vencedor por demonstrar sua arte. “Aqui o único vencedor é a arte”, bradou e foi ovacionado pelo público. Pareciam ter esquecido por completo de que há pouca haviam transmutado benevolência em motivo de muchacho.

Em meio à salva de palmas, o Hijra foi ter com seu inimigo, convocado sob o título de “Don Louis-Auguste”. Pouco mais de meio minutos após o homem travestido tomar o tatame, as sombras de um canto escuso no meio da multidão moldam um homem dotado da pompa para ceder um beijo à plateia e retirar suas botas de cano alto antes de pisar no ringue. Suas madeixas brancas dançavam ao sabor do vento e sua franja cobria quase que por completo seus olhos. Trajado em um porte fino de um uniforme extremante bem alinhado, casando o tom cinza ao carmesim cor-de-sangue, com na altura de seu bíceps canhoto uma faixa com um símbolo que o musicista não tinha toda a certeza do que significava. Embora, da sua maneira, desconhecer o símbolo transmutava tudo aquilo num medo do desconhecido.

Do mesmo local pouco iluminado que seu oponente havia saído, outros dois homens se escondiam ali. Trajavam uniformes semelhantes embora com cores diferentes. Mesmo ali, encobertos no único lugar mal iluminado de todo o salão, o trio claramente se destacava no meio daquela plateia com toda sua elegância e suas vestimentas finas demais para um torneio como aquele. Não existia qualquer motivo para a sensação estranha assolava Zuzu ao olhar diretamente para aqueles homens, embora a faixa no braço do seu oponente já tivesse incitado o temor que os outros dois apenas precisaram atiçar para que a chama crepitasse mais forte.

O elegante desconhecido partiu diretamente para cumprimentar seu adversário:

– Muito prazer – largou um sorriso inocente ao seu oponente enquanto apertava sua mão e se aproximando para dar uma tapinha em suas costas, com a mão livre. Aproveitando sussurrou ao seu pé do ouvido, quase seu movimentar seus lábios: – um amigo meu falou algo sobre você e um bar suspeito...

A mão enluvada transmitia um frio nada comum, embora isso só demonstrasse certa ansiedade do seu oponente, enquanto sua expressão reluzisse um sentimento que fosse além da satisfação de estar ali, seria uma sensação ruim. O gongo tocou. Ambos cederam alguns passos por ordem do juiz e o torneio começou mais uma vez. Zuzu Hijra cedeu o primeiro golpe: um chute frontal que tinha mais o objetivo de nocautear seu adversário do que demonstrar sua capacidade técnica. Don sorriu ao vislumbre do golpe, deixando que ele chegasse próximo o bastante para que o cantar pudesse acreditar que conseguiria galgar êxito, para, só então, executar um passo para o lado direito e um giro de cento e oitenta graus com o pé esquerdo. Ficando parado exatamente de frente para a perna do okama, sorrindo por saber que com um único chute ele nocautearia seu adversário por tamanha brecha em sua defesa. Por sua vez, apenas deferiu um chute na coxa direita e o levou ao chão.

– Um ponto para Don Louis – e a plateia foi ao delírio. Poucas vezes haviam pontuado tão rápido em um torneio, com exceção do nocaute de Zuzu. “Esse torneio ‘tá irado, parceiro”, alguém disse. O juiz ordenou que os dois voltassem ao centro do tatame.
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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptyQua 07 Fev 2018, 20:45



        Em momentos como aquele que o conceito de “medo” torna-se tão esmagador. Um sentimento tão autocrático, capaz de sobrepujar qualquer outra sensação e fazer com que o pobre ser que se ajoelhou perante ele seja engolido. Porém, é também uma emoção que brota de raízes instintivas e que, naquele caso, poderia dar uma dose a mais de coragem para Zuzu, pois, ao manifestar-se no homem em frente ao penhasco, gera duas angustias: o temor da queda e a liberdade de jogar-se no desconhecido. Não havia mais escapatória; o okama estava em queda livre.

        Correu os olhos para assimilar a situação e tentar justificar seu receio com o oponente. Encontrou mais três homens muito vistosos – bonitinhos até, mas jovens demais – que pareciam ser companhias do outro que enfrentava no momento.

        Perdido nessas observações, apenas sentiu que estava cumprimentando o combatente quando seu corpo encostou no dele e a voz murmurada no ouvido fez os olhos arregalarem em surpresa:

        – Um amigo meu falou algo sobre você e um bar suspeito...

        - As pessoas adoram falar demais, não acha? Eu realmente pretendo voltar para o Burlesque & Jazz um dia, honey
desconversou rapidamente antes dele se afastar. “Oras, quem diabos é esse cara e como ele sabe sobre o bar? Ai meu Prince, o que eu faço? O que eu faço?! Não posso dar bandeira ou vão tirar o meu couro...”, pensou.

        O gongo soou.

        Sua ofensiva era lenta e mal planejada demais para aquele homem e, até com facilidade, o contra ataque veio cruelmente rápido, forte e, de certa forma, comedido, como se estivesse avisando-o sobre suas habilidades – ou só sobre a estúpida abertura de Zuzu mesmo.

        Levantou-se, deu alguns tapinhas na bunda e retornou para o centro do tatame. “Vamos lá, vamos lá, Zuzu! Você é a estrela desse show! Mostra pra ele que tu merece estar aqui, que és o okama mais maravilhoso desse South Blue e que vai tirar esse sorriso bobo da cara dele!”, motivou-se mentalmente.

        Dessa vez não cederia ao entusiasmo; deixaria que o adversário partisse para cima primeiro para tentar ler seu movimentos e traçar uma linha de combate mais lógica, sem muitos lirismos ou golpes infantis. Caso isso aconteça, Zuzu preparar-se-ia para se defender e contra atacar com ferocidade. Para um golpe que vise suas pernas lateralmente, tanto na altura da coxa quanto nos calcanhares, canelas e afins, usaria sua agilidade para esquivar-se para o lado contrário com um semi giro, criando, assim, uma oportunidade para acertar um chute com a sola do pé nas costelas do alvo. Se o ataque buscar atingir seu tronco, cabeça e barriga, tanto lateralmente quanto frontalmente, a estratégia seria outra: procuraria bloquear com os braços – no caso do abdômen, cruzando-os e nos outros elevando os ombros e usando o antebraço como escudo – e atingi-lo brutalmente, enquanto ele investe, com a planta do pé na coxa da perna que está firmada no tatame para servir de base.

        Na hipótese de falhar em qualquer uma das táticas citadas e for alvejado, Hijra procuraria não se desesperar ou abater. Na primeira situação, em face de um fracasso, firmaria o pé que estava dando o “coice” anteriormente e subiria a outra no sentido inverso para conseguir deferir um ataque com o peito do pé nas costas ou abdômen do inimigo. Já na segunda, ao notar que não seria possível alcançar a coxa do outro, deixaria que seu pé caísse pesadamente sobre o tatame, ficaria em uma posição agachada, esticaria a outra perna e daria um giro de 360º com o objetivo de calçar a base do oponente com os calcanhares. Uma (contra) ofensiva um tanto quanto diferente do que se aprende com Haiki ou qualquer outro mestre de Taekwondo, mas aquele era um cenário onde tudo (que está dentro das regras) deveria ser usado.

        Em uma conjuntura onde nenhum dos dois atacasse por muito tempo e o combate não fosse iniciado, Zuzu arriscaria, mais uma vez, todas as suas fichas em uma entrada energética, dando continuação ao desejo ardente de se dar uma excitante luta de presente, independentemente da vitória ou derrota selar ela. Tentaria desferir um timio yop tchagui – uma voadora que consiste em dar um salto flexionando totalmente as pernas e atacando com a da frente estendendo-a e acertando o alvo com a faca do pé – no rosto do homem defronte. Em um cenário onde isso fosse frustrado, pelo menos o dano seria mínimo e o okama ganharia a vantagem da distância criada entre os dois para poder reerguer-se e voltar a lutar. Bem, assim esperaria.

        Aquela seria uma peleja digna dos comentários da plateia se dependesse de Zuzu Hijra.


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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptyQua 14 Fev 2018, 14:28



Torneio – A queda


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O gosto áspero do tatame não era algo a se desejar naquele combate mas o okama não iria permitir que seu oponente desfrutasse daquela cena por muito mais tempo e estava disposto a fazer com que o sorriso de seu oponente encontrasse o chão, o juiz deu o sinal para o inicio do combate mas os dois lutadores apenas se encaravam esperando o momento ideal para atacar, apesar do silêncio da plateia algumas pessoas arquejavam em ansiedade esperando pela próxima troca de golpes. Don sorriu ao perceber que Hijra parecia estar mais apreensivo após sua queda –Seu show já terminou “honey”?- Zuzu entendia que o homem esperava mais um ponto com a mesma facilidade do primeiro, mas o artista estava disposto a fazer daquele tatame seu palco e daquela luta sua apresentação.

O temor e o orgulho que Don Louis transmitia era grande, depois de se encararem por um tempo Zuzu decidiu cortar o silêncio daquele combate e investiu em uma voadora fazendo uma entrada rápida e poderosa, parte da plateia gritou surpresa pela iniciativa inesperada por parte do okama, mas seu oponente não pareceu surpreso mas sim animado com o golpe e respondeu o mesmo inclinando o seu tronco para trás em um ângulo de trinta graus fazendo com que sua madeixas brancas dançassem pelo ar enquanto suas pernas mantinham um posição firme levemente separadas umas das outras e joelhos firmemente flexionados, Zuzu passou direto pelo ar fazendo com que suas pernas raspasse pelos cabelos de seu oponente, toda a plateia vibrava com aquele espetáculo em que a luta havia se tornado -“Uau você viu isso!?”; “Ele esta indo com tudo para cima do Don.”; “Que esquiva foi essa meu deus!”; “Uau esse outro cara é bom, qual o nome dele mesmo?”; “É Deus no céu e Don Louis na terra...”- Hijra pouso alguns metros atrás de Don-Louis que levantou rapidamente o seu tronco assim que Zuzu passou e para o okama ficava claro que naquele tatame não era só ele que se apresentava ali naquele espetaculo.

Com a plateia ainda vibrando Don investiu contra Zuzu correndo em sua direção e ao se aproximar ele investiu em um chute lateral mirando acertar no rosto do oponente em um golpe similar ao que o artista havia executado na rodada anterior, o golpe mirava o lado esquerdo do rosto do okama que em reação levantava o seu antebraço buscando uma defesa mas Don simplesmente desenhou um sorriso em seus lábios pela tentativa de defesa por parte do okama, o chute se revelou uma fita e antes que o pé entrasse em contato com o antebraço de Zuzu o Don recuo a perna levemente e dobrou o joelho posicionando o mesmo por um momento em frente ao seu abdômen e em um movimento rápido transferiu um chute frontal mirando na barriga de Zuzu. Uma reação de espanto ecoo na plateia e uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Louis fazendo com que seu sorriso desaparecesse, com o braço livre que antes não tinha participado do bloqueio do rosto o okama usava agora para se defender do chute frontal de Don, ficando com o antebraço esquerdo próximo do rosto e com o antebraço direito em frente de sua barriga impedindo o chute do lutador. –Mas o quê?- espantado pelo bloqueio o Don nem percebeu o chute que Zuzu agora transferia na coxa de sua perna de apoio.

Em um silêncio de espanto Louis vacilava por sua atual posição e caiu no tatame fazendo com que a plateia reagisse tanto em surpresa quanto em empolgação pelo round que o evento estava fornecendo –Um ponto para Zuzu Hijra- Algumas pessoas na plateia reagiam com aplausos enquanto outras conversavam umas com as outras sobre o que tinha acabado de assistir -“Nooossa essa foi boa””; “Aaah isso foi sorte, você vai ver o Don vai vencer.” – Muitos eram os murmúrios ali mas ignorando todos eles o juiz sinalizava para que os lutadores voltassem ao centro do tatame, Don agora não parecia mais orgulhoso e nem transmitia mais o medo que antes era exalado pela sua presença, agora ele parecia irritado e seus colegas que acompanhavam a luta pareciam surpresos e ate mesmo indignados pela queda de seu companheiro.


Histórico Zuzu:
 
OFF SURPRESA:
 

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MensagemAssunto: Re: E não sou mais um transviado...   E não sou mais um transviado... - Página 2 EmptyDom 18 Fev 2018, 21:29



        Não houve iniciativa por parte do outro, apenas uma provocação que foi respondida com uma singela piscadinha com o olho direito e um beijinho. A luta teve de ser iniciada por Hijra. Uma sequência impressionante de ataques, esquivas e defesas, a altura do campeonato. Foi assim até o momento em que Don fora punido pela brecha que abriu.

         - Mas o quê? – o espanto firmou a oportunidade e o chute na coxa a validou.

        Seria aquela uma releitura um pouco mais “artística” e “colorida” do grande clássico bíblico cristão, “Davi e Golias”? Ou quem sabe era na verdade como uma daquelas histórias dos navegantes que passavam por Nobbio Werneck, em que, após uma grande luta com sinais de vitórias contra um Rei dos Mares, seus dentes enormes rasgaram a pele e devoraram os homens que estavam a comemorar precocemente? Dificilmente uma resposta clara viria na mente agitada de Zuzu, enquanto o outro ainda estava no chão devido aos seus bloqueios e, principalmente, o contra-ataque tão bonito que desferiu. A primeira pedra havia sido jogada, agora era preciso acertar no ponto certo e fazer o “gigante” se prostrar aos seus pés delicados.

        Notou, enquanto voltava ao centro do tatame, que seu adversário já não mais materializava o medo de antes. “Parece que existe alguém torcendo por mim, NHA NHA NHA NHA”, pensou com um sorriso no rosto, pois, rasgado o véu do temor, a face da raiva se escancarava. E existe sentimento mais descontrolado do que este? Há alguém capaz de observar um palmo a frente com viseiras tão rústicas e primitivas forjadas no fogo da fúria? Zuzu ainda não conhecera ninguém assim e por isso ouviu por anos que era uma criatura acomodada e inerte. Mal sabem eles que a revolução um dia será regida e regada na melodia doce e calma que só uma aberração como ele conhece...

        Era essa a sua chance. Pretendia, então, usar a poção contra o alquimista: provocaria-o ao máximo para que seus movimentos se tornassem mais rudimentares e menos planejados, sendo guiados apenas por instinto.

        Enquanto o juiz não desse o sinal para que os dois voltassem ao embate, diria, com uma voz maliciosa de irmão mais velho que cutuca o mais novo:

         - Vocês são engraçados. Essas botas e esse uniforme não são o melhor disfarce para os cães do governo. Inclusive, um amigo meu, meio matuto, chamado Fabiano, os chamam de “amarelos”, tamanha a covardia com que tratam aqueles que cruzam com vocês. Aliás, algumas palavras de inspiração me surgiram agora, com toda a licença...– e com uma mão no peito, Zuzu faria com que uma atuação brilhante acompanhasse sua violenta (e exageradamente intensa) declamação “Soldados! Antes de tudo há que lutar! As caravelas, mandei-as afundar, para não terdes vós outros qualquer veleidade de voltar. Há que lutar com as armas que tendes à mão. E se vô-las romperem em violento combate, então há que brigar a socos e pontapés. E se vos quebrarem os braços e as pernas, não olvideis os dentes. E se havendo feito isso, a morte chegar, mesmo assim ainda não tereis dado a última medida de vossa devoção, não! É preciso que o mau cheiro de vossos cadáveres empeste o ar e torne impossível a respiração dos inimigos!”  uma reverência concluiria e selaria aquela declaração de “guerra”.

        Após o gongo soar, manteria sua estratégia anterior de não precipitar-se, esperando que o outro atacasse primeiro. Contaria com isso em um primeiro momento, entretanto, as provocações iriam ser feitas incessantemente com um tom de puro deboche:

        “Oh, eu queria morrer de outra maneira; sem fadiga, sem dor, assim como cai uma estrela. como expira um som, matar-me com beijos de meus próprios lábios, morrer como morre um raio de luz em águas límpidas”os olhos do okama revirariam em uma falsa súplica.

        Caso Don sinta-se ofendido apenas com essa instigação e parta para cima, Zuzu irá tentar esquivar/bloquear e atacar o mais rápido possível. Sendo assim, deslocar-se-ia para traz em ofensivas que vissem acertar sua barriga, tórax, coxas e qualquer outra parte do corpo frontalmente, fazendo com que o alcance do golpe seja curto e deixando o centro de gravidade do oponente perturbando, o que pode ser uma vantagem para o okama que buscaria puxar com os braços a perna que esteja levantada, o que poderia levar a uma queda ou, dependendo da distância e da insistência, para o lado de fora do tatame. Já na hipótese de um ataque para atingir alguma porção lateral, o okama daria dois passos rápidos para frente, encurtando o intervalo entre os dois – e consequentemente entre a perna do outro – e tentaria desferir duas ou três joelhadas no abdômen de Louis e logo em seguida dar um pulo para trás e desvencilhar-se do adversário.

        Há, é claro, a possibilidade de que nenhum desses contra-ataques funcionem, dessa forma, pensando friamente, o melhor seria abusar da velocidade e da habilidade de esquiva. Independentemente de Don ter acertado ou não, caso haja falhas, Zuzu pretenderia deslocar-se rapidamente para a lateral do inimigo e investir com uma forte chute com a sola do pé na lateral do joelho dele, buscando atingir o finalzinho da tíbia e o começo do fêmur para desestabilizá-lo, e, em sequência, dar um giro e golpear na parte de traz do outro joelho, que, se tudo andar conforme o planejado, ainda estará firme no tatame. Mas se não estiver, tudo bem, por que Hijra continuaria o seu ataque finalizando-o com um chute com a canela na orelha do combatente, para, finalmente nocauteá-lo.

        Todavia, não existe garantia algum de que ele cairia em seu truque de ator errante, então seria prudente pensar, mais uma vez, em atacar se Don não o fizesse. Por isso, decidiu traçar e seguir mais uma artimanha para aquela peleja: pegaria mais pesado em suas encenações e partiria com golpes mais pragmáticos para contrastar com suas falas tão “poéticas” e sua movimentação tão “dançante” – ora, era de se esperar que o okama estive se locomovendo como uma mariposa fugindo de uma raquete mata-moscas no tatame, pois seus pulinhos e gracejos já eram traços marcantes de sua personalidade desde que a reconhecera como parte de si – que tirava qualquer adversário mais nervosinho do sério.

        Durante toda a sua ofensiva, falaria em um claro tom de diabrura e representação:

         - Aquele meu amigo matuto sempre diz coisas muito sábias NHA NHA NHA – estenderia a perna direita à frente, colocaria os braços levantados e as mãos dobradas perpendicularmente opostas, adotando sua inconfundível pose de sempre – Coitado, homem pobre como eu... Não podia arrumar o que tinha no interior. Se pudesse ...Ah! Se pudesse, atacaria os soldados amarelos que espancam as criaturas inofensivas com um novo sorriso audaz, continuaria – Acho que posso fazer isso por ele aqui hoje, não, honey? NHA NHA NHA

        Zuzu era de longe uma aberração agressiva ou truculenta, mas a situação parecia um bom momento para adotar um nova faceta. Talvez uma pontada de soberba poderia surpreender a plateia e Don Louis.

         - Quando meu querido amigo foi preso injustamente, me disse: “Mas pegado de surpresa, embatucara. Quem não ficaria azuretado com semelhante despropósito? Não queria capacitarse de que a malvadez tivesse sido para ele. Havia engano, provavelmente o amarelo o confundira com outro. Não era senão isso. Então porque um sem-vergonha desordeiro se arrelia, bota-se um cabra na cadeia, dá-se pancada nele?...” – interpretaria com afinco a revolta do conhecido durante todo o combate.

        O okama iria, então, para cima do adversário na tentativa de lhe acertar vários chutes nas laterais das coxas, alternando as pernas – chute na esquerda com a perna esquerda, chute na direita com a perna direita -, com o objetivo de enfraquecer a base do outro e, principalmente, chamar-lhe a atenção para as partes inferiores.

        “...Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas. as injustiças. E aos conhecidos que dormiam no tronco e agüentavam cipó de boi oferecia consolações. ‘Tenha paciência. Apanhar do governo não é desfeita’...”.

        Feito isso, iniciaria uma sequência de socos em seu peito – afinal, as regras eram claras e somente golpes do taekwondo eram permitidos, o que não excluía os socos básicos que a arte marcial emprega nos ensinamentos – para forçá-lo a defender-se com os braços. Faria isso com o intuito de pressioná-lo a dar alguns passos para traz, indo em direção ao limite imposto, e, ao chegar próximo, Zuzu daria um Tit tchagui - um chute no qual o praticante gira a perna, quadril e o tronco, ficando praticamente de costas para o adversário, estendendo a perna para trás, como um coice – para jogá-lo longe e garantir a vitória.

        “...E, por mais que forcejasse, não se convencia de que o soldado amarelo fosse governo. Governo, coisa distante e perfeita, não podia errar. O soldado amarelo estava ali perto, além da grade,. era fraco e ruim, jogava na esteira com os matutos e provocava-os depois. O governo não devia consentir tão grande safadeza...”.

        Em um cenário de falha, seja ela qual for – desde o começo ou até mesmo no último – Hijra iria focar em esquivar com um agachamento para ofensivas vindas de cima, mas para qualquer outro, buscaria ignorar e seguir em frente com seu plano, pois ser atingido em outras partes não iria prejudicá-lo tanto, mas em pontos vitais – rosto, boca, cabeça e etc – poderia ser impossível prosseguir. E, por fim, se seu Tit Tchagui não tivesse força suficiente, partiria para o desespero: se jogaria em cima de Don Louis, que provavelmente ainda estaria se defendendo e, portanto, desatento, para que este cruzasse a linha.

        “...Afinal para que serviam os soldados amarelos?”.

        Suas falas eram belicosas, mas faziam jus ao show de horrores que tantos “Fabianos” e “Zuzu Hijras”, homens marginalizados e esquecidos pela marinha e pelo Governo, viviam diuturnamente. Era chegada a hora dos coadjuvantes serem estrelas de sua própria peça, começando por aquele torneio.


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“I wish you could know what it means to be me
Then you'd see and agree that every man should be free...”. ♫


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